Principais livros do Realismo e Simbolismo (1855 – 1900)

Principais livros do Realismo e Simbolismo (1855 – 1900)
"The Starry Night", Vincent Van Gogh - 1889

Na quarta postagem dessa série de seis, trarei para os estudantes e/ou leitores de Literatura Universal, os principais livros do período do Romantismo (e a ascensão do romance). Não deixe de conferir a terceira postagem, na qual indiquei os principais livros do Romantismo.

Madame Bovary (1856, de Gustave Flaubert): O enredo gira em torno de Emma Bovary, casada com o médico Charles. Emma vive imersa na leitura de romances românticos e, por viver um casamento enfadonho, procura no adultério a libertação de seus problemas. A trama possui um desfecho trágico, e da criação de Flaubert partem grandes linhas de força do romance moderno e sua repercussão no contexto literário francês e mundial é intensa e permanente.

O Guarani (1857, de José de Alencar): O guarani – um dos romances mais importantes de José de Alencar – foi uma das primeiras obras criadas com o objetivo de fundar uma literatura brasileira autônoma em relação à tradição portuguesa. Foi inicialmente publicada em forma de folhetim, em meados de 1857, concedendo grande popularidade a Alencar. Quando, no final do mesmo ano, foi transformado em livro, sofreu pequenas modificações. Em meio à história de amor entre o índio Peri e a moça branca Ceci, José de Alencar cria uma narrativa épica, cheia de amor, aventura, traição, lutas e vingança, prendendo a atenção do leitor a cada nova página. O romance proclama a brasilidade, focando importantes aspectos da realidade brasileira do século XVII: o índio e o branco; a cidade e o campo; o sertão e o litoral.

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As Flores do Mal (1857, de Charles Baudelaire): O poeta e crítico Charles Baudelaire marcou as últimas décadas do século XIX e As flores do mal é sua obra prima. Julgado imoral para a época, o livro levantou polêmica e despertou hostilidades na imprensa. Baudelaire e seu editor foram processados e, além de pagar multa, tiveram que reimprimir a obra, excluindo poemas da primeira publicação.

Os Miseráveis (1862, de Victor Hugo): Um clássico da literatura mundial, esta obra é uma poderosa denúncia a todos os tipos de injustiça humana. Narra a emocionante história de Jean Valjean ― o homem que, por ter roubado um pão, é condenado a dezenove anos de prisão. Os miseráveis é um livro inquietantemente religioso e político, com uma das narrativas mais envolventes já criadas.

As aventuras de Alice no País das Maravilhas (1865, de Lewis Carroll): Uma menina, um coelho e uma história capazes de fazer qualquer um de nós voltar a sonhar. Alice é despertada de um leve sono ao pé de uma árvore por um coelho peculiar. Uma criatura alva e falante com roupas engraçadas, que consulta seu relógio e reclama do próprio atraso. Curiosa como toda criança, Alice segue o animal até cair em um buraco sem fim que mudou para sempre a literatura infantil. Mais de 150 anos depois, Alice no País das Maravilhas continua repleto de ensinamentos para aqueles que ousaram seguir o Coelho Branco até sua toca.

Crime e Castigo (1866, de Fiodór Dostoiévski): Publicado em 1866, Crime e castigo é a obra mais célebre de Fiódor Dostoiévski. Neste livro, Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado, perambula pelas ruas de São Petersburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria: grandes homens, como César ou Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História. Este ato desencadeia uma narrativa labiríntica que arrasta o leitor por becos, tabernas e pequenos cômodos, povoados de personagens que lutam para preservar sua dignidade contra as várias formas da tirania.

Guerra e Paz (1869, de Leon Tolstói): “Guerra e paz” é um dos romances mais importantes da literatura universal. Compreendendo o período de 1805 a 1820, esta obra grandiosa – resultado de exaustiva pesquisa de Leon Tolstói – nos dá detalhes da vida na Rússia antes e durante a invasão napoleônica. Entremeando os dramas pessoais dos personagens com a rotina mundana da aristocracia, e, ainda, com a narrativa de batalhas, Tolstói cria uma série de afrescos épicos. Esse cenário nos revela com rara perspicácia uma Rússia imponente por sua história e suas grandes personalidades, mas guiada fundamentalmente por seu povo.

Vinte mil léguas submarinas (1870, de Júlio Verne): Nesta aventura, Verne constrói um submarino ultramoderno para a época (1866), o Náutilus. Nele, o capitão Nemo e sua tripulação cortam relações com a humidade e partem para uma aventura marítima, já que para a sobrevivência precisam apenas da eletricidade obtida na imensidade do mar.

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Filme ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’ (2001), protagonizado por Reginaldo Faria.

Memórias póstumas de Brás Cubas (1881, de Machado de Assis): Escrito em 1880 em folhetins, este clássico da literatura brasileira é considerado o precursor do Realismo. Se você não cismar de sofrer com a língua que é diferente do português que a gente usa hoje em dia, vai se divertir a valer com essa história narrada por um personagem morto que, de seu túmulo, se dirige aos leitores para criticar a sociedade da época.

Retrato de uma senhora (1881, de Henry James): Retrato de uma senhora, publicado pela primeira vez em 1881, é o primeiro grande romance de Henry James, e talvez sua obra máxima. Num século em que a esposa burguesa insatisfeita tornou-se um personagem literário central, e o adultério um motivo romanesco recorrente – o século da Madame Bovary, de Flaubert, e de Anna Karenina, de Tolstói -, Henry James colocou em cena uma heroína singular, cuja carência essencial é de outra ordem. Com uma narrativa que, astuciosamente, começa lenta, quase contemplativa, e aos poucos se acelera, ganhando dramaticidade, James constrói sua história como um jogo em que cada coisa se transmuta em seu oposto: liberdade em destino, afeto em traição, pureza em artimanha – e vice-versa.

As Aventuras de Huckleberry Finn (1884, de Mark Twain): Hucklerberry sofre com os maltratados do pai, um bêbado que somente tem interesse pelo dinheiro do rapaz. Para fugir de tal situação, Huck Finn decide fingir que foi assassinado. Então junto com Jim, o escravo fugitivo, embarca em uma jornada em direção a uma ilha. No caminho, vivem várias aventuras ao se envolver em golpes e lideram com famílias rivais, entre outras. Tudo isso em busca de tão sonhada liberdade.

Germinal (1885, de Émile Zola): Cultuado por muito tempo como o romance por excelência das relações humanas no universo da organização dos trabalhadores, Germinal retrata os primórdios do que viria a ser a Internacional Socialista, constituindo simultaneamente um painel revelador da lógica patronal no início do capitalismo industrial. Sua enorme variedade de tipos humanos destaca-se ao compor um dos mais notáveis painéis sociais da literatura do século XIX. Publicado em 1885, o romance de Émile Zola narra uma épica revolta de mineiros na cidade de Montsou, onde estes se sublevam contra condições de trabalho draconianas. Enquanto as famílias operárias sofrem de fome e de penúria generalizada, a mina Voraz condena gerações de trabalhadores a cuspir carvão para obterem seu mínimo sustento. É lá embaixo, no subsolo, que surge a necessidade de se organizarem para sobreviver, e caberá ao recém-chegado Étienne Lantier profetizar novos tempos para a massa de carvoeiros que sufoca debaixo da terra. Na superfície, após escaramuças e tiroteios, a mobilização foge do controle do líder operário e os mineiros acabam retomando o trabalho para não morrerem de fome. Paralelamente, o niilista russo Suvarin engaja-se em operações de sabotagem de desenlace trágico, culminando com a destruição total da mina. Lantier acaba partindo para Paris, onde trabalhará pela organização dos trabalhadores.

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O retrato de Dorian Gray (1891, de Oscar Wilde): Em 1891, quando foi publicado em sua versão final, O retrato de Dorian Gray foi recebido com escândalo, e provocou um intenso debate sobre o papel da arte em relação à moralidade. Alguns anos mais tarde, o livro foi inclusive usado contra o próprio autor em processos judiciais, como evidência de que ele possuía “uma certa tendência” – no caso, a homossexualidade, motivo pelo qual acabou condenado a dois anos de prisão por atentado ao pudor. Mais de cem anos depois, porém, o único romance de Oscar Wilde continua sendo lido e debatido no mundo inteiro, e por questões que vão muito além do moralismo do fim do período vitoriano na Inglaterra, definida por um dos personagens do livro como “a terra natal da hipocrisia”. Seu tema central – um personagem que leva uma vida dupla, mantendo uma aparência de virtude enquanto se entrega ao hedonismo mais extremado – tem apelo atemporal e universal, e sua trama se vale de alguns dos traços que notabilizaram a melhor literatura de sua época, como a presença de elementos fantásticos e de grandes reflexões filosóficas, além do senso de humor sagaz e do sarcasmo implacável característicos de Wilde.

Drácula (1897, de Bram Stoker): Drácula é um clássico da literatura de terror e apresenta por meio de cartas, diários e notícias os ataques do vampiro Conde Drácula a moradores de Londres e da Transilvânia. O romance epistolar marcou o gênero e, mesmo não sendo a primeira obra a retratar esse mito literário, definiu o que conhecemos hoje como vampiro, influenciando a literatura, cinema e teatro.

Coração das Trevas (1899, de Joseph Conrad): Obra-prima da literatura inglesa, o Coração das trevas se tornou também uma referência cultural sobre os horrores da colonização. A história de Marlow, capitão de um barco a vapor, em sua ida de encontro a Kurtz, um explorador de marfim de métodos questionáveis, que vivia entre os selvagens do Congo e precisava ser levado de volta à civilização. O romance mergulha no mundo interior do personagem principal, em busca do inominável, tendo as trevas da selva africana como imagem do inconsciente. O livro ficou conhecido ainda por ter inspirado o filme Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola.

Leitura Adicional:

Um conto de duas cidades (Charles Dickens);
Grandes Esperanças (Charles Dickens);
Thérèse Raquin (Émile Zola);
A Pedra da Lua (Wilkie Collins);
Mulherzinhas (Louisa May Alcott);
O Idiota (Fiodór Dostoiévski);
A Educação Sentimental (Gustave Flaubert);
Sete Irmãos (Aleksis Kivi);
El Gaucho Martín Fierro (José Hernández);
Uma Temporada no Inferno (Arthur Rimbaud);
Longe da Multidão (Thomas Hardy);
Anna Kariênina (Leon Tolstói);
Daniel Deronda (George Eliot);
Casa de Bonecas (Henrik Ibsen);
Os irmãos Karamázov (Fiodór Dostoiévski);
A ilha do tesouro (Robert Louis Stevenson);
A história de uma fazenda africana (Olive Schreiner);
La Regenta (Leopoldo Alas);
O Médico e o Monstro (Robert Louis Stevenson);
Os Maias (Eça de Queirós);
Fome (Knut Hamsun);
O livro da selva (Rudyard Kipling);
Effi Briest (Theodor Fontane);
Judas, o obscuro (Thomas Hardy);
A glória de um covarde (Stephen Crane);
Tio Vânia (Anton Tchekov);
A volta do parafuso (Henry James);
O despertar (Kate Chopin);
Lord Jim (Joseph Conrad);
Sou o pecado (Theodore Dreiser).


REFERÊNCIAS – REALISMO E SIMBOLISMO:
O livro da literatura / organização James Canton [et al.]; tradução Camile Mendrot [et al.] – 1. ed. São Paulo: Globo, 2016. (p. 156-203)
Amazon.com.br (sinopses)

LEIA TAMBÉM: A leitura conceitual em “Destrua este diário”

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Sara Muniz

Sara Muniz

Sara Muniz, 22 anos, formada em Letras Português-Inglês, criadora e idealizadora do blog Interesses Sutis desde 2014, professora de inglês em tempo integral, escritora, revisora e redatora nas horas vagas. Trabalha para comer, viajar e comprar livros. E-mail: saramunizz@gmail.com

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