Recorte Lírico

Tirando a literatura dos corredores acadêmicos

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Chip da Besta

2 de janeiro de 2018

Categorias:Crônica Tags:, ,

Chip da Besta

Farrel estava sozinho em seu quarto, sentado em sua cadeira de rodinhas junto à sua mesa (onde estava seu computador, ligado). Olhava distraidamente seu feed de notícias no Facebook quando viu um compartilhamento de uma amiga, oriundo da página Fatos Desconhecidos. No post compartilhado, uma imagem de uma mão segurando, entre o indicador e o polegar, o que parecia ser um pequeno chip transparente de interior vermelho com formato de comprimido-capsula. Na imagem a seguinte informação: “Governo quer implantar o chip da besta na população.”, acompanhada da seguinte idiotice: “Eis que aproxima-se o apocalipse!!!”

Os olhos de Farrel quase puderam ver o cérebro, tamanha a imbecilidade. Depois de desvirá-los, começou a comentar:

“Minha querida, não é bem assim. O chip, na verdade, é um…”

Em meio à digitação, sentiu alguém cutucar-lhe o ombro esquerdo. Perplexo, virou a cadeira para ver quem invadira seu quarto e recebeu um tapa na cara.

— Para de comentar essas merdas no Facebook — disse o agressor.

Farrel, que fora obrigado a olhar para a esquerda, espantou-se com a voz de quem lhe falava. Ao virar a cabeça e confirmar a identidade de seu agressor, assombrou-se. Diante dele estava ele mesmo. Seu outro eu seria totalmente idêntico a ele, se não fosse a calvice ainda mais avançada.

— Mas que porra é essa?! — perguntou. Não pensou estar imaginando coisas, tinha total ciência de sua sanidade.

— Vim do futuro só pra te mandar parar de comentar as merdas que as pessoas postam no Facebook.

— Comento pra diminuir a ignorância do mun…

Outro tapa, dessa vez forçando-o a olhar para a direita. Antes que virasse, ele mesmo, a cabeça, o segundo Farrel segurou-a com as duas mãos, aproximou seu rosto até ficar a poucos centímetros de distância do rosto do primeiro e disse, olhando-o nos olhos:

— Vê se aprende de uma vez, caralho! As pessoas gostam de ser ignorantes. Não adianta você dizer a verdade pra ela, ela vai xingar você. Não adianta, maldito! A gente não…

O segundo Farrel interrompeu sua fala ao sentir uma mão cutucar-lhe o ombro direito. Virou-se para ver quem invadira o quarto, preocupado em ser visto por outra pessoa senão ele mesmo e viu ele mesmo, praticamente idêntico a ele e ao primeiro, porém totalmente careca agora.

— Mas o q…

Não terminou de falar. O terceiro Farrel deu-lhe um murro no rosto, jogando-o ao chão.

— PARA DE COMENTAR AS MERDAS QUE AS PESSOAS POSTAM NO FACEBOOK, PORRA!

 

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