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Hokum: o que era real e o que foi alucinação?

Hokum: O Pesadelo da Bruxa misturou culpa e terror. Veja o que foi real, o que foi alucinação e por que o final fecha a
Hokum: O Pesadelo da Bruxa

Hokum: O Pesadelo da Bruxa responde à dúvida principal com bastante clareza: nem tudo no filme é alucinação, e a bruxa existe de verdade dentro da lógica da história. O que confunde, de propósito, é a forma como o trauma de Ohm, a culpa pela morte da mãe e o uso de cogumelos alucinógenos embaralham o que ele vive no hotel. Em outras palavras, Hokum: O Pesadelo da Bruxa é um terror sobre culpa porque transforma o horror sobrenatural em algo que também nasce da cabeça do protagonista.

Se você saiu do cinema sem saber o que aconteceu de fato, a confusão faz parte da proposta. O longa dirigido por Damian McCarthy acompanha Ohm Bauman, um escritor amargurado que vai a um hotel isolado na Irlanda para cumprir o último desejo dos pais falecidos. Ao longo da estadia, ele cruza com uma bruxa folclórica, um gerente hostil e uma cadeia de violências que deixa a trama cada vez mais sombria. Para quem gosta desse tipo de terror com camadas, Hokum: O Pesadelo da Bruxa conversa bem com títulos de atmosfera fechada, como você também encontra em Jack Ryan: Guerra Fantasma diverte, mas soa TV demais.

O que realmente aconteceu em Hokum: O Pesadelo da Bruxa?

O ponto mais importante é este: a bruxa não é só fantasia. Dentro do filme, ela age como uma força de punição, quase uma cobrança moral, e não como a vilã tradicional que ameaça por maldade gratuita. A história deixa claro que ela castiga homens que cometeram violência contra mulheres. Isso ajuda a entender por que o filme não trata o sobrenatural como um susto vazio, mas como parte de uma lógica de julgamento.

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Ao mesmo tempo, Hokum: O Pesadelo da Bruxa também mostra que a mente de Ohm está quebrada. Ele carrega uma culpa antiga pela morte acidental da mãe, quando ainda era menino, e esse trauma molda toda a percepção dele. O filme usa esse passado para explicar por que o protagonista enxerga o mundo como um lugar de punição constante. A meu ver, é justamente aí que o roteiro funciona melhor, porque o terror externo e o interno se alimentam um do outro.

No hotel, o verdadeiro monstro humano é Mal, o gerente interpretado por Peter Coonan. Ele esconde a gravidez de Fiona, a bartender, a dopou durante o Halloween e a trancou para que morresse isolada. Quando a verdade vem à tona, o filme deixa de lado qualquer ambiguidade sobre a crueldade dele. Mal é mais assustador que a própria criatura folclórica porque tem escolha, intenção e frieza. Essa diferença é o que dá peso ao final de Hokum: O Pesadelo da Bruxa.

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Outra peça importante é a morte de Jerry, o morador local que acaba assassinado por Mal com uma besta. Esse detalhe ajuda a mostrar como a violência no hotel vai escalando até virar incêndio, caos e acerto de contas. Quando Mal desce ao porão para recuperar a chave, ele é arrastado pela bruxa para o inferno. O filme fecha esse arco com punição direta, sem tentar amenizar a monstruosidade dele.

Hokum: O Pesadelo da Bruxa
Hokum: O Pesadelo da Bruxa | Fonte: flixlandia.com.br

O que foi alucinação e o que prova que a bruxa era real?

Essa é a segunda grande dúvida de quem termina o filme. Depois que Ohm acorda no hospital, surge a sensação de que tudo pode ter sido efeito dos cogumelos colocados em sua bebida por Alby, o mensageiro do hotel. Alby faz isso por vingança, já que foi tratado com grosseria por Ohm e até queimado com uma colher quente. Então, sim, parte da experiência do protagonista passa por um estado alterado de percepção.

Mas o roteiro dá pistas para separar delírio e realidade. Os hematomas nos pulsos de Ohm, causados pelas correntes da bruxa, mostram que ele realmente esteve em perigo físico. Além disso, a própria lógica visual do filme ajuda a entender o que é alucinação. A figura chamada Jack the Jackass, o homem com cabeça de burro que aparece na televisão, não surge refletida nos óculos de Ohm, aparecendo só como estática. Já a bruxa possui reflexo nas lentes, o que indica presença real dentro daquela narrativa.

Esse detalhe é inteligente porque o filme não precisa explicar tudo com exposição. Ele sugere, deixa o espectador observar e recompensa quem presta atenção. É um recurso que me lembrou a forma como alguns terrores psicológicos usam o enquadramento para separar o que é trauma do que é fato. Se você gosta de histórias que misturam folclore, fantasia e desespero íntimo, vale ler também 10 livros de fantasia que dominaram a década.

Por que o trauma de Ohm muda tudo em Hokum?

O trauma de infância é o motor emocional de Hokum: O Pesadelo da Bruxa. Quando menino, Ohm pegou o revólver do pai e disparou acidentalmente, matando a mãe. Essa culpa o acompanhou por décadas e o transformou num homem cínico, alcoólatra e suicida. Sem esse passado, o filme perderia boa parte da força, porque a viagem ao hotel seria só uma história de assombração.

O grande ponto de virada acontece quando a mãe aparece para confortá-lo no porão, dizendo que tudo não passou de um acidente. Essa conversa não é só um acerto emocional, ela também funciona como libertação. A pequena serra de mão que ela lhe entrega permite que Ohm rompa as correntes e escape. É uma cena que pega, porque o filme finalmente troca punição por perdão. Eu achei essa escolha mais interessante do que um final puramente trágico, justamente porque ela dá ao protagonista uma saída que faz sentido com o tema.

Depois disso, o arco de redenção se completa na reescrita do livro O Conquistador. No começo, a história criada por Ohm era brutal e niilista, com o explorador quebrando uma garrafa na cabeça de um menino só para conseguir um mapa. No final, tudo muda: o Conquistador se sacrifica, a criança joga a garrafa longe e os dois se abraçam chorando. Essa virada mostra que Ohm passou a enxergar a vida de outro jeito.

O mais curioso é que até a imagem final carrega significado. A garrafa cai perto do crânio de um carneiro, e o diretor usa isso como símbolo de esperança. Não é uma resolução grandiosa no sentido clássico, mas fecha o filme com uma ideia clara: a salvação estava por perto o tempo todo, só que Ohm não conseguia vê-la.

O final original de Hokum era mais sombrio?

Sim, e isso ajuda a entender por que o final que chegou aos cinemas parece tão mais equilibrado. Damian McCarthy revelou que, nos rascunhos iniciais, Ohm não escaparia do porão. Ele morreria nas mãos da bruxa, e o filme terminaria de forma completamente trágica. A mudança veio porque o diretor se perguntou, com razão, se alguém voltaria para assistir a algo tão fechado e desesperador.

Essa informação muda a leitura do longa, porque mostra um cineasta interessado em dar ao terror um mínimo de redenção sem apagar a dor. Hokum: O Pesadelo da Bruxa não vira um filme otimista, longe disso. Mas ele evita a frustração de um fechamento que só acumularia sofrimento. E isso é raro quando o assunto é terror psicológico com folclore.

Também ajuda que o filme não esconda sua estrutura moral. A bruxa pune quem merece, o vilão humano paga pelo que fez e Ohm encontra uma forma de parar de se punir. A simetria é simples, mas funciona.

Vale a pena assistir Hokum: O Pesadelo da Bruxa?

Vale, especialmente se você gosta de terror que mistura lenda, culpa e ambiguidade visual. Hokum: O Pesadelo da Bruxa não quer ser só um filme de sustos, ele quer fazer você pensar sobre o que é real, o que é memória e como a culpa distorce tudo. Nem todas as aparições funcionam com a mesma força, e o excesso de algumas imagens pode quebrar um pouco o clima, mas o conjunto continua sólido.

O que mais me ganhou foi o jeito como o longa trata a violência contra mulheres, a culpa masculina e o trauma infantil sem parecer panfletário. A bruxa não está ali por acaso; ela é uma peça de justiça dentro do folclore do filme. E o melhor é que o roteiro não tenta explicar tudo com excesso de fala, deixando espaço para interpretação.

Se você curte um terror mais denso, com final explicado que realmente fecha as pontas, Hokum: O Pesadelo da Bruxa entrega mais do que parece à primeira vista. Não é um filme leve, mas é daqueles que ficam na cabeça depois. No fim das contas, a resposta para a pergunta central é esta: parte do que Ohm vê é delírio, mas a ameaça principal é real, e o filme usa essa mistura para falar sobre culpa, punição e perdão de um jeito bem amarrado.

Para mais contexto sobre o título e sua recepção, você também pode consultar a página de Hokum no IMDb.

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