Homenagem

Homenagem
(Imagem: Reprodução/Internet)

O Uno vermelho fosco tinha os dizeres Corações a Mil adesivados nas portas. Uma mulher com o cabelo descolorido desceu e passou a chamar o nome de Cristiane que, por sua vez, só abriu o portão depois da certeza de que a vizinhança ocupava as calçadas. Nos minutos seguintes, os alto falantes do Uno tocaram duas canções de Eduardo Costa. Abraçada ao buque de rosas vermelhas que a loira descolorida havia lhe entregado, Cristiane balançava o corpo de forma tímida. Após um último gemido do sertanejo, a música abaixou. De fundo o tema de Titanic. Uma gravação com um locutor de voz pastosa começa a declamar uma poesia. Cristiane olhava para todas em volta. Algumas mulheres choravam, outras cutucavam os maridos, todos sem camisa e de calção de futebol. Depois da poesia do locutor, cinco tiros de fogos de artifício tentaram preencher o céu. Um cachorro latiu. A loira descolorida, que registrou tudo, entregou um cartão pra Cristiane, cumprimentou-a com certa cordialidade, entrou no carro e se foi, sorrindo para os vizinhos que, pouco a pouco, voltavam para a novela das sete.

Cristiane voltou pra casa de cabeça erguida. Depositou o buquê sobre a mesa e, enquanto requentava o almoço que seria jantado, pensava na próxima cena ensaiada que iria promover em nome dos namorados que inventava.

 

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Redação Recorte Lírico

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