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O primeiro cavaleiro do apocalipse

O último livro do cânone bíblico cristão é conhecido, nos países de línguas latinas, como “O Livro do Apocalipse”, em inglês e noutras línguas tende

O último livro do cânone bíblico cristão é conhecido, nos países de línguas latinas, como “O Livro do Apocalipse”, em inglês e noutras línguas tende a tomar outros títulos Livro da Revelação (Book of Revelation), Livro das Revelações (Book of Revelations), Revelação de João (Revelation to John), etc.

A palavra “apocalipse”, no seu uso prático, tomou o sentido de catástrofe, acidentes destruidores e finais, mas, o seu sentido original é simplesmente o de “revelação” ou, numa linguagem quase heideggeriana, “desvelação”, algum véu que é retirado e que permite “ver através de”. O livro abre justamente com a palavra “apokalypsis”.

O “livro” (sentido técnico) contém três géneros literários: epistolar, profético e apocalíptico. Retratam as visões de João na ilha de Patmos, tema demasiado vasto e profundo com veios históricos e doutrinários e, por isso, salto diretamente para o início do capítulo 6 onde João vê uns pergaminhos na mão direita de Deus selados com sete selos e o Cordeiro de Deus abre o primeiro selo e daí saem os quatro cavaleiros do apocalipse.

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      Sai um primeiro cavalo, o branco…

As interpretações sobre a simbologia do primeiro cavalo branco são diversas, desde ser um símbolo de “conquista” até à luta do “Cristo e Anti-Cristo”, mas, apesar da palavra original ser “thanato”, que, prima facie, significaria simplesmente “morte”, a palavra já tinha o sentido de doença, praga, infeção, doença infeciosa e mortal em que as setas atiradas não são mais que um contágio coletivo e mortal.

As doenças mortais e contagiosas muitas vezes mudaram o curso da história, alteraram o futuro de forma irreparável e não são apenas uma memória do passado.

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O primeiro cavaleiro do apocalipse
Lutheran Reformation Albrecht Dürer’s “Knight, Death, and the Devil

Uma das imagens muitas vezes associada ao primeiro cavaleiro do apocalipse é a gravura de Albrecht Dürer “Cavaleiro, Morte e o Diabo” (Ritter, Tod und Teufel). Imagem que vai ser iconicamente utilizada pelo nazismo. O fascismo é outra forma de doença contagiosa e mortal: o arianismo puro que vinha exterminar o vírus do judaísmo, do comunismo, da homossexualidade e outras impurezas.

Neste breve postal deixo agora apenas uma sugestão de leitura.

O primeiro cavaleiro do apocalipse 1

A primeira é o livro de John Case “The first horseman” (O primeiro cavaleiro do apocalipse), um livro a muitos títulos perturbador e totalmente profético. O tema do livro é o bio-terrorismo, centrando-se a ação no aparecimento de um vírus na China e Coreia gerando uma crise mundial. As descrições do isolamento das cidades, das limpezas de desinfeção, do fecho dos aeroportos, etc., são descrições detalhadas das imagens do mundo atual.

Para os grandes apreciadores do género “vírus thriller”, recomendo o livro de Richard Preston “The hot zone”, um livro dramático e real sobre o ébola.

Quando o mundo parecia ao abrigo, devido à evolução dos conhecimentos, de todo o tipo de calamidades e epidemias…


Leia também: O vírus SARS-CoV-2 e a retomada do Apocalipse Zumbi

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ADALBERTO QUEIROZ
6 anos atrás

Incrível, Frank, a minha coluna que deve sair amanhã trata exatamente do tema do Apocalipse e as expressões ao longo da história sob “contágio coletivo e mortal”.
Abraços do |Beto.

Cássio de Miranda
Responder para  ADALBERTO QUEIROZ
6 anos atrás

Grande Frank!

Texto maravilhoso, e essa correlação com o do Beto é espetacular.
Vida longa!

Frank Wan
Frank Wan
Responder para  Cássio de Miranda
5 anos atrás

Como diria o nosso super Tim Maia “Até parece que foi combinado esse nosso encontro casual”.
Les grands esprits se rencontrent!

Obrigado por tudo, irmão Cássio Miranda

Frank Wan
Frank Wan
Responder para  ADALBERTO QUEIROZ
5 anos atrás

Grande texto o seu, Adalberto. Obrigado.
Abraço

trackback
5 anos atrás

[…] mirando suas penas (melhor dizendo teclados) para o quadro apocalíptico – ver artigos de Frank Wan e Adalberto de Queiroz – seja também a hora de reafirmarmos nossa missão e […]

Bruno Lerman
Bruno Lerman
4 anos atrás

Arrã. Que droga vocês e o autor estão tomando?

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