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‘Leitor sensível’ tem como missão barrar ofensas às minorias

Navegando nos grupos de literatura no facebook deparei-me com uma imagem que me causou certa curiosidade, e até estranheza, admito. A imagem ao lado, fotografada

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Navegando nos grupos de literatura no facebook deparei-me com uma imagem que me causou certa curiosidade, e até estranheza, admito.

(Foto: Autor desconhecido/Internet)

A imagem ao lado, fotografada provavelmente por um autor do grupo, mostra uma matéria da “Folha de S. Paulo”, da editoria de treinamento, revelando uma nova profissão adotada pelo mercado editorial, a do “leitor sensível”. Precisei procurar a matéria completa do jornal (você pode acessa-la clicando aqui) para tentar entender do que, de fato, tratava-se o cargo nunca antes visto, pelo menos não no Brasil.

Pois bem, a função do leitor sensível é exatamente a de manusear os livros dos autores que a editora irá publicar, ainda no manuscrito, para identificar potenciais pressões e boicotes ao livro, quando publicado, e, lógico, pelas minorias sociais. Os profissionais do novo ramo são, obviamente, pessoas que qualificam-se por serem desses mesmos grupos, e muitos deles não têm nem formação literária, como a própria matéria afirma: “pouco importa, o principal é a experiência pessoal”.

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Eu fiquei intrigado. E como diz o rap: “Só pode falar de sofrimento quem sofre”. Pois bem, eu resolvi falar, e antes de tecer qualquer comentário é importante salientar: sou negro, logo, também pertenço aos populares “grupos de minorias”.

Minha opinião é, de fato, única, e não tenho quaisquer intenções de criar polêmicas com ela. Mas, a arte deve submeter-se a esse tipo de censura? É exatamente para esse caminho que queríamos percorrer na história da literatura? Fico pensando em autores como Nelson Rodrigues, escrevendo nos dias atuais, e tendo um “leitor sensível”, que barraria suas personagens brilhantes, que tanto importaram (e importam) ao teatro brasileiro. Vendo este atual cenário, fico pensando nas personagens do Monteiro Lobato… do Aluísio Azevedo.

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Como editor, penso que essa censura representa um atraso catastrófico para a literatura mundial. Pelos motivos óbvios. Não é essa a forma ideal de desmistificar concepções e nem de despolarizar a sociedade. Isso para mim está muito claro, os donos dos pré-conceitos sobre as minorias, seja de raça, gênero, sexualidade, etc, não têm nenhum tipo de familiaridade com a cultura, com a literatura, que é rica  em ensinar. Eles são ignorantes! E isso é gritante. Como autor, julgo a censura insultuosa. E você, caro leitor, o que acha?

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