Recorte Lírico

Tirando a literatura dos corredores acadêmicos

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Vamos revolucionar o ensino brasileiro

24 de junho de 2017

Categorias:Artigo de Opinião Tags:,

Vamos revolucionar o ensino brasileiro
Foi numa terça-feira que, numa fonte não tão confiável de informação, descobri o desabafo de Marcio Ruzon a respeito da festa temática “se nada der certo” feita pela Instituição Evangélica de Novo Hamburgo. Ao mesmo tempo, olhei para o cartaz do concurso “Ideias de Valor” promovido pela FAE e algo começou a cozinhar na minha cabeça. Começou com uma pequena ideia, que acabou não cabendo nos 1500 caracteres do concurso e continuou para se tornar uma idealização de futuro, uma ideia que eu gostaria que atingisse alguém que pudesse colocá-la em prática. Esse é o único jeito que encontrei de verbalizar tudo o que gostaria dizer.

O que a escola deveria realmente ensinar

Quando eu li sobre o desabafo de Ruzon, não pude deixar de pensar na minha própria vida. Com vinte e sete anos, eu tinha esperanças de que eu teria “dado certo”. O caminho que eu tinha tomado era para, supostamente, me levar exatamente lá. Um bom emprego, pagando bem. O problema é que descobri, depois de muitos anos nesse caminho, que esse “dar certo” não era o meu dar certo. E foi a primeira coisa que eu pensei que as escolas deveriam realmente ensinar: o que é o verdadeiro sucesso pessoal. Eu não quero que meus filhos tenham que ser castigados tanto pela vida que nem eu fui para que possam achar o seu caminho e o seu sucesso. Eu quero que meus filhos aprendam o que é ser feliz, o que é satisfação… E eu tenho muito medo da minha própria incapacidade de ensinar isso a eles.
Eu realmente acredito que a escola, esse ambiente seguro e controlado é o lugar ideal para que as pessoas aprendam essas coisas realmente difíceis de ensinar. Essas coisas que os pais gostariam de nos proteger até o último. Porque essas coisas, essas conclusões são simplesmente o complexo “viver em sociedade”. E a escola é o melhor lugar para finalmente entender como é viver em sociedade. E deveria ir além — deveria nos ensinar a entender quem somos, quais são nossas limitações, quais são nossas forças. Deveria nos ajudar a enxergar e alcançar nossos sonhos, nossos objetivos. Deveria nos ajudar a crescer. Deveria promover o entendimento corporal e o crescer dentro de si mesmo. A escola deveria complementar o crescimento. Deveria fazer crescer ser menos assustador.
Porque existem tantas coisas que precisamos aprender. Tantas habilidades importantes que são negligenciadas e que acabamos tendo que encontrar caminhos alternativos para evoluir. Como desenvolver nossa criatividade, como gerenciar nossas emoções, nosso tempo. Como ser produtivos, como ter empatia, como negociar. Como solucionar um problema, como aprender sozinho, como fazer relações entre ideias, como apresentar uma ideia. Ética. Como ser um ser humano melhor.
Com tanta coisa importante para se aprender, ainda desperdiçamos tempo e recurso ensinando fórmulas de matemática, física e química, que a maioria das pessoas nunca vão usar e pior: vão esquecer assim que passarem no vestibular. Acabam se tornando pessoas vazias que ou tornam o mundo pior, ou precisam aprender “na amarra” valores e habilidades necessárias a todos os adultos.

Como a escola deveria realmente ensinar

Quando eu era criança, eu adorava aprender. Eu tinha tido uma ótima educação no pré e tinha me apaixonado por informação. O problema é que, na minha época, a escola (Lumen) não tinha primeira série e eu precisei encontrar outro lugar. Minha mãe me conta até hoje que ela precisava achar uma “professora maluquinha” para que eu pudesse ficar em algum lugar. A referência era ao livro do Ziraldo, ao qual eu era apaixonada. Mas a procura não foi assim tão fácil e acho que eu acabei desistindo, no final, de gostar de aprender. Mas o engraçado foi que conservei até os dias de hoje a ideia de que é preciso “aprender brincando”. Eu acredito que quando você aprende uma coisa, você não precisa estudar que nem um louco para uma prova. Você sabe aquilo. No entanto, a regra hoje é estudar antes da prova. Para mim isso é algo tão errado. Eu não vejo problema na prova em si. Acho válido que o aluno seja testado nos seus conhecimentos. Entretanto, parece que o teste é feito da forma errada.
O que eu vejo é que vivemos em um mundo tão rico. Existem tantas formas de passar informação. Meu deus. Existe tanta informação disponível gratuitamente na internet. Existem tantas formas de aprender. Porque a escola ainda não se apoderou de todas essas ferramentas? Eu vejo tudo que existe e para mim é tão óbvio o que deve ser feito e é tão fácil. Porque não se utilizar de ferramentas como Khan Academy? Porque não pensar na aprendizagem voltada para a teoria de oito inteligências de Howard Gardner?
Vamos trazer vídeos, textos, jogos, aplicativos. Vamos fazer tudo isso em sala de aula. Vamos jogar. Vamos entrar em um personagem. Vamos fazer decisões difíceis em jogos de RPG. Vamos ler Harry Potter e Machado de Assis. Vamos conversar sobre isso. Sobre o jogo. Sobre a decisão. Sobre o livro. Sobre aquele vídeo novo que está rolando no facebook. Vamos aplicar conhecimentos básicos em cima disso tudo. Vamos interpretar um papel. Como essa pessoa se sente quando aquela coisa acontece? Empatia! Como que você poderia programar o movimento de uma bola em um jogo? Física! Quais as implicações da decisão que você fez em todos os outros personagens? Ética! Porque a terra é redonda? Porque o céu é azul? Perguntas que realmente importam.
Eu me pergunto: Será que ninguém ainda percebeu como o significado é a alma do negócio? Sentir que um conteúdo significa alguma coisa para você é o que faz você efetivamente aprendê-lo. Simplesmente o fato de falar sobre algo e relacioná-lo a sua vida e ao que você conhece já faz com que você pense e entenda esse novo conteúdo. Porque não podemos criar salas de aulas interativas? Expor conteúdos aos nossos alunos e conversar com eles sobre isso?
E já que estamos falando de tudo isso, vamos criar ferramentas que permitam esse tipo de conversa. Que criem essa interação. Vamos ensinar empreendedorismo através da criação de um mercado ficcional dentro da sala de aula. Vamos apresentar um problema e deixar o aluno dar uma solução. Vamos dar espaço para os alunos ensinarem outros alunos. Deixe-os inovar. Quem inovar ganha um bombom. Vamos criar mais atividades físicas. Vamos fazer da dança curricular. Teatro? Curricular. Música? Curricular. Vamos dar espaço para todas as inteligências se desenvolverem e prosperarem. Arte é o alimento da alma. Vamos ensinar lógica de programação. Dizem que essa é a língua do futuro. Vamos dar ao aluno formas diferentes de ver e interpretar o mundo.
E não vamos esquecer que todos eles são diferentes também e atingem seu potencial de formas diferentes. Alguns são introvertidos e vão prosperar melhor sozinhos. Outros são extrovertidos e vão prosperar melhor em grupos. E não vamos esquecer que apesar de eles terem determinadas características mais acentuadas, precisamos ajuda-los a desenvolver outras habilidades e ensina-los a integrarem essas habilidades em uma única solução. Vamos levar tudo isso em consideração e saber que quando cobramos um determinado conteúdo, precisamos dar ao aluno a liberdade de entender aquilo e mostrar que entendeu aquilo da forma com que é mais confortável. É válido tirar o aluno da sua zona de conforto? Com certeza. Mas que o exercício não o faça se sentir estúpido. Como Einstein já dizia, se você julgar um peixe pela sua habilidade de subir em uma árvore, ele vai passar a sua vida inteira se sentindo um idiota. Não vamos deixar nossas crianças se sentirem idiotas. Nunca.

Materiais válidos para ver

  • Um Belíssimo Vídeo do Prince Ea, com legendas em português, processando o sistema escolar e sua forma defasada. I Just sued the schooI system. Clique aqui.
  • Vídeo de Ken Robinson, com legendas em português, dizendo que as escolas acabam com a criatividadeClique aqui.
  • Vídeo de Murilo Gun, comediante brasileiro, Escolas Matam a Aprendizagem. Clique aqui.
  • Vídeo de João Pedro Magnani & Pedro Luz, dois estudantes do ensino médio do Colégio Dante Alighieri, Novas formas de aprender e ensinar. Clique aqui.
  • Matéria na Gazeta do Povo: Filho de porteiro responde “Se nada der certo” com texto viral emocionante do Facebook por Júlio Boll. Clique aqui.
  • Matéria no Globo G1: Se nada der certo: quando o preconceito começa na escola por Andrea Ramal. Clique aqui.
  • Vídeo de Leandro Karnal, fazendo uma reflexão sobre o evento do “Se nada der certo”. Clique aqui.
  • Matéria na BBC: Por que a Finlândia está mudando ‘um dos melhores sistemas de educação do mundo’? Clique aqui.
  • Matéria na BBC: No Japão, alunos limpam até banheiro da escola para aprender a valorizar patrimônio. Clique aqui.
  • Vídeo de Thea Holcomb, uma adolescente de Salt Lake City, falando sobre como deve ser a educação sexual. O vídeo é em inglês sem legendas. Let’s Talk about Sex…Education. Clique aqui.
  • Vídeo de Howard Gardner a respeito da sua teoria das oito inteligências. O video é em inglês sem legendas. Beyond Wit and Grit: Rethinking the Keys to Success. Clique aqui.
  • Vídeo de Tesia Marshik, em inglês sem legendas, desmistificando a ideia de estilos de estudo e introduzindo uma nova forma de entender o aprendizado. Learning styles & the importance of critical self-reflection. Clique aqui.