6 de fevereiro de 2018

O Alto da Insolência - Ato VII

O Alto da Insolência – Ato VII

EU: O Farrel do universo 234 preocupava-se muito com o rumo que a tecnologia de inteligência artificial poderia tomar. Ele não confiava nos carros com direção por inteligência artificial, não nutria simpatia pelos algoritmos que regiam as redes sociais e tão pouco sentia-se confortável com robôs dotados de inteligência artificial que monitoravam a segurança (tendo acesso a armas) ou outras áreas essenciais ao homem, como gerenciamento de hospitais, por exemplo. […]

10 de janeiro de 2018

O Viajante do Tempo

O Viajante do Tempo

Marciano Cosfeli, enquanto lidava com tecnologia e cálculos altamente avançados, num laboratório abastardamente equipado, por acaso, descobriu como voltar no tempo. Refletiu muito sobre o que faria com isso e decidiu que voltaria numa época de ascensão da ciência e já apresentar tudo o que sabia — o que não era pouco — para iluminar ainda mais a mente humana e possibilitar que seu tempo tivesse alcançado um status ainda […]

19 de dezembro de 2017

A Morte da Via Láctea

A Morte da Via Láctea

Moro num apartamento novo há sete meses e meio. O prédio fica no centro de Bela Vértice, na parte mais cinza e sem graça da cidade, onde o Sol parece mal chegar a tocar o asfalto devido à grande quantidade de edifícios. É um lugar tranquilo. Tem sempre um porteiro na portaria, elevador, tapetes felpudos de “bem-vindo!”, luz ambiente avermelhada… bem aconchegante. Moro no décimo andar, e mal escuto a […]

12 de dezembro de 2017

A História do Bóris

A História do Bóris

Num dia desses aí, dentro de uma toca, um bicho que me lembra um esquilo [ou seria melhor compará-los com ratinhos? Meio que dá no mesmo] estava se contorcendo no chão que havia cavado. Dali a pouco descobriu-se que era fêmea [olha só, quem diria!]. De dentro dela saíram três filhotes. Feliz da vida, após dar o último contorção do último filho, foi checar o trabalho feito. Decepcionou-se, eram filhotes […]

5 de dezembro de 2017

Cap. VI

Cap. VI

~> VI – Na portaria, com o porteiro – VI <~ — Não faz diferença. Lá fora está tão bom ou tão ruim quanto aqui dentro. — Você está certo. Lá fora não chove não, mas aqui molha dentro. — Encharca! — Inunda. — Transborda. — E vaza… Nada? — Não. — Boia? — Afundo. — Afoga? — Bem que eu queria. — O quê? — Me afogar. — Por […]

4 de dezembro de 2017

Baby – por Zé Ciabotti

Baby – por Zé Ciabotti

Baby, Já sequei a garrafa de Jack Daniels que compramos naquela noite em que dormimos no quarto doze do motel Delírius. Foi a primeira vez que sussurrei em seu ouvido ‘eu te amo’, ‘eu te amo’, ‘eu te amo’, enquanto a rádio AM tocava uma versão lenta de “Don’t Let me Down. I guess nobody ever really done me, oh she done me, she done me good.”. A garrafa de […]

21 de novembro de 2017

Cap. V

Cap. V

~> V – A caminho do trabalho – V <~ Até então meu dia estava perfeito, e eu refletia sobre isso enquanto caminhava por ali. Quando estava chegando perto da faixa de pedestres notei que um botão do meu terno havia desabotoado. Parei para abotoar, distraído, quando alguma coisa agarrou meu tornozelo. Levei um puta susto e acabei arrancando o botão com minha reação. Olhei para baixo e vi que […]

20 de novembro de 2017

Sujas de glacê

Sujas de glacê

Desde muito cedo, aos onze, Paulinho já tinha responsabilidades demais. Apertava-se em um barraco de dois cômodos com a mãe e duas irmãs menores. O pai, alcoólatra, saiu cedo um dia e nunca mais voltou. Abandonara o colégio aos nove anos para ganhar alguns trocados lavando para-brisas, vendendo chicletes no semáforo e o que mais aparecesse. Essas moedas feitas na rua completavam a renda da família. Faltavam dois dias para […]

19 de novembro de 2017

As ampulhetas do Amor

[Conto] As ampulhetas do amor

Passei o dia tentando recriar a imagem mental daquela que seria a minha futura calma. Talvez semanas, obnubilado que eu estava. Mãos de algodão, que eram a expressão máxima do conforto, cabelos que a tornavam superior a qualquer outra da festa. Meu coração, hemorrágico, ainda não retomou seu ritmo habitual, descompassando os pulmões. Era o tipo que olhava de dentro, ao passo que eu a fitava com a alma. Deve […]

14 de novembro de 2017

Vai cortar essa unha, menino!

Vai cortar essa unha, menino!

— Vai cortar essa unha, menino — a mãe disse, talvez pela septuagésima sétima vez. Ele a ignorou, gostava das unhas grandes. Estava se arrumando para ir a uma festa. Terminou de se arrumar. A mãe o acompanhou até o ponto de ônibus. — Você não cortou essas unhas? Ele aproveitou que o ônibus tinha chegado e embarcou de imediato, para evitar falar qualquer coisa sobre as unhas. Sentou-se num […]