12 de dezembro de 2017

A História do Bóris

A História do Bóris

Num dia desses aí, dentro de uma toca, um bicho que me lembra um esquilo [ou seria melhor compará-los com ratinhos? Meio que dá no mesmo] estava se contorcendo no chão que havia cavado. Dali a pouco descobriu-se que era fêmea [olha só, quem diria!]. De dentro dela saíram três filhotes. Feliz da vida, após dar o último contorção do último filho, foi checar o trabalho feito. Decepcionou-se, eram filhotes […]

5 de dezembro de 2017

Cap. VI

Cap. VI

~> VI – Na portaria, com o porteiro – VI <~ — Não faz diferença. Lá fora está tão bom ou tão ruim quanto aqui dentro. — Você está certo. Lá fora não chove não, mas aqui molha dentro. — Encharca! — Inunda. — Transborda. — E vaza… Nada? — Não. — Boia? — Afundo. — Afoga? — Bem que eu queria. — O quê? — Me afogar. — Por […]

4 de dezembro de 2017

Baby – por Zé Ciabotti

Baby – por Zé Ciabotti

Baby, Já sequei a garrafa de Jack Daniels que compramos naquela noite em que dormimos no quarto doze do motel Delírius. Foi a primeira vez que sussurrei em seu ouvido ‘eu te amo’, ‘eu te amo’, ‘eu te amo’, enquanto a rádio AM tocava uma versão lenta de “Don’t Let me Down. I guess nobody ever really done me, oh she done me, she done me good.”. A garrafa de […]

21 de novembro de 2017

Cap. V

Cap. V

~> V – A caminho do trabalho – V <~ Até então meu dia estava perfeito, e eu refletia sobre isso enquanto caminhava por ali. Quando estava chegando perto da faixa de pedestres notei que um botão do meu terno havia desabotoado. Parei para abotoar, distraído, quando alguma coisa agarrou meu tornozelo. Levei um puta susto e acabei arrancando o botão com minha reação. Olhei para baixo e vi que […]

20 de novembro de 2017

Sujas de glacê

Sujas de glacê

Desde muito cedo, aos onze, Paulinho já tinha responsabilidades demais. Apertava-se em um barraco de dois cômodos com a mãe e duas irmãs menores. O pai, alcoólatra, saiu cedo um dia e nunca mais voltou. Abandonara o colégio aos nove anos para ganhar alguns trocados lavando para-brisas, vendendo chicletes no semáforo e o que mais aparecesse. Essas moedas feitas na rua completavam a renda da família. Faltavam dois dias para […]

19 de novembro de 2017

As ampulhetas do Amor

[Conto] As ampulhetas do amor

Passei o dia tentando recriar a imagem mental daquela que seria a minha futura calma. Talvez semanas, obnubilado que eu estava. Mãos de algodão, que eram a expressão máxima do conforto, cabelos que a tornavam superior a qualquer outra da festa. Meu coração, hemorrágico, ainda não retomou seu ritmo habitual, descompassando os pulmões. Era o tipo que olhava de dentro, ao passo que eu a fitava com a alma. Deve […]

14 de novembro de 2017

Vai cortar essa unha, menino!

Vai cortar essa unha, menino!

— Vai cortar essa unha, menino — a mãe disse, talvez pela septuagésima sétima vez. Ele a ignorou, gostava das unhas grandes. Estava se arrumando para ir a uma festa. Terminou de se arrumar. A mãe o acompanhou até o ponto de ônibus. — Você não cortou essas unhas? Ele aproveitou que o ônibus tinha chegado e embarcou de imediato, para evitar falar qualquer coisa sobre as unhas. Sentou-se num […]

13 de novembro de 2017

Homenagem

Homenagem

O Uno vermelho fosco tinha os dizeres Corações a Mil adesivados nas portas. Uma mulher com o cabelo descolorido desceu e passou a chamar o nome de Cristiane que, por sua vez, só abriu o portão depois da certeza de que a vizinhança ocupava as calçadas. Nos minutos seguintes, os alto falantes do Uno tocaram duas canções de Eduardo Costa. Abraçada ao buque de rosas vermelhas que a loira descolorida […]

7 de novembro de 2017

Passarinho dismétrico

Passarinho dismétrico

Um passarinho nasceu com uma perninha muito maior que a outra, e por isso não lhe convinha ficar no chão dando os pulinhos que os passarinhos dão quando estão catando os ciscos que estão por ali. Uma vez um moço jogou uma porrada de alpiste no quintal da casa e os outros passarinhos correram para ciscar por lá. O passarinho da perna desigual ficou na árvore, chateado, observando a alegria […]

6 de novembro de 2017

Pipa — por Zé Ciabotti

Pipa — por Zé Ciabotti

Cauã comemorou a paralisação dos professores por melhores salários, afinal seriam dois dias sem aula. Apanhou as moedas das sobras do seu trabalho como entregador de panfletos e correu pra papelaria. Comprou vareta, papel de seda, cola e linha dez. Sentado na calçada, como um artesão, confeccionou uma bela pipa. Corriam de um lado para o outro, embriagados pelo vento, Cauã e a pipa. A poucos metros dali, também contra […]