[Vidas Negras Importam] “Sequer começaram a tirar a faca, quanto mais curar a ferida”

[Vidas Negras Importam] “Sequer começaram a tirar a faca, quanto mais curar a ferida”
SÃO PAULO, SP, 21.11.2020: PROTESTO-RACISMO-SP - Artistas pintam inscrição '#Vidas Pretas Importam' em frente ao Masp, na avenida Paulista (região central de SP), após a morte de um homem negro em Porto Alegre. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

Tal citação pertente ao ativista dos direitos humanos Malcom X, um americano histórico que tem suas lutas e gritos ecoando até os dias de hoje:

Há quem afirme que racismo não existe em nosso país. Alguns, preferem dizer que nós, brasileiros, importamos uma luta americana, que não é nossa por (falta de) direito. Há ainda os que preferem dizer que estamos passando por um momento de afirmação da vida humana, em detrimento do movimento “Vidas Negras Importam”. Outros, ainda mais baixos, dizem hoje ser daltônico, e que vê todos os humanos com uma única cor, quando já até afirmou, categoricamente, que seus filhos não casariam com negras, pois foram bem educados. Todo esse discurso é mais do que burro, é honestamente burro.

São poucos os que ainda desconhecem o caso do negro João Alberto Silveira Freitas, morto um dia antes do Dia da Consciência Negra, em uma unidade de supermercado do Carrefour, em Porto Alegre. Brutalmente morto, semelhantemente ao caso do outro negro americano, George Floyd, começaram uma onda de protesto em praticamente todas as capitais do país, tal como aconteceu no EUA.

Pronto! Começaram os bombardeios contra quem luta. Desde os discursos mais brandos, como o que a esquerda do país fomenta e manipula os protestos livres, até os mais bizarros, como o do deputado e filhinho do papai Bolsonaro, afirmando que agora temos motivos para protestar:

image 9 - [Vidas Negras Importam] "Sequer começaram a tirar a faca, quanto mais curar a ferida"

De pessoas pouco preparadas intelectualmente como o deputado, a gente já não espera mais nada, entretanto, da bolha intelectual, talvez pior ainda…. Alguns até se tocam e recolhem suas insignificâncias, mas outros ainda insistem em deslegitimar um protesto válido e urgente.

Falam de consciência humana, porém todos os dias são negros os que são mortos em Carrefour’s da vida. Querem subir de nível um discurso para uma amplitude inacessível, sobre discriminação. Há brancos escrevendo em suas redes sociais que foram discriminados por negros, em metro, nos EUA. Ah, faça-me o favor!

Como Malcom X bem disse, vocês sequer começaram a tirar a faca das nossas peles… Pior, os assassinos nem admitem que a faca sequer esteve em nossas peles. Não me venham falar de curar as nossas feridas. Não me venham falar de consciência humana. Não me venham falar que a vida de brancos e amarelos importam, isso nunca precisou estar em pauta, isso é o óbvio. Vocês querem nos empurrar o óbvio goela abaixo. As mãos de muitos neste país permanecem sujas e mesmo assim vocês nem admitem que nos machucam todos os dias, com olhares, tiros e estrangulamentos.

Caiam na real, ou melhor, apenas calem-se! Movimento brasileiro ou importado, é mais do que urgente dizer que Vidas Negras Importam (Black Lives Matter), todos os dias, até vocês pararem de nos matar.

Comentários
Cássio de Miranda

Cássio de Miranda

Editor da Recorte Lírico. Baiano, mas exilado no Sul do país. Escreve sobre livros, filmes e séries. Pai, professor e escritor, não necessariamente nessa ordem. E-mail.: cassiodemiranda91@gmail.com; cassiodemiranda@recortelirico.com.br;

Um comentário em “[Vidas Negras Importam] “Sequer começaram a tirar a faca, quanto mais curar a ferida”

  1. Sim, eu me calo, mas sinto que há manipulação da questão de raça. Calo-me para não perder amigos, eu que sou pardo e me tratam como se fosse branco, esbranquiçado, porque talvez não concorde com a apropriação política de uma questão do direito à Vida de qualquer ser humano, independente da cor.
    Abraço fraterno aos amigos de cor.
    Beto.

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