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Mulheres de Azul: a 2ª temporada troca o serial killer pelo massacre de 1968

A segunda temporada de Mulheres de Azul — Las Azules, no original — estreou no Apple TV+ em 12 de agosto de 2026, com oito

Bárbara Mori e as protagonistas da 2ª temporada de Mulheres de Azul, do Apple TV+

A segunda temporada de Mulheres de AzulLas Azules, no original — estreou no Apple TV+ em 12 de agosto de 2026, com oito episódios semanais e final marcado para 30 de setembro. É o retorno de uma das séries mais bem avaliadas do catálogo: a primeira temporada mantém 100% de aprovação no Rotten Tomatoes.

E a novidade é grande. Depois de uma primeira temporada construída em torno de um assassino em série, a série faz um movimento que muda o gênero dela por completo: mergulha num dos episódios mais sangrentos da história recente do México.

María é promovida — e a promoção é a armadilha

Bárbara Mori volta como María, agora tenente. É uma promoção que parece vitória e funciona como cerca: quanto mais alto ela sobe na hierarquia da polícia, mais a instituição espera dela obediência às regras que ela jurou defender.

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O conflito da temporada nasce aí. Quando o corpo de um ativista estudantil aparece, as Azuis são puxadas para uma investigação que leva de volta ao massacre estudantil de 1968. María fica dividida entre o regulamento e a verdade — e a série é honesta o suficiente para mostrar que, naquele contexto, os dois não são compatíveis.

Bárbara Mori e as protagonistas da 2ª temporada de Mulheres de Azul, do Apple TV+
A segunda temporada de Mulheres de Azul (Las Azules) estreou no Apple TV+ em 12 de agosto de 2026. Imagem: Divulgação / Apple TV+.

O que foi o massacre de 1968, para quem não conhece

Vale o contexto, porque muita gente vai assistir sem saber. Em 2 de outubro de 1968, dez dias antes da abertura dos Jogos Olímpicos da Cidade do México, forças do governo abriram fogo contra estudantes reunidos na Praça das Três Culturas, no bairro de Tlatelolco.

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O número de mortos nunca foi estabelecido com precisão — o governo da época falou em poucas dezenas, testemunhas e pesquisadores falam em centenas, e o episódio passou décadas cercado de documentos fechados e versões oficiais desmentidas. É uma ferida aberta na memória mexicana, e é sobre esse terreno que a segunda temporada decide caminhar.

Por que essa escolha muda a série de patamar

De caçada a assassino para acerto de contas com o Estado

Serial killer é um vilão confortável. Ele é um indivíduo, ele é desviante, e prendê-lo restaura a ordem. Toda série policial pode usá-lo sem incomodar ninguém.

Já um massacre cometido por forças do governo não tem essa saída. Não existe prisão que restaure a ordem, porque a própria ordem é o problema — e as protagonistas trabalham dentro da instituição que está sendo investigada. É a diferença entre uma trama de suspense e uma tragédia.

O detalhe que faz tudo funcionar: elas são as primeiras

A premissa da série já era boa: as Azuis são o primeiro corpo feminino de polícia do México, criado em 1971 — e criado, no fundo, como peça de propaganda para melhorar a imagem de uma corporação desgastada. Elas foram contratadas para posar bem na foto.

Colocar essas mulheres para investigar justamente o crime que sujou a imagem que elas foram convocadas a limpar é a ideia mais afiada que essa série já teve. Elas são, ao mesmo tempo, o disfarce e a testemunha.

O elenco e o peso que o Apple TV+ colocou na mesa

O quarteto central se mantém: além de Bárbara Mori, voltam Ximena Sariñana (de A Casa das Flores), Natalia Téllez e Amorita Rasgado. É uma escolha de elenco que mistura estrelas de novela mexicana com nomes vindos da música e da TV aberta, e essa mistura dá à série uma textura muito específica — ela parece de lá, não parece produto internacional filmado em espanhol.

Em volta delas, a produção reforçou o time com Miguel Rodarte, o argentino Leonardo Sbaraglia, Christian Tappan, Horacio García Rojas e Bruno Bichir. A criação é de Fernando Rovzar, de Monarca, e Pablo Aramendi, de Tijuana — dois nomes que já vinham construindo o drama criminal mexicano de prestígio no streaming.

Vale notar o que isso significa para o catálogo: Las Azules é uma das principais apostas do Apple TV+ em produção falada em espanhol, e os 100% no Rotten Tomatoes da primeira temporada não vieram de um nicho complacente — vieram de crítica internacional avaliando um drama de época em língua estrangeira. Para quem reclama que o streaming só produz conteúdo genérico e traduzível, essa série é o contra-argumento.

Vale a pena?

Vale, e recomendo começar do zero se você ainda não viu — a primeira temporada não é dever de casa, é boa por conta própria, misturando thriller e comédia enquanto expõe as barreiras de gênero da época. Nós já tínhamos listado as razões para assistir quando ela estreou, e elas continuam de pé.

A segunda é mais dura e mais ambiciosa. Trocar um assassino em série por um crime de Estado é o tipo de aposta que pode render a melhor temporada da série ou afundá-la sob o peso do assunto. Pelos primeiros episódios, a impressão é que a série sabe muito bem o que está carregando.

Perguntas frequentes

Quando estreia a 2ª temporada de Mulheres de Azul?

Estreou em 12 de agosto de 2026 no Apple TV+, com episódios semanais. O último episódio chega em 30 de setembro de 2026.

Quantos episódios tem a 2ª temporada?

Oito episódios, lançados semanalmente.

Precisa ver a primeira temporada antes?

É recomendável. A relação entre as quatro protagonistas e a posição delas dentro da corporação vêm da primeira temporada, e a segunda parte desse acúmulo.

Mulheres de Azul é baseada em fatos reais?

Parcialmente. O primeiro corpo feminino de polícia do México existiu de fato, criado em 1971, e o massacre estudantil de 1968 é um acontecimento histórico real. As personagens e a investigação, porém, são ficção.

Ficha técnica

  • Série: Mulheres de Azul (Las Azules)
  • Temporada: 2ª — 8 episódios
  • Estreia: 12 de agosto de 2026 · Final: 30 de setembro de 2026
  • Criação: Fernando Rovzar e Pablo Aramendi
  • Elenco: Bárbara Mori, Ximena Sariñana, Natalia Téllez, Amorita Rasgado, Miguel Rodarte, Leonardo Sbaraglia, Bruno Bichir
  • Onde assistir: Apple TV+
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