Vale a pena, sim. Até 23 de agosto de 2026, com 4 dos 8 episódios no ar, a Reacher 4 temporada é a mais sombria e violenta da série: 94% da crítica no Rotten Tomatoes, Alan Ritchson apanhando como nunca e a primeira vilã que entra na cabeça dele. O final só estreia em 16 de setembro.
Aviso de spoiler: este texto comenta os episódios 1 a 4, incluindo a revelação do episódio 4. Nada aqui antecipa o desfecho da temporada, que ainda não foi exibido.
Onde a temporada está neste momento
A 4ª temporada estreou em 12 de agosto de 2026 no Prime Video com três episódios de uma vez e segue em ritmo semanal até somar oito. Até hoje, 23 de agosto de 2026, foram exibidos “City of Brotherly Love”, o episódio de estreia, “Cage Fight”, “One Small Step” e “Karambits and Pieces”. O quinto, “Bridge”, sai em 26 de agosto. Este review cobre metade da temporada, e qualquer julgamento definitivo depende de um desfecho que ainda não existe.
Do que se trata: um metrô, um pen drive e a Indonésia
A temporada adapta “Gone Tomorrow” (2009), de Lee Child, publicado no Brasil como “O Inimigo Invisível”, e troca a Nova York do livro pela Filadélfia. Às 2h18 da madrugada, Reacher desce ao metrô e repara numa mulher sozinha, chorando, com as mãos dentro da bolsa. Ele roda a velha lista de checagem de comportamento suspeito e conclui que pode ser uma homem-bomba. Convence a mulher a mostrar as mãos e ela tira da bolsa uma pistola, que vira contra si mesma. Anna Merrick morre ali, antes que ele saiba quem ela é.
O resto é a construção do argumento de que aquilo não foi um suicídio comum. Anna era funcionária federal com credencial de Nível 8, e o que ela escondia está num pen drive desaparecido, caçado ao mesmo tempo por FBI, CIA, mercenários sem crachá apelidados pelos fãs de “Big Red” e o entorno do congressista John Sampson. No episódio 4, Sampson conta num speakeasy que no fim dos anos 1990 serviu na Delta Force treinando as forças do general indonésio Reza Putra, e jura que as atrocidades só vieram depois que os supervisores americanos foram embora. É esse material que está no drive.
O episódio 4, “Karambits and Pieces”, é a virada: Lila e Amisha Hoth, apresentadas como filha doente e mãe, sacam karambits quando pistoleiros invadem o hotel delas. A mesma faca curva indonésia aparece no assassinato de Ben, filho de Anna. A leitura é que as duas mataram o rapaz para forçar a mãe a roubar o pen drive. O episódio termina com Reacher num quarto cheio de cadáveres e a polícia chegando na hora errada. A sinopse oficial do episódio 5 confirma: por um mal-entendido, ele vira o homem mais procurado da Filadélfia.
Quem está no elenco da 4ª temporada
Alan Ritchson volta como Jack Reacher, ao lado de Sydelle Noel (detetive Tamara Green), Agnez Mo (Lila Hoth), Anggun (Amisha Hoth), Christopher Rodriguez-Marquette (Jacob Merrick) e Kevin Corrigan (detetive Shaun Docherty). Marc Blucas faz o congressista Sampson, Kathleen Robertson faz Elspeth Sampson e Kevin Weisman faz Russell Plum, jornalista freelancer criado para a série.
Agnez Mo e Anggun são estrelas da música indonésia, escalação que acompanha a mudança do pano de fundo geopolítico. Jacob Merrick era originalmente de Jay Baruchel, que saiu do projeto duas semanas após o anúncio por motivo pessoal; Rodriguez-Marquette assumiu com a produção andando, e houve refilmagem em agosto de 2025. É ele quem carrega o luto da temporada.
Neagley aparece? Por que Maria Sten está fora
Maria Sten não consta em nenhuma lista de elenco da 4ª temporada e não apareceu nos episódios 1 a 4. O motivo é simples: ela estava rodando “Neagley”, o spin-off que estreia em 16 de setembro de 2026, mesmo dia do final da temporada, com Ritchson fazendo ponta. Não há confirmação nem desmentido oficial sobre uma aparição dela nos episódios 5 a 8: alguns sites especulam com uma ponta no fim, mas é só especulação. A Collider registrou que a ausência faz falta, e eu concordo.
Está melhor ou pior que as temporadas anteriores?
Nos números, a 4ª temporada tem 94% da crítica no Rotten Tomatoes com 33 resenhas até 23 de agosto de 2026, e 82% do público com mais de 250 avaliações. No comparativo do ScreenRant, a 1ª fez 92% de crítica e 91% de público, a 2ª fez 98% e 74%, e a 3ª temporada fez 98% e 77%. Ou seja: é a menor nota da crítica na história da série e a segunda melhor do público. No Metacritic, o Metascore é 77/100 com 11 críticas, mas a nota de usuário está em 5,5/10 com apenas 27 avaliações. Não consegui confirmar a média da 4ª temporada no IMDb e prefiro não publicar número que não checei.
O dissenso entre críticos é real. A Collider deu 9/10, chamou de a temporada mais sombria e furiosa da série e destacou uma perseguição de cerca de dez minutos na Filadélfia. O SlashFilm deu 7/10 e disse que a 3ª segue sendo o ponto mais alto. Já o The Playlist classificou como a menos satisfatória até agora. A brasileira Flixlandia elogiou coreografias mais longas e fluidas, em linha com John Wick, mas apontou exposição didática demais e um Reacher que fala demais.
Minha leitura, com metade da temporada na mesa: é mais porrada e menos tiroteio, mais luto e menos piada. A aposta está na vilã que manipula em vez de intimidar. Agnez Mo descreveu Lila como uma ameaça emocional, alguém que sabe bancar a mocinha vulnerável e fazer Reacher sentir que só ela o entende. É a primeira vez que a série tenta isso. Quem achou que a 2ª temporada deixou a desejar encontra aqui o oposto do problema: sobra densidade, falta leveza.
O que a série mudou do livro
Bastante. Susan Mark virou Anna Merrick, Peter Molina virou Ben Merrick, Theresa Lee virou Tamara Green e o congressista John Sansom virou John Sampson. No romance, o segredo envolve o Afeganistão e o medo pós-11 de setembro; na série, virou a Indonésia e o general Putra. A Filadélfia é usada com carinho, da estátua de William Penn ao cheesesteak “whiz wit”, e foi recriada em estúdio em Toronto.
Veredito parcial e calendário
Com quatro episódios, a temporada entrega o que promete e mais peso emocional do que a série costuma ter. Ela liderou o ranking de streaming na semana de 10 a 16 de agosto de 2026, tirando House of the Dragon do topo. Se o desfecho vai amarrar tudo, ninguém sabe ainda:
- Episódio 5, “Bridge”: 26 de agosto de 2026
- Episódio 6, “Plum Out of Luck”: 2 de setembro de 2026
- Episódio 7, “Vote for Sampson”: 9 de setembro de 2026
- Episódio 8, “Cut”, o final: 16 de setembro de 2026
No mesmo 16 de setembro estreia o spin-off “Neagley”. A 5ª temporada já está aprovada e vai adaptar “Make Me”, prevista para 2027.
Perguntas Frequentes
A Neagley aparece na 4ª temporada de Reacher?
Não nos episódios 1 a 4, exibidos até 23 de agosto de 2026. Maria Sten não está creditada na 4ª temporada porque estava rodando o spin-off “Neagley”, que estreia em 16 de setembro de 2026. A personagem também não existe no livro “Gone Tomorrow”. Não há confirmação oficial sobre uma aparição dela nos episódios 5 a 8.
Quem matou Ben, o filho de Anna Merrick?
O episódio 4 mostra que Ben foi morto com um karambit, a faca curva indonésia, e revela que Lila e Amisha Hoth carregam essas armas. A leitura da série é que as duas sequestraram, torturaram e mataram o rapaz para forçar Anna a roubar o pen drive, mas a confissão explícita ainda não foi ao ar.
Quantos episódios tem e quando sai o final?
São 8 episódios. Os três primeiros saíram juntos em 12 de agosto de 2026 e os demais são semanais: “Karambits and Pieces” em 19 de agosto, “Bridge” em 26 de agosto, “Plum Out of Luck” em 2 de setembro, “Vote for Sampson” em 9 de setembro e “Cut”, o final da temporada, em 16 de setembro de 2026.
A 4ª temporada é melhor ou pior que a 3ª?
Pela crítica, é um degrau abaixo: 94% no Rotten Tomatoes contra 98% da 3ª temporada. Pelo público, é melhor, com 82% contra 77%. Na prática, a 4ª é mais brutal, mais sombria e mais focada em luta corpo a corpo do que em tiroteio. O julgamento final depende do desfecho, que só vai ao ar em setembro.
Precisa ler “O Inimigo Invisível” antes de assistir?
Não. A série muda nomes, cenário e o pano de fundo geopolítico: sai a Nova York e o Afeganistão do romance, entram a Filadélfia e uma operação da Delta Force na Indonésia nos anos 1990. Quem leu o livro reconhece a estrutura, mas encontra desvios suficientes para não saber de antemão como a temporada termina.

























