Principais livros do Romantismo (1800 — 1855)

Principais livros do Romantismo (1800 — 1855)

Na terceira postagem dessa série de seis, trarei para os estudantes e/ou leitores de Literatura Universal, os principais livros do período do Romantismo (e a ascensão do romance). Não deixe de conferir a segunda postagem, na qual indiquei os principais livros do Renascimento ao Iluminismo.

Lyrical Ballads (1798 – 1800, de William Wordsworth e Samuel Taylor Coleridge): Coletânea de poemas individuais que deram novo rumo à poesia inglesa. Os poemas que, antes de Lyrical Ballads, eram sobre a realeza ou repletos de alegorias grandiosas, deram lugar a temas relacionados à pobreza, ao crime a à loucura.

Noturnos (1817, de E. T. A. Hoffmann): As histórias aqui reunidas compõem uma boa amostra representativa dos variados aspectos da obra de Hoffmann. Influenciador de Freud e da Psicanálise, o autor parece introduzir na obra freudiana o que mais tarde viria a ser definido como o estranho.

Fausto (1808, 1832, de Johann Wolfgang Von Goethe): Com a sua temática arquetípica e grandiosidade estética, o Fausto se impõe como ápice e síntese da obra pioneira de Johann Wolfgang von Goethe. A obra-prima do autor nos transporta à tragédia do protagonista que, desiludido, faz um pacto com o demônio Mefistófoles.

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Contos maravilhosos infantis e domésticos (1812 – 1822, de Irmãos Grimm): Contos maravilhosos infantis e domésticos, de Jacob e Wilhelm Grimm, reúne em um único volume a totalidade das narrativas coletadas na tradição oral e popular alemã pelos dois irmãos filólogos. Os contos de Grimm, que incluem as andanças do Pequeno Polegar, as desventuras de Rapunzel e as tribulações da Bela Adormecida e de Chapeuzinho Vermelho, entre muitas outras histórias, continuam sendo, duzentos anos depois, uma fonte inesgotável de fascínio e de ensinamento para adultos e crianças.

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Orgulho e Preconceito (1813, de Jane Austen): Orgulho e preconceito é o livro mais famoso de Jane Austen e possui uma série de personagens inesquecíveis e um enredo memorável. Austen nos apresenta Elizabeth Bennet como heroína irresistível e seu pretendente aristocrático, o sr. Darcy. Nesse livro, aspectos diferentes são abordados: orgulho encontra preconceito, ascendência social confronta desprezo social, equívocos e julgamentos antecipados conduzem alguns personagens ao sofrimento e ao escândalo. O livro pode ser considerado a obra-prima da escritora, que equilibra comédia com seriedade, observação meticulosa das atitudes humanas e sua ironia refinada.

Frankenstein (1818, de Mary Shelley): Victor Frankenstein desde muito jovem se dedicou aos estudos da filosofia e das ciências naturais. Até que, em uma experiência bem-sucedida (que lhe sugou a energia e o afastou do convívio dos seus entes queridos), ele foi capaz de dar vida a um ser de feições e trejeitos assustadores. A partir de então, criador e criatura passam a viver um jogo de perseguição repleto de sangue e horror – a primeira obra de ficção científica da literatura e um clássico do terror.

Os três mosqueteiros (1844, de Alexandre Dumas): Na história, o jovem d’Artagnan chega praticamente sem posses a Paris, mas, depois de alguns percalços, consegue se aproximar da guarda de elite do rei Luis XIII: os mosqueteiros. Nela conhece os inseparáveis Athos, Porthos e Aramis, que passarão a ser seus companheiros de aventuras. Juntos, os quatro enfrentam combates e perigos a serviço do rei e sobretudo da rainha, Ana da Áustria, tendo por inimigos principais o cardeal de Richelieu, a misteriosa Milady e o ousado duque de Buckingham. Misturando personagens reais, fictícios e romanceados, Dumas coloca seus mosqueteiros em meio às mais perigosas intrigas políticas da Europa do século XVII.

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Eugene Onegin: Companhia Canadense de Ópera. Dirigido por Robert Carsen e Johannes Debus. 

Eugene Onegin (1833, de Alexander Pushkin): O “romance em versos” Eugênio Onêguin é a expressão máxima do gênio de Aleksandr Púchkin (1799-1837), e representa para a literatura da Rússia o mesmo que Os Lusíadas, A Divina Comédia, o Dom Quixote e as peças de Shakespeare representam respectivamente para Portugal, a Itália, a Espanha e a Inglaterra. Púchkin é considerado o fundador da literatura russa moderna, o maior ícone cultural da Rússia, e seu Eugênio Onêguin já foi chamado de “enciclopédia da vida russa”, de leitura obrigatória em escolas. A obra foi escrita em versos tetrâmetros (mais ou menos equivalentes aos versos de oito sílabas em português), num total de 384 estrofes de 14 versos cada. Trata-se, pois, de uma obra que realiza uma verdadeira fusão de modalidades literárias – romance e poesia – e que, por apresentar uma curiosa consciência de sua própria narratividade, ou de suas próprias técnicas de “representação” artística, se reveste de ainda mais sentido na época do Pós-modernismo. Em termos de linguagem, um aspecto de sua tão propalada “perfeição estilística” está em fazer com que palavras as mais comuns adquiram conteúdo poético e ironia. Em virtude de sua clareza de expressão e fluência verbal, os versos de Eugênio Onêguin dão a impressão de absoluta espontaneidade e leveza. “Poucos lograram semelhante flexibilidade do verso octossílabo em português.” [Bóris Schnaiderman (1917-2016)]

Folhas de Relva (1855, de Walt Whitman): Folhas de Relva ocupa o lugar fundador da poesia norte-americana moderna. Ignorado e ridicularizado pela crítica de seu tempo, fosse pelo caráter experimental de seu verso, fosse pela abertura à polêmica, tratando sem restrições questões como a sexualidade e expondo uma religiosidade sem dogmas, as sete edições do livro ― que cobrem um período de 1855 a 1891 ― serviriam de veículo para que Whitman vazasse seu testemunho dos principais acontecimentos e debates de um período em que os Estados Unidos assumiam o partido da modernidade, entrando em conflito com estruturas sociais e políticas de raiz colonial, como a escravidão, ao mesmo tempo em que davam os primeiros passos imperialistas.A Edição do leito de morte marca o fim do processo de composição e organização do livro, reunindo quase 40 anos de uma produção poética ininterrupta, na qual as formas tradicionais da poesia dão lugar à pesquisa atenta a novas formas de expressão, bem como a sentimentos, opiniões e acontecimentos sem precedentes na constituição do cânone universal.

Narrativa da vida de Frederick Douglass (1845, de Frederick Douglass): autobiografia de Frederick Douglass, escravo fugido, abolicionista, defensor dos direitos da mulher e o primeiro negro candidado à vice-presidência dos EUA. O relato de Douglass é vívido e centrado na relação entre sua educação (ele era em grande parte autodidata) e sua liberdade. Há muitos anos o livro é empregado para ensinar tanto adolescentes quanto crianças (em versão infantil) americanas, e discutir temas como igualdade, preconceito, necessidade de letramento e temas afins.

Jane Eyre (1847, de Charlotte Brontë): Jane Eyre, romance de estreia da consagrada e renomada escritora inglesa Charlotte Brontë, narra a história de vida da heroína homônima. Quebrando paradigmas e criticando a realidade vitoriana da época, Jane Eyre desafia o destino imposto às mulheres e as posições sociais que elas deveriam ocupar. Recheado de características góticas, o romance possui personagens inesquecíveis e transformadores, como a figura do misterioso Rochester, patrão de Jane e peça vital da narrativa.

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O morro dos ventos uivantes (1847, de Emily Brontë): Único romance da escritora inglesa Emily Bronte, O morro dos ventos uivantes retrata uma trágica historia de amor e obsessão em que os personagens principais são a obstinada e geniosa Catherine Earnshaw e seu irmão adotivo, Heathcliff. Grosseiro, humilhado e rejeitado, ele guarda apenas rancor no coração, mas tem com Catherine um relaciona- mento marcado por amor e, ao mesmo tempo, ódio. Essa ligação perdura mesmo com o casamento de Catherine com Edgar Linton.

Moby Dick (1851, de Herman Melville): Lançado em 1851, Moby Dick, ou A baleia, de Herman Melville (1819-1891), se tornou um dos livros de aventura mais emblemáticos da literatura universal. A história do capitão Ahab, em busca de vingança contra o terrível cachalote que amputara sua perna, entrou definitivamente para a cultura popular, inspirando, entre outras criações, pinturas de Jackson Pollock e Frank Stella, adaptações de Orson Welles para o rádio e o teatro, um filme de John Huston, e até um blues do Led Zeppelin. Mas uma leitura atenta da obra-prima de Melville pode revelar as camadas mais profundas do texto, que deram ao autor o posto de maior prosador norte-americano do século XIX. Entremeados à narrativa vão se sobressaindo múltiplos elementos: referências bíblicas que ecoam críticas da época ao nascente imperialismo dos Estados Unidos; a questão racial, personificada na figura dos três arpoadores, um negro, um índio e um nativo polinésio; a análise da extração do óleo dos cachalotes como atividade econômica industrial, incluindo uma discussão sobre a sustentabilidade da pesca das baleias; as tensões sociais, que aparecem nas relações entre superiores e subordinados e na possibilidade sempre presente de um motim ― tudo isso encenado no palco shakespeariano do convés de um baleeiro que parte de Nantucket, em Massachusetts, até chegar ao Pacífico, onde ocorre o enfrentamento final entre o obsessivo capitão Ahab e a monstruosa baleia branca.

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A casa soturna (1852-1853, de Charles Dickens): Charles Dickens foi um influente escritor inglês, o mais famoso romancista da era vitoriana, que dispensa maiores apresentações. A CASA SOTURNA (Bleak House no original) foi publicada por Dickens em 1853 e é considerada uma de suas obras-primas. A trama gira em torno de Jarndyce & Jarndyce, um processo judicial que perdura por algumas gerações sem que apresente evolução. Os litigantes iniciais já faleceram e ninguém mais sabe ao certo pelo que estão brigando, tendo já se transformado em lenda e piada. A Casa Soturna é um romance bem linear, do tipo que se encerra como uma novela onde vão sendo revelados, apenas ao final, o destino de cada personagem. E que personagens! Como sempre o que desperta atenção em Dickens é a sua capacidade de criar tipos marcantes, quase caricatos. E com aquele refinado senso de humor utilizado para fazer uma ácida crítica social. Uma obra singular, repleta de acontecimentos instigantes, um enredo intrincado, maravilhosamente bom de se acompanhar. Para muitos, trata-se da melhor obra de Dickens, o que já é um feito memorável. A Casa Soturna faz parte da famosa coletânea 1001 Livros Para Ler Antes de Morrer.

Leitura Adicional:

René (François-René Chateaubriand);
Ivanhoé (Sir Walter Scott);
Os últimos dos moicanos (James Fenimore Cooper);
O vermelho e o negro (Stendhal);
O pai Goriot (Honoré De Balzac);
Contos de Fadas (Hans Christian Andersen);
Kalevala (Elias Lönnrot);
Oliver Twist (Charles Dickens);
O herói do nosso tempo (Mikhail Lermontov);
Contos do grotesco e arabesco (Edgar Allan Poe);
Um aconchego de solteirão (Honoré De Balzac);
Almas mortas (Nikolai Gogol);
O conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas);
A feira das vaidades (William Makepeace Thackeray);
David Copperfield (Charles Dickens);
A letra escarlate (Nathaniel Hawthorne);
A cabana do pai Tomás (Harriet Beecher Stowe);
Norte e Sul (Elizabeth Gaskell);

REFERÊNCIAS – ROMANTISMO:
O livro da literatura / organização James Canton [et al.]; tradução Camile Mendrot [et al.] – 1. ed. São Paulo: Globo, 2016. (p. 106-153)
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Sara Muniz

Sara Muniz

Sara Muniz, 22 anos, formada em Letras Português-Inglês, criadora e idealizadora do blog Interesses Sutis desde 2014, professora de inglês em tempo integral, escritora, revisora e redatora nas horas vagas. Trabalha para comer, viajar e comprar livros. E-mail: saramunizz@gmail.com

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