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Code 8: a franquia de ficção científica da Netflix que

Code 8 é a franquia de sci-fi da Netflix com os Amells que mistura superpoderes e crime. Vale a maratona do fim de semana?
Code 8

Code 8 é uma franquia de ficção científica da Netflix composta por dois filmes que combinam thriller policial com crítica social, seguindo Connor Reed, um homem com superpoderes elétricos que entra para o crime organizado para pagar o tratamento médico de sua mãe. Dirigidos por Jeff Chan e estrelados pelos primos Robbie Amell e Stephen Amell, os dois filmes estão disponíveis na plataforma e formam uma maratona perfeita de fim de semana.

Quem ainda não conhece a franquia vai encontrar uma premissa bem diferente do que Hollywood costuma entregar quando o assunto é superpoderes. Aqui, 4% da população tem habilidades especiais, mas em vez de virar herói, a maioria dessas pessoas acaba em empregos informais ou no crime. A automação tomou os postos de trabalho, robôs chamados de Guardiões patrulham as ruas para suprimir crimes dos superpoderosonos, e ainda existe um mercado negro de uma droga chamada Psyke, extraída do fluido espinal dos próprios poderes. É um mundo onde ter uma habilidade especial é mais pesadelo do que fantasia.

Por que Code 8 funciona quando outros filmes de superpoderes travam

A grande sacada de Code 8 é tratar superpoderes como uma questão de classe social, não de destino heroico. O paralelo com X-Men é inevitável, e os próprios criadores parecem abraçar essa referência, mas a execução é mais crua e específica. Connor não quer salvar o mundo. Ele quer pagar a conta do hospital da mãe. Garrett, por sua vez, quer escalar a hierarquia do crime organizado. Os dois usam os mesmos poderes, mas por razões completamente diferentes, e é exatamente essa diferença que sustenta a tensão entre eles ao longo dos dois filmes.

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Jeff Chan e o co-roteirista Chris Paré claramente pensaram muito nesse universo antes de escrever uma linha de diálogo. O mundo de Code 8 tem lógica interna. A automação que tirou empregos dos humanos comuns também tirou dos superpoderosonos, o que forçou muitos deles para a marginalidade. A criação dos Guardiões mecânicos como resposta ao crime superpoderado é o tipo de detalhe que faz o espectador aceitar as regras daquele universo sem questionar. Não é world-building por ostentação. É construção de contexto a serviço da história.

Robbie e Stephen Amell já eram conhecidos do público de séries pelo trabalho em Arrow e The Flash, mas Code 8 mostra que os dois conseguem sustentar um longa-metragem com material original. A dinâmica entre Connor e Garrett funciona porque os dois atores jogam junto sem tentar roubar a cena um do outro. Quem assistiu às séries vai notar que eles parecem mais à vontade aqui, sem o peso de uma mitologia de décadas nas costas.

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Code 8
Code 8 | Fonte: collider.com

A origem da franquia: de campanha no Indiegogo a franquia na Netflix

Antes de se tornar franquia da Netflix, Code 8 começou como um curta-metragem lançado pelos Amells em 2016. A dupla então abriu uma campanha no Indiegogo com meta de 200 mil dólares para produzir um longa-metragem. O resultado foi bem além do esperado: a campanha arrecadou 3,4 milhões de dólares, o que deu ao projeto uma base financeira e, principalmente, uma base de fãs engajada desde o início.

Depois do sucesso do primeiro filme, uma série de TV chegou a ser planejada, mas foi parar em limbo quando a plataforma Quibi encerrou as atividades. A Netflix então adquiriu os direitos de Code 8: Part II, e o segundo filme chegou à plataforma dando continuidade direta aos eventos do original. Um terceiro filme ainda não foi anunciado oficialmente, mas o universo continua se expandindo. Os Amells lançaram campanhas no Kickstarter e no Indiegogo para Code 8: Tales of Lincoln City, um par de graphic novels que exploram as origens de Connor e Garrett. A campanha arrecadou mais de 65 mil dólares e contou com nomes como o artista Alex Nieto, de Hellboy, e Tom Mueller, responsável pelo design visual da icônica era Krakoa nos quadrinhos do X-Men.

Robbie Amell resumiu bem o espírito do projeto quando a campanha foi anunciada: “Code 8 sempre pareceu maior do que apenas um filme. Poder contar a história de origem do meu personagem em graphic novel é um momento de ciclo completo para mim. E a melhor parte é que fazemos isso ao lado dos fãs que tornaram esse mundo realidade.” Há algo genuíno nisso. A franquia nasceu dos fãs e continua sendo alimentada por eles.

Code 8 e a tradição dos filmes de superpoderes independentes

É curioso perceber que alguns dos trabalhos mais interessantes no gênero de superpoderes vieram de produções menores. Code 8 tem uma nota sólida no IMDb que reflete a recepção positiva do público desde o lançamento, em dezembro de 2019. O filme custa uma fração do orçamento de qualquer produção da Marvel ou DC, mas entrega uma história com mais peso emocional do que boa parte dos blockbusters do gênero. Isso porque o roteiro não precisa se preocupar com universo compartilhado, configuração de sequência ou personagem de apoio para um spin-off futuro. Ele só precisa contar uma história sobre dois caras tentando sobreviver num mundo que não foi feito para eles.

Para quem gosta de ficção científica com crítica social, Code 8 fica num território parecido com o de séries como Invincible no Rotten Tomatoes, que também questiona o que significa ter poderes num mundo imperfeito. A comparação não é forçada: os dois projetos entendem que o melhor da ficção científica de superpoderes usa as habilidades como metáfora, não como espetáculo. Se você curtiu nossa análise de thrillers que não têm medo de ir fundo no desconforto, talvez também queira dar uma olhada no Paper Tiger, o thriller de Cannes que não arrisca nada, para ter um contraponto interessante sobre como o gênero pode funcionar de formas bem diferentes.

Vale a pena assistir Code 8 na Netflix?

Sim, e com convicção. Code 8 é o tipo de franquia que cresce com você. O primeiro filme estabelece o mundo e os personagens de forma eficiente, sem enrolação. O segundo aprofunda o conflito entre Connor e Garrett de um jeito que justifica a existência da sequência em vez de simplesmente repetir a fórmula. Os dois juntos têm pouco mais de três horas de duração, o que torna a maratona num único fim de semana não só viável, mas recomendável.

O ponto fraco, se houver um, é que o universo de Code 8 claramente tem mais histórias para contar do que dois filmes conseguem comportar. Você vai terminar a segunda parte querendo mais, e por enquanto o terceiro filme não foi confirmado. Mas isso é mais elogio disfarçado de reclamação do que crítica de verdade. Qualquer franquia que deixa o espectador com vontade de mais fez seu trabalho direito. Code 8 está na Netflix agora, e se você está esperando o próximo grande lançamento de superpoderes para aparecer, não precisa esperar. A resposta já está lá.

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