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Dark Horse – O filme de Bolsonaro que virou escândalo criminal

Dark Horse, cinebiografia de Bolsonaro com Jim Caviezel, envolve R$ 134 mi e escândalo com Banco Master. Entenda por que a polêmica vai além do

Dark Horse é o filme cinebiográfico sobre Jair Bolsonaro que virou escândalo antes mesmo de estrear, depois que o site Intercept Brasil revelou conversas do senador Flávio Bolsonaro cobrando ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, repasses de um total de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) para financiar a produção. A estreia está marcada para 11 de setembro de 2026, poucos meses antes das eleições brasileiras, o que já coloca o projeto no centro de um debate que vai muito além do cinema.

Para quem ainda não acompanhou o caso: Dark Horse é uma expressão em inglês que significa “azarão” ou “caixinha de surpresas”, e a escolha não é por acaso. O filme pretende retratar Bolsonaro como um improvável vencedor, focando na sua ascensão da carreira militar até a presidência, com destaque para a facada que ele sofreu em Juiz de Fora (MG) durante a campanha de 2018. O roteiro original veio do deputado federal Mário Frias, ex-secretário da Cultura, baseado em seu texto “Capitão do Povo”.

O escândalo por trás do financiamento de Dark Horse

O que transforma Dark Horse de simples projeto polêmico em escândalo de proporções maiores é a origem do dinheiro. Segundo o Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro atuou como intermediário direto na captação de recursos junto ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, instituição envolvida no que muitos especialistas já chamam de um dos maiores escândalos bancários da história do país. O Banco Master transferiu ao menos R$ 61 milhões para ajudar a bancar a produção.

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A estrutura financeira do projeto é, no mínimo, incomum para os padrões do cinema brasileiro. A produção montou um fundo sediado no Texas, nos EUA, para captar investimentos privados, prometendo retorno com lucros de bilheteria e, segundo relatos, até facilitando vistos de imigração (o famoso Green Card americano) para os maiores investidores do projeto. É o tipo de estratégia que levanta sobrancelhas tanto no setor financeiro quanto no jurídico.

Na produção executiva, o filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, assinou contrato com a GoUp Entertainment assumindo controle sobre orçamento, gestão financeira e captação de recursos internacionais. Mário Frias, além de criar a história, é roteirista, produtor-executivo e ainda faz uma ponta no filme como um dos médicos que atendem Bolsonaro. A produtora responsável é a GoUp Entertainment, comandada pela empresária brasileira Karina Ferreira da Gama, com sede nos Estados Unidos.

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Dark Horse filme Bolsonaro
Dark Horse | Fonte: flixlandia.com.br

Jim Caviezel: quem é o ator que vive Bolsonaro no filme

A escolha de Jim Caviezel para o papel principal diz muito sobre o público que Dark Horse quer atingir. Caviezel ficou mundialmente conhecido por interpretar Jesus Cristo em A Paixão de Cristo (2004), de Mel Gibson, um dos maiores fenômenos do cinema cristão conservador de todos os tempos. Mais recentemente, protagonizou O Som da Liberdade (2023), filme independente sobre tráfico infantil que se tornou um sucesso entre públicos religiosos e conservadores nos Estados Unidos, embora também tenha sido criticado por associações com teorias conspiratórias do movimento QAnon.

Fora das telas, Caviezel é católico praticante e apoiador declarado de Donald Trump, participando de eventos de grupos conservadores americanos e já se envolvendo em polêmicas por declarações antivacina. Segundo o deputado Mário Frias, o ator topou interpretar Bolsonaro sem sequer negociar o valor do cachê, o que, convenhamos, já diz bastante sobre a motivação por trás da participação. Para o papel, ele passou cerca de três meses no Brasil e aparece usando a faixa presidencial e reencenando momentos como a facada de 2018.

Elenco completo e onde o filme foi gravado

Toda a produção de Dark Horse foi gravada em inglês, pensada desde o início para o mercado internacional. O elenco mistura atores americanos, brasileiros e mexicanos. Camille Guaty vive Michelle Bolsonaro. O mexicano Marcus Ornellas interpreta o senador Flávio Bolsonaro. O brasileiro Sérgio Barreto faz Carlos Bolsonaro, vereador do Rio. E o norte-americano Eddy Finlay vive Eduardo Bolsonaro.

As filmagens aconteceram em São Paulo, com locações no Memorial da América Latina, além de passagens pelo México. A finalização está sendo feita em Hollywood. O diretor é o irano-americano Cyrus Nowrasteh, que descreve o projeto como um “thriller político contemporâneo”. Há rumores de que o roteiro inclua cenas de ação na Amazônia envolvendo indígenas, xamãs e cartéis de drogas, o que, dependendo do tratamento dado, pode transformar um filme já controverso em algo ainda mais divisivo.

Para ter uma ideia de escala: blockbusters hollywoodianos chegam a custar US$ 490 milhões, como foi o caso de Star Wars: A Ascensão Skywalker (2019). O orçamento de Dark Horse é muito menor, mas para o padrão do cinema brasileiro, US$ 24 milhões é um investimento significativo, o que torna ainda mais relevante a pergunta sobre a origem e a legalidade desse dinheiro. Se quiser comparar com outros projetos que misturam entretenimento e política, vale conferir a análise sobre Personas, série da Netflix baseada em história real, que também navega por esse território delicado.

Vale a pena assistir Dark Horse?

Dark Horse ainda não estreou, então qualquer julgamento sobre a qualidade cinematográfica do filme seria precipitado. O que já dá para dizer com segurança é que ele não pretende ser um retrato neutro: foi concebido, financiado e produzido por pessoas diretamente ligadas ao círculo político de Bolsonaro, com um ator protagonista que compartilha convicções ideológicas com o personagem que vai interpretar. Segundo o Intercept Brasil, o esquema de financiamento envolvendo o Banco Master adiciona uma camada de investigação criminal ao redor do projeto que pode complicar muito a sua trajetória antes mesmo da estreia.

Se você é do tipo que gosta de entretenimento misturado com política real, Dark Horse vai te interessar, independente do lado em que você está. Se espera um filme equilibrado e isento, as circunstâncias de produção sugerem que provavelmente vai se decepcionar. O 11 de setembro de 2026 está marcado no calendário. Até lá, a polêmica não vai parar de crescer.

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