Um dos vôos da bruxa

Um dos vôos da bruxa

1. No canto X, de A Odisséia, Hermes para ajudar Ulisses a salvar seus vinte e três marinheiros transformados em porcos pelas artimanhas da feiticeira Circe termina por ensiná-lo sobre os poderes da planta môli. A orientação era colocá-la na poção envenenada da bruxa para torná-la ineficaz.

2. Muitos podem confundi-la com a datura. No Brasil, é conhecida como trombeteira. Na Idade Média, era utilizada nas poções e ungüentos das feiticeiras. Conta-se que o ungüento produzido pela planta era aplicado nas mucosas, inclusive na genitália e no ânus. A substância provocava alucinações, frequentemente a do voo na vassoura.

3. Rubem Alves, na Folha de São Paulo, escreveu a coluna Sobre Bruxas e Vassouras em que um detalhe precioso pode ser aproveitado por nós: “Assim, fazia-se a poção mágica mexendo a beberagem com uma vassourinha de pelos macios. A vassourinha de pelos macios era então usada para umedecer as mucosas das regiões entre as pernas, genitais. Assim, vinham-lhes deliciosas alucinações, e elas voavam, montadas na vassourinha…”

4. Os géis eróticos descendem diretamente dos ungüentos das feiticeiras. A revista feminina Marie Claire publicou um artigo chamado “A função do jambu no sexo”. Destacou acerca do uso a sensação de leves choquinhos quando aplicado nas mucosas. Geralmente, o jambu é componente culinário da região norte do país para o preparo dos pratos: tacacá e pato no tucupi.

5. “Quando elas desejavam realizar um feitiço, com um ungüento que o Diabo havia entregado a elas, e elas untavam uma vara de madeira que era tudo menos pequena, e suas palmas e suas mãos inteiras igualmente; e assim, colocavam uma vara pequena entre suas pernas, e diretamente voavam onde queriam ir, sobre boas cidades e florestas e águas, e o Diabo guiava-as ao lugar onde elas devem realizar suas assembléias.”

Fonte: https://www.espelhodecirce.org.br/amp/o-ung%C3%BCento-de-v%C3%B4o-das-br uxas

Mariel Reis

Mariel Reis

Mariel Reis é contista, poeta e ensaísta. Trabalha com Leitura Crítica de originais em prosa ou poesia. E-mail: marielreis.rj@gmail.com

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