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Eneacampeão: O título dos torcedores alviverdes

Era 19 de dezembro de 1993, como bom baiano que sou, estava na frente da TV assistindo o clube que, mais tarde, ou talvez naquele

Era 19 de dezembro de 1993, como bom baiano que sou, estava na frente da TV assistindo o clube que, mais tarde, ou talvez naquele exato momento, tornava-se o amor da minha vida… assistindo o Palmeiras! Era impensável acreditar que uma criança,com pouco menos de três anos, poderia transcender toda a pressão da torcida rival, sim, na sala, a minha família, apesar de torcer para o Bahia, vibrava a favor do Vitória – o que hoje me espanta – mas a justificativa da época era que o título seria do estado, entretanto com todos os empecilhos, o destino traçou-me uma missão na vida: Eu deveria ser palmeirense! O Edmundo, que naquela final marcou, na minha cabeça infantil, era o meu pai, e eu vibrava e gritava “vai papai” a cada toque na bola que o craque dava, como se a ausência do meu pai, naquele momento, fosse substituída pelos dribles produzidos no gramado do Morumbi. Tudo foi lindo, e verde. O título veio, a seca da conquista nacional também, assim como meses antes no Paulistão. Agora, o que viria realmente para ficar,era o amor incondicional pelo Palmeiras. Éramos campeões!

Foto: Reprodução/Sociedade Esportiva Palmeiras. 

Vinte e três anos se passaram, sem essa mesma conquista há 22, mas a saga dos títulos produzindo torcedores não mudou. Na efervescência da luta e da consagração alviverde, vejo o filho daquele menino, sim, porque ele cresceu e mudou, menos o amor pelo time do coração, e esse amor foi passado para o seu filho, assim como os torcedores sonham na música da arquibancada. Em um campeonato aonde a torcida lotou, cobrou, gritou, e agora, comemorou, pude fazer nascer mais um palmeirense, ou melhor, o destino quis que o eneacampeonato proporcionasse não só a consagração de um negro como o Jaílson, a despedida do Jesus, os passes do Moisés e as firulas do Dudu; o eneacampeonato proporcionou, e ainda proporcionará, o nascimento de milhões de palmeirenses Brasil afora. O Enea “veio aí”, e ele é da torcida!

Foto: Acervo pessoal. 

Por Cássio Miranda, editor do blog Recorte Lírico.
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