Sessão de Terapia volta à 6ª temporada com 35 episódios no Globoplay e mantém a força de discutir saúde mental, traumas e relações humanas quase sempre dentro de uma única sala. Nesta nova fase, Selton Mello retorna como Caio Barone, agora mais ameno, em autocuidado e lidando com maternidade, envelhecimento, pressão profissional, autocobrança e os limites emocionais do próprio terapeuta.
Se você não viu as temporadas anteriores, a série continua exatamente onde sempre soube funcionar melhor: no diálogo direto, no desconforto silencioso e nas rachaduras que aparecem quando ninguém consegue sustentar a própria máscara por muito tempo. Sessão de Terapia é uma obra que conversa com o Brasil de hoje porque trata de temas muito presentes na vida real e faz isso sem sair praticamente de uma sala, o que deixa tudo mais íntimo e tenso.
O que muda na 6ª temporada de Sessão de Terapia?
Sessão de Terapia não muda o seu DNA, mas afina o foco. A temporada nova apresenta Caio Barone retomando os estudos, buscando atualização profissional e aceitando supervisionar colegas pela primeira vez. Isso já cria uma tensão diferente, porque o terapeuta, que sempre foi o ponto de equilíbrio dos outros, passa a ser observado de perto e também passa a falhar como qualquer pessoa comum. Selton Mello resumiu bem esse movimento ao dizer que a nova fase mostra que o terapeuta também falha com a própria vida, com os dramas e com a história.
O nome que mexe com esse equilíbrio é Érica, vivida por Olivia Torres. Ao acompanhá-la profissionalmente, Caio se confunde e acredita estar diante de um possível envolvimento amoroso, o que o desestabiliza. Essa virada funciona porque tira o personagem da posição confortável de quem sempre escuta e o coloca no lugar de quem também pode se perder. É o tipo de situação que faz Sessão de Terapia parecer menos um drama de consultório e mais um espelho incômodo, daqueles que a gente evita encarar até perceber que já está olhando faz tempo.
Outro ponto forte está na supervisão que Caio busca para si com Rosa Gabriel, interpretada por Grace Passô. A personagem desafia o terapeuta em lugares que ele ainda não conseguiu acessar, e isso amplia a ideia de que ajuda profissional também exige vulnerabilidade de quem atende. Eu gosto muito desse caminho porque ele evita transformar o protagonista em um herói emocional; ele continua humano, falho e às vezes desorientado, o que aproxima a série do público sem precisar de grandes firulas.
Os novos pacientes também trazem conflitos muito reconhecíveis. Bella Camero vive Ingrid, obcecada por produtividade e reconhecimento profissional. Paulo Gorgulho interpreta Ulisses, um empresário que encara a negação do envelhecimento. Já Alice Carvalho dá vida a Morena, uma mulher sobrecarregada pelos cuidados familiares. São temas contemporâneos e, honestamente, a série acerta em cheio quando mostra que as feridas não vêm só de traumas grandiosos, mas também da rotina, da cobrança e da sensação de estar sempre atrasado para a própria vida.
Há ainda um detalhe que ajuda a série a se manter viva depois de tantos anos: o acúmulo afetivo da produção. Selton fala sobre dirigir e atuar ao mesmo tempo como uma experiência dupla, quase esquizofrênica no bom sentido, porque ele observa como diretor e é observado como ator. Essa dinâmica combina perfeitamente com Sessão de Terapia, que continua sendo uma série de exposição emocional, mas sem parecer fria. O ambiente, segundo o próprio ator, é agradável nos bastidores, e isso ajuda a entender por que a obra preserva fôlego depois de tanto tempo.

Se a comparação ajuda, a sensação é parecida com a de assistir a um drama que aposta mais em escuta do que em evento, algo que quem gosta de produções centradas em personagens reconhece rápido. Só que Sessão de Terapia faz isso com uma identidade muito própria, e talvez seja por isso que a versão brasileira tenha ido tão longe.
Por que Sessão de Terapia fala tanto sobre saúde mental?
Sessão de Terapia fala de saúde mental porque usa o consultório como um lugar de conflito social, afetivo e profissional, não apenas como cenário de conversa. A série pega maternidade, envelhecimento, autocobrança, luto e pressão de carreira e transforma tudo isso em matéria dramática. Selton Mello foi direto ao dizer que considera a série uma resposta pela arte a algo cada vez mais necessário, e essa sinceridade aparece no jeito como a narrativa trata o assunto sem romantizar dor.
Também chama atenção o fato de a série continuar sendo relevante mais de dez anos depois da estreia. Baseada originalmente na israelense BeTipul, a adaptação brasileira ganhou identidade própria e virou a única versão da franquia no mundo a chegar à sexta temporada. Esse dado, por si só, já mostra a força do projeto. Para quem gosta de números, a temporada tem 35 episódios, e cinco capítulos serão liberados semanalmente às sextas-feiras, o que ajuda a sustentar o interesse ao longo da exibição.
Outra camada importante é o jeito como Sessão de Terapia trata o terapeuta. Caio não está blindado. Ele carrega lembranças da filha, feridas do passado e o próprio luto, e a temporada usa isso para fechar um ciclo e abrir outro. Isso evita a armadilha de transformar a terapia em manual de autoajuda. Aqui, o processo continua bagunçado, e talvez seja justamente por isso que pareça verdadeiro.
Se você quiser conferir o material oficial da nova fase, a página do teaser da 6ª temporada de Sessão de Terapia no gshow reúne a proposta da leva nova. Já para quem gosta de checar a ficha geral da obra, a página de Sessão de Terapia no IMDb ajuda a situar a série dentro da trajetória internacional da franquia.
O que Selton Mello diz sobre o futuro da série?
Selton Mello defende que Sessão de Terapia deveria ir para a TV aberta, e a justificativa dele é simples: a série é importante demais para ficar restrita a um canto específico do streaming. Ele chega a dizer que colocaria a produção na programação de madrugada, começando pela primeira temporada, porque acredita que haveria público. Essa fala combina com o histórico da obra, que parece feita para resistir ao tempo, não para depender de moda passageira.
O ator também fala com carinho do início da carreira, dizendo que carrega até hoje a espontaneidade da infância para o trabalho atual. Isso ajuda a entender por que ele parece tão confortável no papel de Caio Barone depois de tantos anos. Há uma naturalidade ali que não soa ensaiada, e isso dá à série uma vibração diferente de muitos dramas mais engessados. Não é uma obra que tenta impressionar o tempo todo, e eu acho isso um mérito enorme.
Outro ponto que vale notar é a presença de Grace Passô e Olivia Torres, que ampliam o campo emocional da temporada sem roubar o centro de Selton. O resultado é um conjunto que funciona porque cada personagem entra para tensionar o espaço, não só para preencher episódio. Quando a série acerta, ela acerta justamente nesse jogo de presença e silêncio, em que uma conversa vale mais do que um grande acontecimento externo.
Vale a pena assistir Sessão de Terapia?
Sessão de Terapia vale a pena porque continua sendo uma das poucas séries brasileiras que tratam saúde mental com seriedade, consistência e fôlego longo. A 6ª temporada mantém o formato enxuto, trabalha conflitos bem atuais e ainda entrega Selton Mello em um dos papéis mais duradouros da TV brasileira. Se você gosta de drama psicológico e de histórias baseadas em conversa, essa é uma aposta segura.
Ao mesmo tempo, não é uma série para quem espera ritmo acelerado ou grandes reviravoltas a cada episódio. O encanto dela está no oposto disso: observar gente quebrando por dentro, tentando se reorganizar e descobrindo que ouvir também é um tipo de enfrentamento. No fim, Sessão de Terapia continua relevante porque fala do que muita gente vive e quase ninguém sabe nomear. Se você ainda não viu, essa é uma boa hora para começar pelo Globoplay e entender por que a série chegou tão longe.


























