Euphoria entrega no seu quinto episódio da terceira temporada um dos capítulos mais corajosos da série até agora. Cassie Howard chega a 50 mil assinantes no OnlyFans, Maddy Perez cruza a linha entre agente e cúmplice do crime, e Rue é literalmente enterrada até o pescoço por Alamo depois que seu disfarce como informante da DEA desmorona por completo. Tudo isso em menos de uma hora de televisão que alterna entre comédia surreal e terror puro.
Para quem está chegando agora: Euphoria é a série da HBO estrelada por Zendaya como Rue, uma adolescente em recuperação do vício em drogas. A terceira temporada abandonou os corredores coloridos do colégio para apostar em uma estética de cinema noir rodada em 65mm, com planos abertos e trilha sonora completamente diferente das temporadas anteriores. O criador Sam Levinson está testando até onde pode ir, e esse episódio prova que a resposta é: bem longe.
A metamorfose surreal de Cassie e o jogo frio de Maddy
O arco de Cassie neste episódio beira o delirante de propósito. A direção aposta em uma sequência onírica em que a personagem se transforma em uma giganta que aterroriza Los Angeles, em homenagem ao clássico A Mulher de 15 Metros, de 1958. Funciona como metáfora visual do ego inflado de quem acredita estar no controle enquanto continua submissa a todo mundo ao redor. Sydney Sweeney carrega essa contradição com uma entrega que vai do ridículo ao patético sem perder o fio.
A série ainda insere um metacomentário ácido sobre as polêmicas reais da atriz, fazendo Cassie adotar discursos de extremismo político em podcasts duvidosos, com participação de Trisha Paytas. É uma jogada arriscada que funciona porque nunca tira o olho da lógica interna da personagem: Cassie faz qualquer coisa por validação, e a série usa isso sem piedade.
Maddy, por sua vez, declarou ter alcançado a chamada equanimidade, uma palavra bonita para descrever a ausência total de empatia com a ex-amiga. Ao manipular Lexi e forjar uma audição para a novela LA Nights, onde Cassie declamar Shakespeare beira o cafona mas prova o ponto narrativo, Maddy se consolida como predadora brilhante. Alexa Demie entrega a performance mais controlada e assustadora da temporada aqui.

Maddy Perez e a banalidade do mal
O encontro no restaurante entre Maddy e Alamo é conduzido por Sam Levinson como um duelo sutil onde o instinto capitalista fala mais alto que qualquer moral. Maddy não se intimida. Afirma sem piscar que não tem medo de lucrar em cima do estigma do trabalho sexual. É a declaração de uma personagem que cruzou uma linha sem volta.
Quando ela leva Alamo ao clube e inspeciona as dançarinas como mercadoria, escolhendo Kitty e Magick para seu portfólio, Euphoria transforma Maddy de agente de influenciadores em cúmplice de um esquema que freia em tráfico humano. A série não suaviza isso. E é exatamente esse desconforto que torna o episódio memorável.
Nate e Jules: dois personagens presos no mesmo ciclo de humilhação
Nate Jacobs, o arquétipo do adolescente intimidador das primeiras temporadas, agora dança de pijama em uma mansão destruída. Seu rebaixamento não é apenas financeiro: perder o dedo e ter o dedão do pé arrancado pelo capanga de um agiota funciona como metáfora grotesca da castração de poder de um personagem que construiu toda a identidade em torno da dominância. É gráfico. É intencional.
Jules está em situação diferente, mas igualmente paralisada. Relegada ao apartamento luxuoso do amante cirurgião, a personagem não avança. Quando Ellis encontra roupas de Rue e explode de raiva com medo de contrair doenças, a farsa da vida glamourosa desmorona e Jules volta ao papel de fetiche descartável. É o arco mais mal aproveitado do episódio, e dá para perceber que a série ainda não sabe bem o que fazer com ela nessa terceira temporada.
O terror do clandestino e o fim da linha para Rue
Temáticas de tamanho e poder ecoam durante todo o episódio de forma quase obsessiva. Cassie se imagina colossal. Alamo reage com violência extrema, quase matando um capanga com um furador de gelo, ao receber roupas de tamanho errado. É insegurança perigosa disfarçada de autoridade.
É essa insegurança que torna o destino de Rue aterrorizante. Quando Magick aponta as falhas óbvias no disfarce dela, como não reconhecer a voz dos próprios assaltantes, a sentença é selada. G e Bishop obrigam Rue a cavar o próprio túmulo até ser enterrada pelo pescoço em uma cena que evoca terror psicológico puro. Zendaya não precisa de muito texto aqui. O medo está no rosto. O corte para o escuro com Alamo galopando em sua direção empunhando um taco é o momento mais brutal que Euphoria já entregou.
Quem acompanhou Breaking Bad vai reconhecer o mesmo tipo de tensão acumulada: a sensação de que o personagem foi longe demais e não há caminho de volta. Euphoria está operando nesse nível agora, e é difícil não sentir o peso disso.
Para quem gosta de acompanhar outras séries com personagens em espirais de consequências, o thriller de ficção científica com Wagner Moura The Last House também explora esse tipo de narrativa de pressão crescente.
Vale a pena assistir ao episódio 5 da terceira temporada de Euphoria?
Sim, sem dúvida. Este é o episódio que define para onde a terceira temporada está indo e confirma que Euphoria não tem mais interesse em ser a série que era. O IMDB registra Euphoria com nota 8.4, e esse episódio justifica cada décimo dessa avaliação para quem estava com dúvida sobre a nova fase.
Sydney Sweeney, Alexa Demie e Zendaya entregam performances que sustentam até os momentos mais bizarros do roteiro. O arco de Jules ainda parece subaproveitado, e isso incomoda, mas não compromete o conjunto. Euphoria transformou os corredores coloridos do colégio em um tribunal implacável da vida adulta, e o chocante corte para o escuro no final deste episódio garante que a expectativa para os próximos capítulos seja angustiante da melhor forma possível. Assista na HBO Max.




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