Recorte Lírico

Tirando a literatura dos corredores acadêmicos

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Junte-se a 2 outros assinantes

Picas da Galáxia

15 de maio de 2018

Categorias:Artigo de Opinião Tags:

Picas da Galáxia

Hoje a humanidade explora e coloniza cerca de três por cento de toda a Via Láctea, e avança rápido sobre o restante. Sou otimista e acredito que teremos o controle de toda nossa galáxia em menos de vinte e três milhões de anos.

Não temos a pretensão de ocupar todo o universo. Afinal, se os aglomerados de galáxias afastam-se um dos outros em velocidades altíssimas devido a expansão do universo e não temos estimativa de quando e se poderemos construir veículos que ultrapassem essa velocidade, lançar alguém em direção a outra galáxia é condená-lo a não chegar a lugar algum. Pelo menos daqui a alguns bilhões de anos nossa galáxia vai unir-se às outras do seu grupo local e teremos um pouco mais de lugares para conhecer.

Ainda assim é lindo, não? Uma especiezinha de macaquinhos capaz de conhecer e compreender cada aspecto das coisas ao seu redor e usá-las com eficiência.

Não foi sempre assim. Quando, por acaso, alguém decide ler livros escritos a cerda de dois milhões e meio de anos atrás, acaba se dando conta que os humanos daquela época eram pessimistas acerca do futuro da humanidade. De forma cômica, foi a busca por algo ridículo que garantiu a sobrevivência da espécie humana para além da existência da Terra (que felizmente ainda está lá como uma espécie de museu que visitamos nos feriados do planeta em que vivemos, com o auxílio dos buracos de minhoca artificiais que criamos para viagens interestelares).

Os humanos daquela época ocasionalmente enviavam um ou outro para o espaço. Nada muito pretensioso. Chegaram a tomar conhecimento da rápida mudança de altura de um astronauta chamado Scott Kelly depois de passar cerca de um ano orbitando a Terra. O astronauta estava algo como cinco centímetros mais alto. Acabou voltando ao tamanho anterior depois de algum tempo, mas poucos se interessaram por isso.

Anos depois, no entanto, quando um relatório sobre as mudanças corporais de Gregório Ludovico (outro astronauta) foi publicado após esse passar sete anos e meio numa missão de ida e volta a Marte, os machos da espécie enlouqueceram de euforia. Foi constatado um aumento de três centímetros no pênis do astronauta, aumento que não retraiu depois de algum tempo de observação. Daí iniciou-se um grande esforço para tornar as viagens espaciais mais eficazes e hoje estamos aqui, indecisos por ter de escolher entre um planeta de clima mais agradável e um planeta onde podemos montar em elefarontes, um bicho esquisito que só tem esse nome porque lembra, ao mesmo tempo, um elefante marrom e um rinoceronte cinzento.

Ah, sim, claro! Hoje a média do tamanho do pênis aumentou quatro centímetros e meio. Ainda assim tem quem compre pílulas clicando em GIFs pela internet. Afinal, não é toda a galáxia que está disposta a viajar pelo espaço durante cinquenta anos para ter um pênis de trinta e cinco centímetros, como fez o atual recordista.

 

 

Para ler outros textos do Farrel Kautely, clique aqui.