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‘A Imensidão Íntima dos Carneiros’, de Marcelo Maluf

14 de agosto de 2018

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'A Imensidão Íntima dos Carneiros' apresenta vai além do medo das lembranças

Recebi um livro do Sabiá Livreiro, uma empresa que, além de ser nossa parceira, trabalha com uma atividade incrível de divulgação da literatura contemporânea do nosso país. Você assina e recebe, todo mês, um título diferente de algum autor novo… É muito recomendável para quem se interessa em ter novas experiências literárias e você pode ser um assinante neste link. Bom, recebi o livro ‘A Imensidão Íntima dos Carneiros’ (Reformatório, 2015), do autor – brasileiro – Marcelo Maluf. Não o conhecia, entretanto isso não foi nenhum empecilho para a leitura, pelo contrário, motivou-me ainda mais para engolir essa experiência.

Encantei-me de cara com a possibilidade do título do livro, pois, invariavelmente, você sente qualquer coisa de “estranho” ao lê-lo. Esse estranhamento é sempre provocante no leitor, e comigo não foi diferente. Terminei por ler o livro em um curto espaço de tempo,mas não que ele tenha muitas páginas (150  p.), mas simplesmente pelo estranhamento, essa é uma palavra significante para o leitor de Maluf e se confirma, de certa forma, na história.

O romance, basicamente, conta a história do personagem Marcelo, que, logo após a morte do seu pai (Michel), sonha com ele e o seu avô, Assaad Simão Maluf, ao qual não chegou a conhecer, mas sente necessidade de aproximar-se, com a história, que também lhe pertence, de certa forma. Marcelo se vê em Santa Bárbara DO’este, interior de São Paulo, onde o avô, após uma grande tragédia no Líbano (diga-se, a família toda tem origem libanesa), refugiou-se no Brasil, onde a família acabou fincando raízes.

O neto de Assaad se vê na sala de estar do avô, aqui no Brasil, numa viagem no tempo, e encontra-o em sua janela, compondo, num caderninho, suas recordações mais antigas, entretanto, viva em seu âmago. Essa viagem é retratada com muita melancolia, simbolismo, intimismo e uma pitada, significativa, de medo.

É sobre o medo, que começa a tratar o narrador e discorre sobre o tema na quase totalidade da narrativa. Já que comecei a falar sobre o enredo, ele é bem articulado, com alguns pontos altos (esperava um pouco mais), mas chega num momento de catarse recompensador. A história é verossimilhante, mesmo que a família tenha origem estrangeira, os conflitos familiares e os medos internos são inerentes a qualquer indivíduo.

Bom, sobre a escrita, tem o que o livro pede: simplicidade na linguagem, intimidade com o leitor e um aspecto interessantíssimo narrativo, uma espécie de hibridismo: ora a história é narrada pelo Marcelo, descrevendo os fatos num campo de observação do seu avô, ora o próprio avô, Assaad, conta suas próprias lembranças com uma carga emocional muito latente e uma sensibilidade ímpar, sobretudo na atual conjuntura do mundo, que vive uma questão imigratória mal resolvida, principalmente nas relações internacionais.

O livro vale, ponto. E pode cair no gosto de públicos distintos, pois tem pontos interessantíssimos, tanto na forma, quanto no conteúdo. Não à toa foi finalista do Prêmio APCA, em 2015.

 

 

'A Imensidão Íntima dos Carneiros' apresenta vai além do medo das lembranças 1
A Imensidão Íntima dos Carneiros (2015)
Marcelo Maluf
Editora: Reformatório
Nota: 8/10