Irmãos de Orfanato está explodindo na Netflix e deixando todo mundo com a mesma pergunta martelando na cabeça: afinal, quem diabos é o pai da Leïla? O thriller de ação francês dirigido por Olivier Schneider virou febre mundial não só pela pancadaria e pelas perseguições alucinantes, mas principalmente pelo mistério emocional que o filme se recusa a resolver da forma tradicional. E essa recusa proposital tá dividindo o público entre quem ama a ambiguidade e quem tá puto da vida por não ter uma resposta clara.
O filme acompanha Leïla, uma adolescente de 17 anos que perde a mãe Sofia num acidente de carro suspeito demais pra ser acidente. Esse luto força o reencontro de dois caras que cresceram juntos num orfanato mas que hoje vivem em mundos completamente opostos. De um lado, Gab, um policial linha-dura da corregedoria interpretado por Alban Lenoir. Do outro, Driss, um faz-tudo do submundo do crime vivido por Dali Benssalah. O detalhe que complica tudo? Ambos se envolveram com Sofia no passado, e qualquer um dos dois pode ser o pai biológico da garota.
A Resposta Que Vai Te Frustrar
Se você tá esperando uma cena com teste de DNA, envelope sendo aberto dramaticamente e música emocionante enquanto descobrimos quem é o verdadeiro pai, sinto muito mas vai ficar esperando até o fim dos tempos. O roteiro oficial faz questão absoluta de não entregar uma confirmação biológica. A identidade do pai de Leïla permanece tecnicamente uma incógnita até os créditos subirem.
Mas isso não significa que o filme não dá pistas. Na verdade, ele dá várias. O problema é que as pistas apontam pra direções diferentes dependendo de como você interpreta.
As Pistas Sobre Driss
Durante a história, existem momentos que apontam fortemente pra Driss como o pai de sangue. Ele mesmo chega a mencionar que enxerga em Leïla traços da própria mãe dele, sugerindo que existe ali uma herança genética, uma conexão de sangue real. Algumas análises chegam a cravar que Driss é de fato o pai biológico, mas que tinha fugido do orfanato no passado por causa de traumas e abusos, deixando a garota pra trás.
Tem uma cena em particular onde Driss olha pra Leïla de um jeito que não é só proteção. É reconhecimento. Como se ele visse nela pedaços de pessoas que ele perdeu, incluindo a própria mãe. Esse olhar carrega peso demais pra ser só amizade ou responsabilidade moral.
O Papel de Gabriel Como Pai Presente
Por outro lado, Gab surge na narrativa com uma postura quase instantaneamente paterna. Mesmo que a biologia seja incerta, ele assume a figura de provedor e protetor sem pestanejar. Algumas interpretações do filme apontam que Gabriel acabou se tornando o pai adotivo e presente, cuidando de Leïla desde pequena enquanto Driss estava ausente fazendo sabe-se lá o quê no submundo do crime.
Gab carrega a mesma convicção de paternidade que Driss. Quando ele fala da garota, não tem dúvida, não tem hesitação. É “minha filha”, ponto final. Não “talvez minha filha” ou “possivelmente”. Ele simplesmente decidiu que é pai e pronto.
A Cena Que Define Tudo

A grande sacada de Irmãos de Orfanato não é descobrir quem tem a genética compatível com a adolescente, mas sim discutir o que realmente significa ser família. E a resposta pro mistério da paternidade explode no clímax do filme de uma forma que é simultaneamente frustrante e brilhante.
Durante a intensa batalha final numa casa abandonada sob tempestade, um cenário que espelha o próprio orfanato vazio e precário onde os protagonistas cresceram, Leïla entra em pânico ao ver um deles gravemente ferido. Em desespero total, ela grita a palavra “pai!”, e adivinha o que acontece? Tanto Gab quanto Driss reagem ao mesmo tempo.
Por Que Essa Cena É Genial
Esse é o momento que define a obra inteira. A paternidade não é um fato a ser provado por exames de laboratório, mas uma responsabilidade a ser escolhida ativamente, dia após dia. O filme usa essa cena pra consolidar a ideia de paternidade compartilhada. Pra salvar a garota que amam e honrar a memória de Sofia, os dois homens precisam engolir o orgulho, superar a velha rivalidade infantil, e interromper o ciclo de abandono e orfandade que os moldou.
É poético, é frustante, e é absolutamente proposital. O diretor Olivier Schneider não quer que você saiba quem é o pai biológico porque essa informação seria irrelevante diante da presença e do sacrifício.
Por Que o Filme Termina Sem Um Vencedor
Ao se recusar a dar uma resposta biológica mastigada, Schneider transmite uma mensagem muito forte: a biologia é irrelevante diante da presença e do sacrifício. Se o filme revelasse que Gab é o pai, Driss seria rebaixado a um mero capanga ajudando um amigo. Se Driss fosse o confirmado, Gab seria apenas o “policial de bom coração” fazendo caridade.
Ao manter a dúvida, o roteiro garante que ambos lutem com a mesma motivação visceral. Não é sobre quem tem direito legal ou genético. É sobre quem tá disposto a arriscar tudo, a morrer se necessário, pra proteger essa garota. E a resposta é: os dois.
O Que Isso Significa Pro Final
No fim, Leïla pode ter perdido a mãe, mas ganhou duas figuras paternas dispostas a arriscar tudo por ela. Ela quebrou de vez o isolamento que dá nome ao filme. Não é mais uma órfã. Ela tem família, mesmo que essa família não se encaixe nos moldes tradicionais.
A última cena mostra Gab e Driss no funeral de Sofia, brincando amigavelmente com um florete de esgrima. A amizade foi restaurada. A rivalidade acabou. E Leïla tem os dois olhando por ela. É um final feliz, mas de um jeito nada convencional.

A Polêmica Nos Comentários
Nos comentários da Netflix e nas redes sociais, a reação ao final ambíguo divide opiniões de forma agressiva. Tem gente elogiando a profundidade emocional da escolha narrativa, chamando de “cinema adulto que não subestima a inteligência do público”. Mas tem gente também chamando de “preguiça de roteiro” e “enrolação barata pra não ter que decidir”.
Um comentário que viralizou no Twitter dizia: “Assisti duas horas de filme esperando uma resposta e me dão filosofia barata sobre o que é ser pai. Odeio isso”. Outro respondia: “Você perdeu completamente o ponto. O filme não é sobre biologia, é sobre escolha”.
Por Que As Pessoas Ficam Frustradas
A frustração vem de uma expectativa criada pelo próprio marketing do filme. Os trailers vendem Irmãos de Orfanato como um thriller de ação com mistério. E realmente é isso. Mas o mistério não é resolvido da forma que a gente espera de um thriller tradicional. Não tem aquele momento de “aha!” onde tudo se encaixa e você sai satisfeito.
Em vez disso, o filme te dá algo mais complexo e emocional. Mas nem todo mundo quer complexidade emocional quando sentou pra assistir um filme de ação francês numa quinta à noite depois do trabalho. Algumas pessoas só queriam ver porrada e ter uma resposta clara no final.
O Que Acontece Com os Vilões
Enquanto o mistério da paternidade domina as discussões, o filme também resolve outras pontas soltas de forma interessante. A vilã Christina Rovelli, uma executiva poderosa que contrata o assassino Jonas pra eliminar Sofia e depois vai atrás de Leïla, tem um arco de redenção surpreendente.
Ela desiste da vingança quando percebe que seu próprio comportamento tóxico foi o que levou o filho Mathias ao suicídio. É um momento de clareza brutal onde ela vê que tá repetindo o ciclo de violência e destruição. No final, ela se entrega pra polícia voluntariamente.
Leïla Consegue a Vingança Dela?
Leïla passa boa parte do filme querendo vingança pela morte da mãe. Ela quer sangue, quer fazer os responsáveis pagarem. Mas graças à intervenção de Gab e Driss, ela desiste de se tornar uma assassina. Eles literalmente salvam a alma dela, impedindo que ela entre no mesmo caminho de violência que destruiu tantas vidas.
É interessante porque o filme poderia facilmente ter ido pro caminho de “garota órfã vira assassina badass e mata todo mundo”. Seria satisfatório no momento. Mas o filme escolhe o caminho mais difícil e mais realista: mostrar que vingança não resolve nada e só perpetua o ciclo.
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Por Que Irmãos de Orfanato Funciona Apesar da Ambiguidade
O filme funciona porque a ambiguidade sobre a paternidade não é falha de roteiro ou preguiça. É uma escolha narrativa consciente que serve ao tema central da obra: o que significa ser família quando você cresceu sem ter uma?
Gab e Driss cresceram num orfanato. Eles sabem o que é não ter pai, não ter mãe, não ter ninguém. Eles conhecem a dor do abandono de forma visceral. Então quando surge a possibilidade de serem pais, ambos agarram essa oportunidade com tudo que têm, independente de biologia.
A Mensagem Sobre Paternidade Moderna
O filme toca num tema que ressoa em 2026: famílias não tradicionais são tão válidas quanto famílias convencionais. Leïla não precisa de um pai biológico confirmado. Ela precisa de figuras paternas presentes, que se importam, que lutam por ela. E ela tem dois.
É uma mensagem progressista embalada num filme de ação francês cheio de porrada. E funciona porque não é forçado, não é pregação. É orgânico à história e aos personagens.
Vale a Pena Assistir Mesmo Sem Resposta Clara?
A resposta curta é: sim, definitivamente vale. Irmãos de Orfanato é muito mais do que o mistério da paternidade. As cenas de ação são excepcionalmente bem filmadas, com coreografias de luta que rivalizam com produções de Hong Kong. A cinematografia é linda, especialmente nas cenas noturnas sob chuva.
O elenco entrega performances sólidas. Alban Lenoir como Gab traz aquela intensidade contida de policial que viu merda demais. Dali Benssalah como Driss tem carisma de sobra e faz você torcer por um criminoso. E a jovem atriz que interpreta Leïla (cujo nome o filme não divulga amplamente) segura a parte emocional com maturidade impressionante.
O Que Esperar
Prepare-se pra violência gráfica mas não gratuita. As cenas de luta são brutais mas têm propósito narrativo. Prepare-se também pra não ter todas as respostas mastigadas. Se você é do tipo que precisa de closure definitivo em tudo, pode se frustrar. Mas se você consegue lidar com ambiguidade proposital, vai sair satisfeito.
O filme tem 1h47min de duração e mantém o ritmo durante todo o tempo. Não tem aqueles 20 minutos no meio que poderiam ser cortados. É enxuto, direto ao ponto, eficiente.
Irmãos de Orfanato está disponível na Netflix desde fevereiro de 2026 e já acumula milhões de visualizações mundialmente. Assista, forme sua opinião sobre quem é o pai, e participe do debate infinito nos comentários. Porque se tem uma coisa que esse filme consegue, é fazer as pessoas discutirem.


























