We Are All Trying Here chega ao nono episódio com Dong-man finalmente virando uma página importante da vida dele. Após assinar o contrato que pode mudar sua carreira, ele ainda precisa lidar com dívidas de agiotas, inseguranças e a tensão crescente entre os projetos Knock, Knock, Knock e Weather Maker. É o episódio mais equilibrado da série até aqui: partes iguais de alívio cômico, tensão real e desenvolvimento emocional genuíno.
Para quem ainda não acompanha: We Are All Trying Here é um dorama sul-coreano que segue um grupo de pessoas tentando sobreviver no mundo do cinema e da escrita criativa. Dong-man é um roteirista que vivia na margem, e a série acompanha cada tropeço e conquista desse ensemble com uma honestidade que raramente se vê no gênero. Sem heróis perfeitos, sem vilões caricatos. Só gente tentando.
O que acontece no episódio 9 de We Are All Trying Here
O episódio abre com Hye-jin revelando que leu o roteiro de Dong-man e que, contrariando as próprias expectativas, gostou. Ela admite estar “tentada”, o que já é uma virada considerável para uma personagem que até aqui operava quase como antagonista. Depois de assinar o contrato, Dong-man fica assustado com o peso do que fez, e Hye-jin não ajuda muito ao listar tudo que ele precisa apagar das redes sociais antes de qualquer coisa vazar para a imprensa. A pressão é real desde o primeiro minuto.
O grupo The Eight celebra a conquista de Dong-man, mas o clima está longe de ser só festivo. Yeong-su e os outros continuam aquela encenação sobre o processo de produção cinematográfica, enquanto Hye-jin mantém firme a filosofia dela: pressão cria diamantes. Ela quer empurrar Dong-man ao limite para ver se ele afunda ou nada. É uma abordagem cruel na superfície, mas a série deixa em aberto se isso é crueldade ou pragmatismo.
A parte mais divertida do episódio, e também a que revela mais sobre o personagem, é a sequência com o agiota. Dong-man deve 5 milhões de won já pagos, mas ainda carrega uma dívida considerável que contraiu para pagar uma cirurgia de emergência do gato. Quando o agiota manda mensagem para toda a lista de contatos dele com prints da dívida, Dong-man poderia ter entrado em pânico. Em vez disso, ele vai pessoalmente até o cara e deixa claro que não vai mais aceitar intimidação. A cena tem um humor muito bem calibrado, incluindo o detalhe do colar de ouro que Dong-man desafia por telefone e o cara obviamente está usando. Mas por baixo da comédia, há uma virada real: Dong-man descobre que o medo que sentia desse homem era maior do que o homem em si.

A relação entre Dong-man e Eun-a continua sendo o coração emocional da série. Tem uma cena na passagem de nível que é simples e funciona exatamente por isso: ela pede que ele ensaie o discurso de premiação e ele menciona ela como a razão de estar ali. Não é grandioso. É o tipo de momento que We Are All Trying Here no IMDb já está acumulando elogios justamente por capturar com naturalidade.
A batalha dos roteiros e o que isso muda na dinâmica da série
Jeong-hui descobre que o roteiro Knock, Knock, Knock, desenvolvido pela Choi Film, foi escrito com contribuição de Eun-a, que assina sob o pseudônimo Yeong-sil. Ela reconhece o estilo do diálogo e sabe que aquele texto tem a marca da Eun-a. Isso coloca o projeto em rota de colisão direta com Weather Maker, o projeto que Hye-jin acredita ser uma melhora considerável em relação ao roteiro que Dong-man submeteu ao concurso.
O Diretor Choi descobre que Eun-a ajudou a aprimorar o roteiro e a repreende na frente de todos no trabalho, ameaçando consequências caso ela continue colaborando com outros projetos fora da empresa. É uma cena incômoda de assistir, o tipo de abuso institucional silencioso que o dorama vem retratando sem romantizar. Eun-a não explode, não chora. Absorve. E o episódio deixa isso incomodar o espectador do jeito certo.
Jeong-hui fica em uma posição ambígua nessa história toda. Ela sabe o que sabe, mas o episódio não revela o que vai fazer com essa informação. É esse tipo de suspense lateral que funciona bem em dramas de ensemble, porque lembra o que críticos no Rotten Tomatoes já apontam sobre a série: ela constrói tensão sem precisar de grandes golpes de roteiro.
Mi-ran merece mais atenção do que a série deu até aqui
Uma das melhores adições do episódio é o tempo dedicado a Mi-ran. Ela liga para Eun-a depois que esta saiu do projeto de Jun-hwan e as duas se encontram para conversar. Mi-ran é honesta de um jeito que pega de surpresa: ela admite que não sabe atuar, que as pessoas a veem como forçada, e que ainda está digerindo o ex-namorado Hyeong-u dizer que nunca teve sentimentos reais por ela.
Essa vulnerabilidade muda como Eun-a, e o espectador, enxerga Mi-ran. A série está claramente posicionando ela para integrar o projeto de Dong-man, e se isso acontecer, vai ser interessante ver como o dorama trata a jornada de alguém que precisa provar valor para si mesmo antes de qualquer outra pessoa. Lembra um pouco o arco de personagens em séries de ensemble como Paper Tiger, onde figuras secundárias carregam peso narrativo real quando o roteiro finalmente abre espaço para elas.
We Are All Trying Here vale a pena assistir?
Sim, e o episódio 9 é um dos melhores argumentos para isso. A série tem 4 de 5 na avaliação do episódio, e é fácil entender por quê. Ela não depende de grandes reviravoltas nem de dramas desnecessários. Depende de personagens que crescem de forma crível, de relações que se desenvolvem com paciência e de um roteiro que respeita a inteligência de quem assiste.
We Are All Trying Here está chegando ao ato final com menos de cinco episódios pela frente. A batalha entre Knock, Knock, Knock e Weather Maker está montada. Dong-man está mais inteiro do que nunca. E Eun-a ainda tem contas a acertar com o Diretor Choi. Se a série mantiver esse ritmo, o desfecho tem tudo para ser satisfatório. Se você ainda não começou, esse é o momento.

























