Ilustres desconhecidos da poesia brasileira: Cícero França

Ilustres desconhecidos da poesia brasileira: Cícero França

Nascido em União da Vitória (PR) no ano de 1884, Cícero Marcondes de França foi um jovem poeta paranaense. Colaborou em jornais e revistas de Curitiba e Paranaguá. No ano de 1905, publicou seu único livro em vida, “Necrotério d’alma”. No ano de 1953, a obra foi publicada pela segunda vez, juntamente com “Pedras Brutas” – seleção de poemas póstumos do autor.

À maneira do spleen baudelairiano, França estabelece a morte como única fuga possível das desventuras da vida; o perecer, em seus poemas, não é um estado de miséria, mas de absoluta libertação. Acerca da obra do poeta, o escritor Felício Raitani Neto afirma que “(…) não obstante ter sido publicada aproximadamente aos vinte anos de seu autor, jamais apresentou indícios de imaturidade, pelo contrário até ninguém pode negar-lhe a filosofia de vida de um jovem perfeitamente ajustado à sua época, bastante talentoso e culto”. (RAITANI NETO, p. 168, 1971).

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Foto rara (sem data) de Cícero França ao lado do Dr. Helvidio Silva, publicada na revista ilustrada A Bomba, em Curitiba, 1913. O poeta está de chapéu e livro na mão:o dandismo característico dos poetas da belle époque.
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A tuberculose, enfermidade que o matou precocemente, é um traço bastante corrente em seus versos. A doença, segundo a professora paranaense Pompília Lopes dos Santos, foi um fator determinante para a presença do desencanto e da melancolia em seus poemas, aspecto igualmente presente na obra do extraordinário poeta Manuel Bandeira. No entanto, mesmo tuberculoso, Bandeira faleceu aos 82 anos de idade, fato que lhe possibilitou a escrita de um vastíssimo e admirável trabalho.

Cícero França publicou alguns de seus poemas na revista “Stellario” (1905), dedicando versos a grandes nomes da poesia simbolista paranaense, como Dario Veloso e Silveira Neto.

Em 1908, já bastante debilitado, o poeta faleceu aos 24 anos, na madrugada de 10 julho.

Abaixo, seus poemas “Dor Estranha” e “Estranha Apoteose”, ambos retirados de “Necrotério d’alma”:

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Referências Bibliográficas

FRANÇA, Cícero. Necrotério D’alma. 2ed. Curitiba: 1953.

SANTOS, Pompília Lopes. Sequicentenário da poesia paranaense – Antologia. Curitiba: Editora lítero-técnica, 1985.

SOUSA, Colombo; RAITANI NETO, Felício. Letras Paranaenses. 2.ed. Curitiba: Editor Ocyron Cunha, 1971.


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Lucas Silos

Lucas Silos

Lucas Silos é livreiro, revisor de textos e um dos colaboradores do Recorte Lírico. E-mail: lucasrafaelsilos@gmail.com

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