1 de setembro de 2017

Catálogo de espantos

Catálogo de espantos

I – A CASA   Amor: acordo íntimo e tácito permeado de gestos e sentido.   *   Não há greve para quem edifica a própria casa.   *   A economia do lar é uma forma administrativa de amor. A boa cozinheira fisga corações pelo estômago.   *   Nada mais totalitário do que valorizar mais a disputa de empregos do que a economia doméstica. Quem não governa a […]

14 de agosto de 2017

O banquete babilônico

O banquete babilônico

O cativeiro babilônico é um dos temas mais profícuos em nossa tradição poética, tendo sido fixado pelas redondilhas camonianas: Sôbolos rios que vão Por Babylonia, me achei, Onde sentado chorei As lembranças de Sião, E quanto nella passei. Alli o rio corrente De meus olhos foi manado; E tudo bem comparado, Babylonia ao mal presente, Sião ao tempo passado. Alli lembranças contentes N’alma se representárão; E minhas cousas ausentes Se […]

8 de agosto de 2017

Um poeta de classe

Um poeta de classe

De um modo geral, Chesterton distinguia na sociedade três classes de pessoas. A classe do povo, a dos poetas e a de cientistas e intelectuais. De maior valor, a primeira classe é responsável pela produção. A ela em alguma medida pertencemos todos nós. Como um mal para suas famílias, ainda que um bem para a humanidade, a segunda classe é responsável pela expressão do sentimento popular. A ela pertencem aqueles […]

13 de maio de 2017

Canção Universal – por Wagner Schadeck

Canção Universal – por Wagner Schadeck

Na antiguidade, acreditava-se que a música tinha poder medicinal sobre a alma. Críticos como Carpeaux e Auerbach ouviam o canto gregoriano no cantar dos anjos no Paraísoda Divina Comédia de Dante Alighieri. No Werther de Goethe, o enamoramento do protagonista se dá pela música. Beethoven, ao visitar uma Baronesa, amiga sua que havia perdido o filho, vitimado pelas guerras napoleônicas, fora comedido em palavras e gestos, mas sentara ao piano […]

8 de maio de 2017

O amanho da memória – por Wagner Schadeck

O amanho da memória – por Wagner Schadeck

A poesia luso-brasileira possui três mestres incontestáveis: Gonçalves Dias, António Nobre e Manuel Bandeira. Nestes poetas sui generisencontramos um rico armazém de formas e recursos poéticos, a que qualquer jovem pode acessar tanto para se formar culturalmente quanto para beber o vinho do espírito. Poetas singulares, como eles, não forma epígonos, mas herdeiros. A partilha dessa herança inesgotável e sua manutenção é um imperativo poético, sobretudo, numa nação, como a […]

28 de abril de 2017

Conhecimento da ilusão – por Wagner Schadeck

Algumas palavras sofrem grandes transformações. “Jogo” (em latim iocus), que tinha o sentido de brincadeira, como o adjetivo “jocoso”, torna-se engano (como o de ludus), cujo sentido ainda está presente na palavra “ludíbrio”, adquirindo tanto o sentido de brincadeira quanto o de ilusão (em latim illusio, formado por “in” e “ludus”, no sentido de divertimento). Tema por excelência na poesia, o amor é duplamente jogo e ilusão, pelo menos para […]