[Crítica] Necrópolis (série brasileira do Netflix)

[Crítica] Necrópolis (série brasileira do Netflix)
Peterson é o personagem mais exagerado e excêntrico entre todos. (Imagem: Reprodução/Netflix)

Dirigido por Gabriel FacciniTiago RezendeTomas Fleck, Necrópolis é uma série brasileira, do gênero humorístico, e foi lançada no início do mês no site de streaming Netflix.

O contexto da série acontece em um IML (Instituto médico legal) cujo diretor, o Peterson (Eduardo Mendonça) está a procura de um médico legista e, sem muitas opções, acaba contratando o inexperiente Dr. Richard (Rafael Pimenta) que compõe o quadro de funcionários com o auxiliar Oséias (Thiago Prade) e a secretária Pietra (Joana Kannenberg).

Após essa breve descrição, aparenta termos aqui uma história minimamente relevante, no que diz respeito à atividade de um legista, ao contexto da atividade em si do instituto e outras narrativas que poderiam compor a trama, ledo engano, pois a série não traz mais uma narração tão batida em um hospital, pelo menos como nos acostumamos a ver em Greys Anatomy ou Good Doctor, por exemplo, melhor, a série desconstrói isso tudo.

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Atores desconhecidos da grande mídia facilita em um dos recursos estilísticos da série. (Imagem: Reprodução/Netflix)

Necrópolis apresenta comédia de bordões, humor nonsense e até uma sátira, em pouca dose, por não haver tantas críticas em si, exceto pelo último episódio, que eu citarei mais para frente.

A série traz alguns títulos de episódios interessantes, como: “O retorno do chupacabra”, “Réquiem para Bartolomeu” e “A Bíblia é um livro completo”. No 3 episódio eles tratam a lenda do chupacabra, o que é interessante para a forma como a série conseguiu levantar um tema brasileiro em um humor nem tanto explorado no país, pelo menos não com a qualidade que vi em Necrópolis.

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Peterson é o personagem mais exagerado e excêntrico entre todos. (Imagem: Reprodução/Netflix)

Falando um pouco sobre a forma da série em si, que é a maior qualidade da narrativa, na minha opinião. O movimento de câmera é o ponto alto das cenas, com sua aproximação nos momentos mais bizarros de falas e gestos, seu distanciamento nas cenas de chegada de corpos, por exemplo, e a exclusividade, digamos, na cena em que Peterson e Pietra estão visualizando corpos que foram colocados no interior da parede do IML.

O gestual, a propósito, é bem interessante também, sobretudo do “chefão” Peterson, o personagem mais exagerado e excêntrico entre todos. Ele traz a técnica dos bordões à série, principalmente em momentos inapropriados. Inclusive, inapropriação é como poderíamos categorizar a história e os seus personagens, sempre levando-os ao ponto mais extremista da ridicularização.

O ridículo é, inclusive, uma técnica da série: eles pretendem lhe fazer sorrir evitando ter graça, e conseguem. Isso é facilitado, em certo ponto, por conta dos atores não serem conhecidos da grande maioria do público, então as formas exageradas das expressões e as piadas, repito, inapropriadas, traz o riso pela força de não ser de fato engraçado, cômico. Essa é a técnica mais recorrente, o humor nonsense, sem sentido, e é bem visível nas cenas e no desenrolar da história.

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Pietra, Elisa e Rita, da esquerda para direita. (Imagem: Reprodução/Netflix)

A inserção da personagem Elisa (Gabriela Poester) é fundamental, em razão de que acende ainda mais o bizarro à série, sendo ela a principal suspeita de ser o “chupacabra”, a qual segue sendo perseguida pela policial Rita (Kaya Rodrigues).

Para fechar esta análise preciso falar do último episódio “A Bíblia é um livro completo”, retoma aquela história do padre dos balões, que foi encontrado morto em 2008 próximo a Macaé/RJ após tentar bater um recorde americano e ganhar visibilidade a fim de angariar recursos para causas sociais. A série, antes disso, ainda chega a trazer à memória a vereadora Marielle Franco, com uma personagem semelhante fisicamente e no contexto inserido. Mas tudo não se passou de um incidente, visto que as gravações são anteriores ao fato do assassinato da política carioca.

Necrópolis aborda ainda alguns temas recorrentes na sociedade, que são tratados na maioria das vezes como tabus, que é o aborto e as drogas. Ainda traz um relacionamento homoafetivo, entre as personagens Rita e Pietra.

A série é interessante para públicos sem preconceitos e sem um olhar pragmático para a telinha. Trata-se de um humor, visivelmente, “diferente”, inusitado, mas engraçado, que prende a atenção e faz rir, à sua maneira (como dito), que é o essencial de uma boa comédia.

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Comentários
Cássio de Miranda

Cássio de Miranda

Editor da Recorte Lírico. Baiano, mas exilado no Sul do país. Escreve sobre livros, filmes e séries. Pai, professor e escritor, não necessariamente nessa ordem. E-mail.: cassiodemiranda91@gmail.com; cassiodemiranda@recortelirico.com.br;

5 comentários sobre “[Crítica] Necrópolis (série brasileira do Netflix)

  1. Um total desserviço a profissão de legista. O concurso mais procurado e difícil da carreira médica, onde recém formados nunca conseguem esta vaga. Não existe mais o nome IML e sim DML..

  2. Uma completa imbecilidade. Além de péssimos atores e um ambiente sujo e mal arrumado ainda cometem a desfaçatez de criticarem a Polícia (Episódio II) por não terem em oito meses apresentado os assassinos de Marielle, que nada tinha a ver com a série. Parei de assistir e mé recuso a continuar perdendo meu tempo com isso.

  3. Adorei como foi dito uma comédia! com tudo fazem piadas não vejo como falta de respeito e comédia, se fosse dos USA todos iriam adorar mais por ser brasileiro tem q Odia cara pra mim foi um dos melhores do meu ponto de vista.

  4. Muito Boa a série, engraçadíssimas com tiradas cômicas inteligentes. Chega ar lembrar a sutileza dos bons tempo da armação ilimitada .os atores mostram uma forma de interpretar muito própria.

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