Baby – por Zé Ciabotti

Baby – por Zé Ciabotti

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Baby,

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Já sequei a garrafa de Jack Daniels que compramos naquela noite em que dormimos no quarto doze do motel Delírius. Foi a primeira vez que sussurrei em seu ouvido ‘eu te amo’, ‘eu te amo’, ‘eu te amo’, enquanto a rádio AM tocava uma versão lenta de “Don’t Let me Down. I guess nobody ever really done me, oh she done me, she done me good.”.

A garrafa de Jack Daniels, agora seca, virou morada para duas margaridas brancas (suas favoritas) que roubei do jardim daquela minha vizinha velha que você acha parecida com a Glória Menezes. Aliás, você tinha uma teoria de que a Glória Menezes sempre foi velha. Dizia isso e depois ria, ria esse seu riso gostoso. Já troquei três vezes as margaridas. É… Faz tempo demais, baby. Faz muito tempo. Desde que você saiu de casa pra morar com aquele argentino que vendia empanaditas no nosso bar favorito. Hermano hijo de puta.

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Voltei ao nosso bar favorito, fui lá dia desses. Pedi uma dose de Mojito – preparado com Soda, como você gosta, e caí no choro. Chorei pra caralho, bebi pra caralho, chorei pra caralho. E acordei na cama daquela menina de cabelo esverdeado que sempre me pedia o isqueiro emprestado e você detestava. Saudades até do seu ciúme, baby.

Queria saber todos os meus passos, todas as minhas senhas. Por falar nisso, não troquei até hoje a senha do Facebook, só pra você entrar e dar de cara com minha solidão. Talvez te comova. Sinto sua falta, baby. Sinto falta do seu corpo. Cada pedaço, cheiro e gosto. E tenho certeza de uma coisa: as lembranças que tenho não bastam para confortar meu peito dilacerado. Nunca favorecem. Pelo contrário, servem apenas para aferroar as aflições de quem está condenado à doença do amor não correspondido e todos os seus sintomas.

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Para terminar essa carta de amor ridícula, como disse certa feita aquele poeta português. Acrescento: além das cartas de amor serem ridículas, todo homem apaixonado é um ridículo, o seu amante argentino é um ridículo, o namoro que estou começando com a menina do cabelo esverdeado é ridículo, essas palavras são ridículas. O amor é ridículo.

Mas aquele beijo que você me deu, baby, dói até hoje.

 

 

Para ler outros textos da coluna semanal do Zé Ciabotti, clique aqui.
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Farrel Kautely
Farrel Kautely
8 anos atrás

Não adianta, sempre me pergunto a origem da inspiração. Gostei bastante, parabéns.