Paulicéia Desvairada: o prefácio é mais manifesto que a obra

A Semana de Arte Moderna, evento realizado no Teatro Municipal de São Paulo, inaugurou a fase modernista das principais expressões artísticas do Brasil. Um dos grandes expoentes desse movimento é o autor Mário de Andrade, tão paulistano quanto o evento, que escreveu, dentre tantos outros títulos relevantes, “Paulicéia desvairada”. Em seu prefácio, o autor produz […]
Desnecessária felicidade

O propósito da vida é a felicidade, certo? Pra uns, casar, ter filhos, ver a família crescer , morrer tendo conhecido os bisnetos. Pra outros, uma memória com coleções de lembranças sobre aventuras amorosas. Acho que é correto dizer que o que faz cada um feliz tem um grau considerável de variação. Alguns até diriam […]
Análise comparativa: canções da inocência no holocausto

“Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! (…)” É, todos têm um pouco de saudades da infância, afinal, é uma época da vida em que tudo é fácil e em que somos inocentes, ainda não tocados pela frialdade da experiência de […]
A adjetivação “exagerada” em Senhora, de José de Alencar
Lançamos um desafio literário: encontrar na obra “Senhora” um período onde não haja um adjetivo. Difícil? Com certeza! Afinal, José de Alencar é conhecido por sua larga caracterização de cenários, ações e personagens em suas obras. Entretanto, pode-se dizer que em “Senhora” temos um recorde. Muitos leitores acham essa característica da obra um fator cansativo […]
A cachorra do Alvorada

Havia uma história contada pelos primeiros habitantes de uma terra tupiniquim, cuja lenda rezava que os governantes daquele país, invariavelmente, agiam com plena justiça. Para você, caro leitor, ter certa noção do que digo, ou melhor, revivo, é que não haviam nesse espaço geográfico qualquer nativo que chegasse perto da miséria, muito pelo contrário, havia […]
Augusto dos Anjos era Go Veg?

Augusto dos Anjos é conhecido por sua poesia excêntrica e macabra, focando o grotesco e uma visão fria da vida como forma de criar suas reflexões e críticas. Há alguns de seus poemas que seguindo essa mesma linha de retratar o grotesco nos trazem uma visão interessante sobre a morte, observe: À Mesa Cedo à […]
Travaillons donc à bien penser. Voilá le principe de la morale.

Theodore Dalrymple, pseudônimo do psiquiatra inglês Anthony Daniels, é um daqueles amargos e certeiros autores de crítica social que aparecem de tempos em tempos, e que suscitam sentimentos extremos: não é possível gostar ou não gostar dele. Ou se ama, ou se odeia. Dalrymple, em seus escritos, guia o leitor nos emaranhados das próprias reflexões […]
A simbologia do “verme” na literatura mundial
É de conhecimento geral que um dos principais temas da literatura é a morte, personagem sempre presente nas pontas das canetas dos poetas e algoz eterno da humanidade. A morte é com absoluta certeza um dos temas que mais intriga o homem não somente na literatura, mas em todas as formas de arte e na […]
O que eu descobri lendo Elena Ferrante

O ano era 2004, eu estava na segunda série do fundamental – o terceiro ano de hoje – quando a conheci. Até então, não tinha feito muitas amizades, sempre gostei de ficar na minha, só falar quando falavam comigo. O problema é que crianças precisam de amigos, eu sabia que não sobreviveria ali sozinha; decidi […]
[Quarta Poética] ATÉ QUE A MORTE ME UNA

Silêncio. Onde a palavra nasce e depois morre. Tobogã onde toda sílaba escorre. Um nada antes e outro depois. Uma ausência final diferente. No começo não se existe. No fim, sobra-se na memória (túmulo vivo) que carregam da gente. Antes da chegada, o desconhecido. Partido, entre outros distribuído, até, com (ou sem?) sorte, ser esquecido […]