The Boys 5×07 é um episódio que divide ao mesmo tempo em que emociona: o sétimo e penúltimo episódio da quinta temporada entrega uma das mortes mais corajosas da série, sátira política genialmente absurda e atuações acima da média, mas também tropeça em resoluções preguiçosas de roteiro que deixam personagens importantes sem destino digno. É o tipo de episódio que você termina com o coração partido e a cabeça cheia de perguntas sobre escolhas criativas.
Para quem não está acompanhando: The Boys é a série do Prime Video que desconstrói o universo dos super-heróis mostrando o que aconteceria se eles fossem manipulados por corporações, mídia e política. Na quinta temporada, o Capitão Pátria (Homelander) assumiu o controle dos Estados Unidos de dentro do Salão Oval, a equipe de Billy Bruto está cada vez mais desesperada e o mundo está literalmente à beira do colapso. O episódio intitulado “O Francês, a Mulher e o Homem Chamado Leitinho de Mãe” coloca todas as peças no tabuleiro antes do desfecho final.
O que acontece em The Boys 5×07 e por que o Francês importa tanto
O grande acontecimento do episódio é a morte do Francês, e o roteiro tem a inteligência de construir o golpe desde os primeiros minutos. Logo no início, ele promete a Kimiko que os dois vão se mudar para a França e ter uma família. Qualquer fã experiente de séries sabe que esse tipo de promessa funciona como sentença de morte, mas mesmo sabendo disso, o desfecho dói. O Francês convence a apática Mana Sábia a ajudar nos cálculos de radiação necessários para fritar o Composto V no sangue do Capitão Pátria, e quando o vilão aparece antes do previsto, o químico esconde Kimiko em um duto de zinco, abre o urânio e os banha em radiação. O Capitão Pátria sangra e foge. O Francês não sobrevive. Vê-lo sucumbir nos braços de Kimiko, em silêncio, sem grandes discursos, é um dos momentos mais bem executados da temporada inteira.
Essa morte faz o que as melhores mortes de séries longas precisam fazer: eleva as apostas de forma irreversível. The Boys já matou personagens queridos antes, mas o Francês tinha uma presença afetiva única dentro do grupo, aquela mistura de leveza, fidelidade e dor que Karen Fukuhara e Tomer Capone construíram ao longo de cinco temporadas. Perder ele aqui, a dois episódios do fim, diz claramente que ninguém está seguro no grand finale.
O episódio também acerta ao revelar a nova origem do apelido de Leitinho. Diferente da versão sombria dos quadrinhos, a série mostra que ele ganhou o nome na infância por salvar e nutrir um pombo machucado, sendo zoado por isso. É um momento delicado e humano que contrasta perfeitamente com o caos ao redor, e um dos poucos instantes em que a série do Prime Video permite que um personagem respire sem precisar de ironia.

A sátira política de The Boys ainda funciona, mesmo quando exagera
Ver o Capitão Pátria esmagando literalmente a cabeça do presidente Calhoun por ele não ser um “verdadeiro crente” é assustadoramente cômico. A série já foi longe em sua crítica política, mas a cena em que Homelander despacha exigências absurdas do Salão Oval, incluindo banimento do aborto e do leite de nozes e obrigatoriedade de amamentação, enquanto transforma Ashley na nova presidente por pura sobrevivência corporativa, é um dos momentos mais afiados da temporada. A sátira funciona porque tem lógica interna: tudo que o Capitão Pátria faz segue a cartilha do fascismo de celebridade levado à conclusão mais absurda possível.
O destaque vai para o número musical liderado por Oh-Pai, interpretado por Daveed Diggs, com uma energia que mistura Hamilton com culto religioso distorcido. Diggs entrega uma atuação carismática e perturbadora ao mesmo tempo, e a cena funciona tanto como entretenimento quanto como crítica ao poder da performance na política contemporânea. Quem assistiu à primeira temporada vai notar o quanto a série escalou sua ambição satírica desde então.
Onde The Boys 5×07 tropeça: Gen V, Soldier Boy e resoluções convenientes
Nem tudo funciona no episódio, e um artigo honesto precisa dizer isso. A inclusão dos personagens de Gen V é decepcionante de forma quase injusta com os fãs do spin-off. Marie Moreau e Jordan Li aparecem brevemente só para serem escanteados por Luz-Estrela sob o argumento de que Marie não consegue controlar seus poderes. É um furo de continuidade que ignora o desenvolvimento da personagem durante toda a série derivada, soando como um roteiro que não sabia o que fazer com personagens emprestados e preferiu a saída mais fácil.
O Soldier Boy sofre do mesmo problema. Depois de toda a tensão construída ao redor dele, o personagem recusa o papel de “Jesus” no parque temático do filho, anuncia que vai para Bogotá atrás de drogas e mulheres, leva um mata-leão do Capitão Pátria e volta para a câmara criogênica. É uma resolução anticlimática para um personagem que tinha potencial real de complicar o confronto final. E o Profundo, expulso dos Sete e proibido de entrar no oceano por um tubarão-martelo dublado por Samuel L. Jackson (participação hilária, mas que não resolve nada), fica literalmente sem rumo na narrativa a dois episódios do fim.
Essas escolhas criam a impressão de que o roteiro precisou despachar personagens secundários rapidamente para liberar espaço para o confronto principal, o que é compreensível, mas poderia ter sido feito com mais cuidado. Séries como Game of Thrones, nos seus melhores momentos, conseguiam encerrar arcos secundários de forma que eles enriquecessem a narrativa central, não apenas que não atrapalhassem.
Bruto abraça a escuridão e o palco está montado para o finale
No lado emocional, o episódio consolida Billy Bruto como um dos personagens mais complexos da série. Através das memórias escavadas pelo telepata Sinapse, confirmamos que Kessler, interpretado por Jeffrey Dean Morgan, é apenas uma alucinação de um antigo parceiro de esquadrão que morreu por causa da liderança inconsequente de Bruto. A revelação não é surpreendente para quem estava prestando atenção, mas a execução é eficiente. Fica claro que Bruto está disposto a sacrificar quem for necessário para cumprir sua missão genocida com o vírus, o que o coloca em rota de colisão não apenas com o Capitão Pátria, mas com os próprios membros da equipe.
Com o Capitão Pátria descobrindo que pode voltar a ser mortal e Bruto disposto a soltar um vírus letal no mundo, o finale promete não um resgate heroico tradicional, mas uma carnificina onde nenhum dos lados tem as mãos limpas. Esse é exatamente o território onde The Boys funciona melhor. Para mais análises de séries que terminam com esse tipo de peso emocional, vale ler também a crítica do final de Outlander, outra despedida que misturou emoção e frustração de formas parecidas.
Segundo o Rotten Tomatoes, a quinta temporada de The Boys mantém avaliação elevada da crítica especializada, o que faz os tropeços do episódio 7 doírem mais: a série claramente tem capacidade de fazer melhor.
Vale a pena assistir The Boys 5×07?
The Boys 5×07 vale muito a pena, com a ressalva de que você vai terminar o episódio com sentimentos conflitantes. A morte do Francês é corajosa, bem construída e genuinamente devastadora, a sátira política continua funcionando e as atuações estão acima do que a maioria das séries de super-heróis entrega. Mas as resoluções apressadas dos personagens de Gen V e do Soldier Boy deixam um gosto de oportunidade perdida que não some rápido.
Se você chegou até aqui na quinta temporada, não tem motivo para parar agora. O finale está se aproximando, as apostas nunca foram tão altas e The Boys ainda é, apesar de seus tropeços, a série de super-heróis mais honesta sobre o que o poder faz com as pessoas. Assista no Prime Video e prepare o coração para o que vem a seguir.






















