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Ilustres desconhecidos da poesia brasileira: Colombo de Sousa

Colombo de Sousa – brilhante poeta paranaense – nasceu em 12 de outubro de 1920, no município de Colombo. Filho de professores, frequentou o curso

Colombo de Sousa – brilhante poeta paranaense – nasceu em 12 de outubro de 1920, no município de Colombo.  Filho de professores, frequentou o curso primário em Jaguaraíva (PR), onde foi aluno de seu pai, Prof. Ignácio Alves de Souza Filho. Prosseguiu com seus estudos em Curitiba, graduando-se como professor normalista. Posteriormente, licenciou-se em História e formou-se em Direito (UFPR). Produziu poesia de excelente qualidade, tendo seus versos admirados por escritores como Otto Maria Carpeaux, Malba Tahan e Carlos Drummond de Andrade.

O escritor paranaense Miguel Sanches Neto – em seu ensaio “Dúvidas sobre um poeta” (publicado em 12 de dezembro de 2008 pela Gazeta do Povo) – enaltece a poesia de Colombo de Sousa, afirmando que “são versos autênticos, que tratam de dramas humanos eternos em uma linguagem que é inusitada sem ser hermética, lírica sem ser piegas”Tal como incontáveis gênios da poesia paranaense, o poeta nunca recebeu o devido reconhecimento do grande público. Faleceu aos 70 anos de idade, no ano de 1991, permanecendo em total anonimato para a nossa literatura.

No que tange à sua bibliografia, publicou “Painéis” (1945), “O Hóspede e a Ilha” (1953), “O anúncio do acontecido” (1968), entre outros. Algumas obras do autor podem ser encontradas no acervo da Biblioteca Pública do Paraná.

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Abaixo, seus poemas “Auto-retrato” e “II.soneto da espera inútil”, ambos retirados de sua Antologia Poética (1973):

Auto-retrato

A dor pinta de branco os meus cabelos,
usa tintas de lágrima e suor;
e o sono me carrega em pesadelos,
viajo o pecado para achar o amor.

Crio amanhãs entre molduras de hoje
com mãos de sonho na aquarela do ar;
mas piso o chão e o próprio chão me foge
na areia movediça do luar.

Invento o sonho e a realidade esqueço
porque vivo em dois mundos bem diversos,
porque comigo em nada me pareço…

Se em meu semblante a dor modela um riso,
das pedras do silêncio extraio versos
e na poeira do sonho me improviso.

Soneto da espera inútil

No outro lado de mim mora a criança,
neste lado onde estou é noite fria:
– lancei mão dos pincéis da fantasia
para tornar real minha esperança,

pintar meu ser com as cores da alegria;
então achei a minha semelhança
no menino que fui, não na lembrança
do mundo que perdi e onde vivia.

Se o sonho andei, cruzei meu labirinto
na modelagem abstrata do poeta,
virgens manhãs bebi no extinto lago;

E a dor que não senti agora sinto
na amarga solidão, no amargo tema
em que ontem naveguei e hoje naufrago.

Colombo de Sousa, retratado pelo artista Guido Viaro (1970).



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Referências Bibliográficas

SANTOS, Pompília Lopes. Sequicentenário da poesia paranaense – Antologia. Curitiba: Editora lítero-técnica, 1985.

SOUSA, Colombo; RAITANI NETO, Felício. Letras Paranaenses. 2.ed. Curitiba: Editor Ocyron Cunha, 1971.

SOUSA, Colombo. Antologia Poética. Curitiba: Edição do autor, 1973.

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Willes
4 anos atrás

Conheci o Poeta em novembro de 1972, por obra do acaso, encontrei uma carteira perdida do seu filho e quando fui entrega-la sua esposa me convidou para um almoço. Eu tinha 22 anos na época e morava em Curitiba. Conversamos algumas vezes, e como eu falei que gostava de poesia ele me presenteou com um livro. Fiquei de apresentar a ele alguns escritos na época, mas, não o fiz, por timidez. Hoje estou escrevendo minha autobiografia e lembrei-me dele, numa das passagens do meu livro. Acho importante esse resgate da sua poesia. Abraço
Willes

Giro Recorte Lírico

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