Esconderijo

Esconderijo

O cara queria dar uma corridinha na pista do bairro depois que chegou do trabalho, às nove da noite, mas não queria levar nem a carteira nem o celular, porque andava tendo muito assalto por ali. Quando saiu de casa, só com as chaves na mão, pensou se não seria interessante correr sem ter de segurar coisas. Poderia esconder o chaveiro em algum lugar… mas onde?

Primeiro observou a rua para ter certeza de que ninguém estava olhando. Depois avaliou o ambiente para encontrar um bom esconderijo.

Cogitou a caixinha de correio, mas pensou e se alguém enfiar a mão ali?

Ponderou sobre colocar no buraco da calha, achava improvável que alguém fosse pensar que uma chave poderia ter sido escondida lá.

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Já estava agachado quando pensou se chover ela vai vazar pra fora. Olhou para o céu. Não parecia que iria chover, mas não fazia dois dias que ele mesmo postou no Facebook é melhor não dar sorte ao azar. Pensou nisso e procurou outro esconderijo.

Ponderou colocar em cima da marquise, no que lembrou que os vizinhos de casas de vários andares poderiam ver a chave.

Decidiu que colocaria em meio aos arbustos entre a calçada e a porta de sua casa. Eram espessos e folhosos, ninguém teria o que fuçar ali. Ficaria escondido e não seria arrastado se chovesse.

Correu, feliz da vida. Gosta de correr porque o ajuda a pensar nas coisas da vida e ter ideias para seus projetos gráficos.

Farrel Kautely

Farrel Kautely

Farrel Kautely, 1994, é de Belo Horizonte. Escritor e professor, atualmente reside em Mariana - MG, onde cursa Letras pela Universidade Federal de Ouro Preto. Possui várias obras publicadas, dentre elas "Minúscula Pulga" (romance), "Picas da Galáxia" e "Sushipeia" (crônicas) e "O mínimo que você precisa fazer para ser um completo idiota" (ensaios e pequenos artigos). E-mail: kauty.s@gmail.com

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