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Um olhar do paraíso é um olhar humanístico

Há um tempo, mais precisamente no fim do ano passado, minha esposa e eu resolvemos assistir um filme que, inicialmente, eu resisti e muito em

Há um tempo, mais precisamente no fim do ano passado, minha esposa e eu resolvemos assistir um filme que, inicialmente, eu resisti e muito em vê-lo. Ainda bem que eu acabei aceitando. Trata-se do filme “Um olhar do paraíso”, dirigido pelo ótimo Peter Jackson – o mesmo de “The Hobbit” -, estrelado por Saoirse Ronan, Rachel Weisz e Mark Wahlberg, um elenco experiente, embora jovem. A narrativa nos traz elementos atuais, mas pouco falados, principalmente pelas artes. Susie Salmon é uma menina feliz, que ama fotografias e é apaixonada por um garoto na escola. Mantém uma vida simples e comum como todas as outras garotas da sua faixa etária. Aos 14 anos, ao voltar para casa, é abordada por um vizinho um tanto quanto silencioso no convívio público, que a seduz para uma espécie de casa de brinquedos em uma instalação no subsolo que ele mesmo fabrica em meio à plantação. Mal intencionado, o criminoso se recusa a liberá-la e interrompe sua vida de forma covarde e cruel. Um crime estarrecedor, como tantos outros visto mundo afora. Para evitar maiores spoilers, vale ressaltar que o homem tem uma ficha sujíssima, levando a óbito várias crianças por décadas e décadas. 
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O filme é protagonizado pela jovem Saoirse Ronan. (Imagem: Reprodução)
O mais interessante desse filme é como Susie, vítima de um brutal assassinato, reage a tudo isso. Logicamente o filme tem efeitos de realismo fantástico e isso coloca o filme em um patamar ainda mais elevado, pois trata a morte de uma forma muito peculiar para dar maior dimensão e imaginação ao espectador à beleza trágica do acontecimento. O que mais me chama a atenção no paralelo entre à arte e a “realidade” é a forma como tratamos os acontecimentos de pedofilia e assassinatos de crianças no país: de maneira totalmente superficial, muito embora o cenário engatinhe para uma mudança. Não que as crianças sejam humanos mais ou menos importantes que os demais, não é esse o norte do texto. O que o filme ilustra tão bem é o que vem acontecendo nos últimos anos em escala gigantesca no Brasil, e os criminosos ainda continuam impunes, na maior parte das vezes. No ano passado, quando vi o filme, ainda tava “fresco” em minha memória o acontecimento da prisão do ex-BBB Laércio Moura, acusado de aliciar e ludibriar jovens menores de idade para fins criminosos. O maior absurdo quando ocorrem esses crimes é o feedback de alguns “cidadãos” nas redes sociais, que, ao tratar o caso, preferem colocar em plano superior a aceitação ou não das vítimas e esquecem que o único culpado pelos atos horrendos é, e sempre será, o pedófilo. Esse caso não é o crime mais hediondo da história, mas serve bem para ilustrar uma realidade gritante no mundo inteiro.  
O filme nos põe em lágrimas. Mas o choro vai muito além de visualizar dezenas de crianças vítimas de um animal em um filme que é chocante. O filme nos direciona para o nosso próprio mundo, a nossa própria realidade, a nossa própria sociedade, a nossa própria vizinhança. Escrever sobre isso sendo pai é ainda mais doloroso, mas é necessário. Que possamos combater esse crime de forma mais efetiva nas esferas judiciais e que não venhamos mais nos calar frente a essas atrocidades cometidas, às vezes, de baixo dos nossos narizes e negligenciamos por fatores injustificáveis. Cuide dos pequenos e vigie os grandes. O alerta também é um dever artístico. Olho nos seus filhos, olho em nossas crianças.

Link sobre o caso do ex-BBB Laércio: https://goo.gl/xTioJk
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