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Hokum: o final explica o que é real ou alucinação

Hokum: o final explica a bruxa, o trauma de Ohm e o que foi real. Veja as pistas que entregam a resposta.
Hokum

Hokum é um final explicado sobre culpa, trauma e vingança porque o filme mistura uma bruxa real com alucinações provocadas por cogumelos e pelo passado de Ohm. No desfecho, a obra confirma que a entidade existe, que Mal é o verdadeiro monstro e que a transformação de Ohm passa pelo perdão. O longa de Damian McCarthy traz Adam Scott como o escritor abatido que chega ao hotel irlandês carregando uma dor antiga, e isso muda tudo.

Se você saiu do cinema tentando separar o que aconteceu de verdade do que foi delírio, não está sozinho. Hokum: O Pesadelo da Bruxa usa o hotel isolado, a lenda da Cailleach e o trauma infantil do protagonista para construir um terror psicológico que faz a cabeça trabalhar depois dos créditos. É daqueles filmes que pedem atenção aos detalhes, porque o próprio final responde boa parte das dúvidas, mas deixa uma sensação de desconforto bem calculada.

Hokum: o que é real no final do filme?

O ponto mais importante de Hokum é este: a bruxa não é uma invenção total da mente de Ohm. Ela é apresentada como uma entidade antiga, ligada ao folclore local, e funciona como uma força de punição. O filme deixa claro que ela age contra homens que praticam violência contra mulheres, então ela não ocupa o lugar de vilã tradicional. Ela é mais uma presença julgadora, quase uma lei sobrenatural que o hotel tenta conter, mas nunca domina de fato.

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Ao mesmo tempo, Hokum também brinca com a percepção do protagonista. A parte dos cogumelos alucinógenos adiciona uma camada de dúvida, porque Ohm é dopado sem saber e passa a enxergar coisas que podem ou não estar no mesmo plano da realidade. A melhor forma de entender isso é separar o que o filme confirma visualmente do que vem da mente dele. Os hematomas nos pulsos funcionam como prova concreta de que ele esteve acorrentado e em risco real. Já a figura bizarra chamada Jack the Jackass aparece sem reflexo nos óculos de Ohm, o que aponta para uma alucinação ligada ao trauma infantil.

Essa escolha dá força ao filme porque não simplifica tudo em “era sonho” ou “era sobrenatural”. Hokum prefere os dois caminhos ao mesmo tempo, e eu achei isso muito mais honesto com o tipo de história que quer contar. O resultado lembra um pouco certas narrativas de terror que usam o sobrenatural como espelho de feridas emocionais, só que aqui o roteiro é mais direto na hora de apontar os culpados. A bruxa existe, mas o horror humano ainda pesa mais.

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Também vale observar a cena do hospital, quando Ohm acorda e o mensageiro Alby revela a vingança com cogumelos. Isso não apaga o que aconteceu antes, apenas confirma que parte da experiência dele foi adulterada. Hokum trabalha justamente com essa fricção, um pedaço é concreto, outro é distorcido, e o filme confia no público para juntar as peças sem mastigar tudo.

Se você curte esse tipo de quebra-cabeça final, o mesmo princípio aparece em outras obras comentadas por aqui, como em Half Man: o final vai responder tudo?, que também gira em torno da expectativa de fechamento e da vontade de entender o que foi verdade até o último minuto.

Hokum
Hokum | Fonte: flixlandia.com.br

Quem é o verdadeiro monstro em Hokum?

Se a bruxa é a força de julgamento, Mal é o verdadeiro motor da crueldade em Hokum. Ele começa como um gerente aparentemente secundário, mas o filme revela que ele manipulou Fiona, a bartender grávida, para esconder sua traição e proteger a própria vida confortável. Esse é o tipo de virada que muda o peso moral da história inteira. De repente, o horror deixa de ser só folclórico e vira também uma radiografia da covardia humana.

O que pega mais aqui é a falta de remorso. Enquanto Ohm sofre com a culpa de ter matado acidentalmente a mãe na infância, Mal age com frieza calculada. Ele não está tentando reparar nada, só apagar vestígios. E quando o hotel pega fogo, o filme entrega a punição final de forma brutal: Mal desce ao porão para recuperar a chave e acaba arrastado pela bruxa para o inferno. É a cena em que Hokum fecha o ciclo de maneira mais satisfatória, porque o roteiro deixa claro quem merecia a condenação.

Esse contraste é o coração do filme. Ohm é alguém corroído por uma tragédia acidental, um homem que virou cínico, alcoólatra e suicida porque nunca conseguiu se perdoar. Mal, ao contrário, comete atos deliberados e tenta escapar da responsabilidade. Para mim, essa oposição é o que dá peso ao final. Sem ela, Hokum seria só mais um terror de hotel. Com ela, a história vira uma discussão sobre culpa real, culpa imaginada e o que acontece quando alguém se recusa a encarar as próprias escolhas.

Como o trauma de Ohm muda o significado de Hokum?

O trauma de infância é a chave emocional de Hokum. Quando menino, Ohm pegou o revólver do pai e disparou acidentalmente, matando a mãe. Esse evento não é só um detalhe de passado, ele molda tudo o que vemos no presente. O hotel, a bruxa, a culpa e até a escrita dele passam por essa ferida. Por isso o filme funciona melhor quando a gente lê a história como um terror sobre luto mal resolvido e não só como caça a sustos.

A cena em que a mãe aparece para confortá-lo no porão é um dos momentos mais importantes do filme. Ela não volta para punir, mas para perdoar. Esse gesto transforma o arco de Ohm, porque ele finalmente entende que a morte da mãe foi um acidente e não uma sentença moral contra si mesmo. A partir daí, ele consegue se soltar, sair do porão e sobreviver ao incêndio. Não é uma cura instantânea, mas é uma virada emocional que o filme mereceu construir.

Esse tipo de resolução me lembrou o efeito de alguns finais de terror mais íntimos, em que o susto serve menos para assustar e mais para reorganizar a dor do personagem. Hokum faz isso com bastante firmeza, e o resultado fica mais interessante justamente porque o filme não tenta transformar Ohm em herói clássico. Ele continua quebrado, mas já não está preso ao mesmo peso de antes.

Se você gosta de acompanhar estreias e finais explicados com esse tipo de leitura, vale também conferir Semana de estreias: 7 lançamentos para ver agora, que reúne outras opções recentes para quem quer sair do automático.

O que significa o livro O Conquistador no desfecho?

O Conquistador é a peça simbólica que amarra a mudança de Ohm em Hokum. No começo, a história do livro é sombria e niilista, com o explorador quebrando uma garrafa na cabeça de uma criança para pegar um mapa. Isso reflete a mente destruída do protagonista antes da catarse. Ele vê a vida como algo sem saída, e o texto que escreve acompanha exatamente essa visão.

Depois do que acontece no hotel, tudo muda. Ohm reescreve o final e faz o Conquistador agir de forma oposta, escolhendo o sacrifício em vez da violência. A criança lança a garrafa longe, os dois se abraçam e a imagem do crânio de carneiro reforça a ideia de esperança que estava ali o tempo todo. O filme usa essa última virada para mostrar que Ohm finalmente parou de olhar o mundo como uma condenação permanente.

Essa é uma solução bem limpa, e eu gosto disso em Hokum. O roteiro não vende uma cura mágica, só mostra um homem conseguindo viver depois de aceitar a própria dor. A força do final está menos no susto e mais no reposicionamento interno de Ohm. A história termina diferente porque ele termina diferente.

Vale a pena ver Hokum?

Hokum vale a pena porque entrega um final explicado que realmente fecha as pontas centrais sem perder a ambiguidade que torna o filme melhor. A bruxa é real, o trauma de Ohm é real, e a crueldade de Mal é real. O que muda é a forma como cada uma dessas forças pesa no desfecho. Se você gosta de terror com folclore, culpa e uma camada psicológica bem marcada, este é um filme que compensa a atenção.

Ele não é perfeito, e nem tenta ser. O roteiro às vezes aposta mais na atmosfera do que na sutileza, mas o conjunto funciona porque sabe para onde está indo. Para mim, o melhor mérito de Hokum é tratar o horror como julgamento e também como cura, sem fazer disso um discurso óbvio. Se você terminou o filme querendo entender o que era verdade e o que era alucinação, a resposta é justamente essa mistura bem dosada. E é isso que faz Hokum ficar na cabeça por mais tempo do que muitos terrores mais barulhentos.

Se a sua dúvida era sobre Hokum no IMDb e como o filme se encaixa entre os terrores recentes, a resposta curta é simples: ele funciona melhor quando você aceita que a culpa é o verdadeiro labirinto da história. No fim, Hokum entrega uma conclusão amarga, mas coerente, e isso já o coloca entre os títulos que merecem conversa depois da sessão.

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