Profundo no deserto

Alma errante.

Encontrei miragens no deserto.

Fui errado, fui certo.

Desisti, sumi.

Joguei-me para fora do jogo.

Busco as cartas para voltar à superfície, a despeito da melancolia de ter de tomar a água inexistente nessas terras para sobreviver.

Li num papiro as rotas dos antigos desbravadores.

Quantos perderam-se nestas areias.

Eu, até já enterrei-me nestas dunas.

Não participei da distribuição dos camelos.

Não recebi sapatos.

Sim, o que importa é que sou profundo,

Apesar de não viver a esperança da terra promissora de água e descanso.

Sou profundo.

Serei água!

 

 

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Redação Recorte Lírico

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