25 de maio de 2017

Antonio Candido: Fragmentos de uma releitura

No dia 12 de maio deste ano, foi divulgada a notícia da morte do crítico Antonio Candido, que estava prestes a completar 99 anos de idade. Arrisco dizer que o último grande evento literário de que Candido participou foi a Flip de 2011, comprovando sua intensa atividade. Com uma produção incessante (considerando livros, artigos, capítulos, e textos para jornais), o escritor nos deu centenas de obras fundamentais para a literatura, acompanhando […]

11 de maio de 2017

O sucesso das (auto)biografias

De uns tempos pra cá, a sétima arte tem privilegiado as histórias reais (de celebridades e de desconhecidos notáveis), alavancando o mercado de biografias. O motivo disso é bem simples, afinal o interesse do público pela vida alheia é cada vez maior. No final do século XX, a revista Veja, de 26/07/95, assinalava a ascensão do gênero, “que só perdia para as publicações de ‘auto-ajuda’ – tanto que entre julho […]

26 de abril de 2017

Hamlet (quem diria?) ainda vive… (Parte II)

Dando continuidade às comemorações do “Abril de Shakespeare”, publico aqui a segunda parte do texto sobre a adaptação fílmica de Michael Almereyda, uma leitura contemporânea de Hamlet. “MACHINA FATALIS” Na cultura grega da Antiguidade, as pessoas de uma mesma família são inseridas em um processo atávico de punição pelos erros de seus ascendentes. Desse modo, o erro de um antecessor espalha o caos sobre toda a família e deve ser […]

6 de abril de 2017

Hamlet (quem diria?) ainda vive…(Parte I)

   Anualmente, no mês de abril, amantes da literatura e de outras artes costumam celebrar a importância das obras de Shakespeare, escritor inglês mundialmente conhecido, que nasceu em 26 de abril de 1564 e faleceu em 23 de abril de 1616. Portanto, há um duplo motivo para este mês ter sido batizado como “Abril de Shakespeare”. O artista excede sua época, atravessa décadas, séculos e suas histórias, quatrocentos anos depois, […]

23 de março de 2017

Tendências artísticas e interartísticas

Em conformidade com as vanguardas europeias, que tinham como principais metas a recusa à representação mimética tradicional e a liberdade social e estética, as tendências artísticas do Neoplasticismo e do Abstracionismo, durante as décadas de 1910 e 1920, privilegiavam as formas geométricas e o aspecto não-figurativo. Isso equivale a dizer que a relação direta da arte com o referente externo passou a ser desconsiderada. Em 1920, Malevitch retomou as principais […]

9 de março de 2017

Literatura no Samba – por Verônica Daniel Kobs

LITERATURA NO SAMBA Profa. Dra. Verônica Daniel Kobs* Na avenida, a fantasia vira realidade Este ano, o tema da Mocidade Independente de Padre Miguel foi Marrocos, a literatura do Oriente e suas narrativas maravilhosas, que enfatizam o sonho e a imaginação. Por esse motivo, as histórias acentuam a “suspensão da descrença” (Cf. ECO, 1994), característica que, de acordo com Todorov, faz parte do que o autor chama de “maravilhoso exótico”: […]

21 de fevereiro de 2017

Literatura e Cinema: Uma introdução à intermidialidade

Umberto Eco, que, em vários textos, analisa o parentesco entre cinema e literatura, falando sobre a obra de Manzoni, em seu livro Seis passeios pelos bosques da ficção, escreve: “Não venham me dizer que um escritor do século XIX desconhecia técnicas cinematográficas: ao contrário, os diretores de cinema é que usam técnicas da literatura de ficção” (ECO, 1994, p. 77). Tal citação, ao mesmo tempo que menciona a ligação entre […]

7 de dezembro de 2016

O pai e o filho eterno

Verônica Daniel Kobs* Como resultado de um processo natural e involuntário, todo artista torna-se vítima de si próprio. O sucesso, na pintura, na tevê, na literatura ou em qualquer outra arte, faz com que o público crie para o artista um personagem que deve entrar em cena sempre que ele estiver fora de sua esfera privada. O artista parece ganhar as qualidades do conjunto de sua obra e, como todo […]

23 de novembro de 2016

E O NOBEL DO RAUL?

 Profa. Dra. Verônica Daniel Kobs* Nos últimos dias, pela surpresa causada pelo anúncio do Nobel de Literatura deste ano, a pergunta que recebo é sempre a mesma: e o Bob Dylan? Primeiro, a pergunta veio de um aluno de Letras. Eu tinha sabido da notícia um dia antes. Lembro que fiquei meio atônita, quando ouvi no rádio, mas de um dia para outro mal tive tempo de pensar a respeito. […]

10 de novembro de 2016

As vozes do feminino nas obras de Hilda Hilst e Frida Kahlo

AS VOZES DO FEMININO NAS OBRAS DE HILDA HILST E FRIDA KHALO* Profa. Dra. Verônica Daniel Kobs**           Elaine Showalter considera a arte das mulheres “um ‘discurso de duas vozes’ que personifica sempre as heranças social, literária e cultural tanto do silenciado quanto do dominante” (SHOWALTER, 1994, p. 50). Para a autora, essa posição “inconstante”, volúvel e aparentemente contraditória não é mera característica da produção artística feminina; ela é inevitável […]