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Euphoria 3×06: fé, traumas e dedos cortados na reta final

Euphoria 3x06 equilibra espiritualidade e violência com Zendaya no limite. O que o ep6 revela sobre o final da temporada?

O episódio 6 da terceira temporada de Euphoria é o mais equilibrado da temporada até agora. Depois de semanas mergulhada em cinismo e violência bruta, a série entrega um capítulo que coloca a espiritualidade de frente com o submundo criminal, usando o passado de seus personagens para explicar, sem justificar, quem eles se tornaram. Zendaya e Sydney Sweeney carregam o episódio nas costas, e o resultado é um dos melhores da temporada.

Para quem chegou agora: Euphoria é uma série da HBO que acompanha um grupo de adolescentes e jovens lidando com vícios, traumas e relações disfuncionais em uma cidade americana contemporânea. A terceira temporada expandiu o escopo da trama, introduzindo novos antagonistas do mundo do tráfico e colocando os personagens em situações cada vez mais extremas. O episódio 6 chega com a promessa de responder ao cliffhanger brutal da semana anterior.

O flashback de Alamo muda tudo o que você pensava sobre o vilão

A cena de abertura do episódio é um flashback da infância de Alamo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), e ela faz o que Euphoria sempre soube fazer bem: mostrar como ambientes disfuncionais quebram pessoas desde cedo. Vemos um garoto esperançoso se afeiçoar a Preston (Kwame Patterson), um homem gentil com o rosto desfigurado por queimaduras, que prometia uma vida melhor para ele e sua mãe. A revelação de que a própria mãe de Alamo, vivida por Danielle Deadwyler, orquestrou um roubo contra Preston e fugiu com as economias dele para morar com outro golpista é devastadora.

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Esse flashback não absolvem o Alamo adulto de nada. Mas explica com precisão a misoginia enraizada do personagem e a promessa que ele faz a si mesmo de nunca mais ser traído por uma mulher. É o tipo de construção que faz você odiar e entender alguém ao mesmo tempo, e a série executou isso sem nenhuma pressa ou sentimentalismo fácil.

Enquanto isso, Rue (Zendaya) começa o episódio sobrevivendo ao ataque de Alamo ao propor um plano para recuperar o que foi roubado dele, usando sua amiga Faye (Chloe Cherry) como isca. A partir daí, ela passa a atuar como agente tripla entre Alamo, a traficante Laurie (Martha Kelly) e a DEA. É muita coisa para um personagem carregar, e Zendaya sustenta cada camada sem deixar a atuação escorregar para o exagero.

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Euphoria
Euphoria | Fonte: flixlandia.com.br

A cena da igreja é um dos melhores momentos da temporada, mas esconde uma armadilha

Tem uma cena no episódio que vai ficar na cabeça de quem assiste por um bom tempo. Rue está sentada em uma igreja, chorando ao telefone com sua mãe Leslie (Nika King), dizendo que quer acreditar em Deus e na redenção. Zendaya transmite um cansaço genuíno e uma vontade de recomeçar que convencem qualquer um. A temporada estava precisando desse momento de ternura.

Só que o roteiro esconde uma faca nas costas da cena inteira. Mais tarde, Bishop (Darrell Britt-Gibson) conta a Rue uma história sobre uma píton que parou de comer não por estar doente, mas para abrir espaço no estômago e devorar sua própria dona. Logo em seguida, ele revela que fez uma visita à mãe de Rue. O choque que fica no ar é sombrio: o telefonema emocionante na igreja provavelmente não foi um momento espontâneo de fé, mas um pedido de socorro velado de Leslie, que estava sendo ameaçada pelos capangas de Alamo. Isso transforma o suposto renascimento espiritual de Rue, coroado por uma visão mística de uma sarça ardente após um quase acidente de carro, em um presságio de tragédia.

Esse tipo de estrutura narrativa, onde algo que parece redenção é na verdade uma cilada, é o que faz Euphoria funcionar melhor do que séries parecidas como Skins, que também retratava juventude e autodestruição no IMDb. A série não deixa ninguém sair ileso de um momento bonito.

Cassie abraça Hollywood e Jules paga o preço da negação

O arco de Cassie (Sydney Sweeney) neste episódio é um estudo de ironia cruel. Depois de protagonizar uma cena polêmica no OnlyFans, ela chega ao set da novela “L.A. Nights” e tem um surto emocional ao ouvir uma fala que a engatilha sobre um ex abusivo. A produtora Patty Lance, vivida por Sharon Stone, confunde o surto com genialidade artística e oferece um papel fixo à Cassie, desde que ela delete o OnlyFans.

Cassie aceita, abrindo mão de sua independência financeira por validação. E quem aproveita a situação é sua irmã Lexi (Maude Apatow), que toma os créditos pela descoberta e ganha a chance de escrever o arco da própria irmã na novela. O oportunismo corre solto na família Howard, e a série deixa isso claro sem precisar sublinhar nada.

Jules (Hunter Schafer), por sua vez, protagoniza uma cena melancólica e violenta. Imersa na fantasia de ser sustentada por Ellis (Sam Trammell), um cirurgião plástico casado, ela dá um tapa em Rue quando a ex-namorada joga verdades duras na sua cara. Um quadro cai em cima de Rue logo depois, e o simbolismo é óbvio, mas funciona: a vida artística perfeita de Jules está desmoronando sob o peso da negação.

Se você quer entender melhor onde a temporada está caminhando antes do final, o nosso artigo sobre o horário de estreia e o que esperar do episódio 6 de Euphoria T3 tem o contexto completo das apostas que a série fez até aqui.

O que fazer com Nate quando a série não sabe mais o que fazer com Nate

O único arco que parece estar girando em falso é o de Nate (Jacob Elordi). Depois de perder um dedo do pé em episódio anterior, ele recebe agora o dedo anelar cortado entregue em uma caixa da FedEx. A repetição de mutilações levanta uma pergunta legítima: será que a série não sabe mais o que fazer com o personagem e está apenas o colocando de escanteio de forma dolorosa antes do fim da temporada?

Elordi é um ator com presença, e foi central nas primeiras temporadas de Euphoria. Vê-lo reduzido a saco de pancadas cômico na reta final parece um desperdício. Talvez os dois últimos episódios respondam isso. Mas por enquanto, é o ponto mais fraco de um episódio que, no geral, funciona muito bem.

Segundo o Rotten Tomatoes, Euphoria mantém aprovação alta da crítica especializada, e este episódio justifica essa reputação na maior parte do tempo.

Vale a pena assistir ao episódio 6 da terceira temporada de Euphoria?

Sim, sem hesitar. O episódio 6 da terceira temporada de Euphoria é o mais redondo da temporada, aquele em que as peças começam a se encaixar antes do final. O flashback de Alamo humaniza o vilão sem romantizá-lo, a cena da igreja entrega emoção real antes de virar em armadilha narrativa, e Cassie e Jules avançam em arcos que finalmente parecem ter destino claro. Zendaya está em seu melhor aqui, e Sydney Sweeney faz o máximo com o que o roteiro oferece.

Com dois episódios restantes, a temporada 3 de Euphoria está montando o palco para um final que promete não poupar ninguém. A píton já mediu sua presa, e as chamas da sarça ardente estão se espalhando. Acesse a HBO Max e não fique para trás.

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