O Mandaloriano e Grogu é o destaque da semana porque marca o retorno de Star Wars aos cinemas após sete anos e abre uma programação de 10 estreias que inclui terror, drama nacional e o primeiro filme de Charli XCX. A estreia acontece na quinta, 21/5, e concentra a maior atenção da alta temporada de Hollywood.
Para quem não acompanhou a saga no streaming, o novo longa retoma Din Djarin e Grogu depois de três temporadas de séries para maratonar neste fim de semana como exemplo de como o público já se acostumou a histórias longas fora do cinema. Aqui, a diferença é que a Lucasfilm tenta transformar uma trama que nasceu para a TV em evento de tela grande, com a missão de recolocar O Mandaloriano e Grogu no centro da franquia.
O Mandaloriano e Grogu lidera as estreias da semana
O Mandaloriano e Grogu é o primeiro filme de Star Wars em sete anos, desde Star Wars: A Ascensão Skywalker, e isso por si só já coloca o lançamento numa posição delicada. A expectativa existe, mas também há uma desvantagem clara de percepção: muita gente ainda vê essa história como derivada do streaming, e não como um retorno “clássico” da saga aos cinemas. E essa impressão pesa.
A trama se passa depois dos eventos de Star Wars: O Retorno de Jedi e acompanha Din Djarin e Grogu em uma missão para a Nova República. O objetivo é encontrar oficiais remanescentes do Império, mas a jornada ganha outra camada quando eles precisam resgatar Rotta, o Hutt, herdeiro de Jabba, das mãos de uma nova facção. O roteiro ainda traz Zeb Orrelios, a Coronel Ward, vivida por Sigourney Weaver, e até uma participação de Martin Scorsese como um alienígena Ardenniano. É um pacote bem mais curioso do que parecia no anúncio inicial.
Na prática, o filme carrega uma sensação de “arco condensado”, porque a história tinha sido pensada para a 4ª temporada de The Mandalorian. Isso ajuda a explicar por que O Mandaloriano e Grogu funciona mais como continuação direta da série do que como bloco autônomo de cinema. Eu achei essa escolha inteligente para acelerar a produção, mas também um pouco arriscada, porque tira parte do fôlego que um longa de Star Wars costuma pedir.
Jon Favreau dirige e divide o roteiro com Dave Filoni, que hoje tem um peso decisivo na nova fase criativa da Lucasfilm. Para quem gosta de acompanhar bastidores, a ligação entre série e cinema aqui é total. O Mandaloriano e Grogu não tenta fingir que nasceu nas salas, ele assume sua origem no streaming e tenta transformar isso em vantagem emocional, especialmente na relação paternal entre o caçador de recompensas e a pequena criatura sensitiva à Força.

Quais são os outros terrores e dramas em cartaz?
Se O Mandaloriano e Grogu puxa a fila, o resto da programação vem forte em terror. Hokum: O Pesadelo da Bruxa traz Adam Scott num papel fora da comédia, dentro de uma propriedade isolada na Irlanda, onde lendas locais, um artefato de madeira e a noite de vigília empurram o protagonista para um colapso entre sanidade e forças sobrenaturais. O filme chegou a 89% de aprovação no Rotten Tomatoes, o que já indica uma recepção positiva dentro do gênero.
Passageiro do Mal segue outra rota, mas mantém o clima de ameaça constante. André Øvredal coloca um casal em uma van, depois de um acidente de estrada, para transformar a viagem em perseguição demoníaca. A ideia aqui é simples e eficiente: estrada vazia, tensão crescente e a sensação de que algo entrou na jornada e não vai sair mais. Já Love Kills leva o terror sobrenatural para o centro de São Paulo, com uma vampira chamada Helena e um garçom que se envolve sem entender o tamanho do problema.
O que chama atenção em Love Kills é a ambientação, porque a Cracolândia aparece como cenário de decadência urbana e de conflito moral. O filme adapta quadrinhos de Danilo Beyruth e usa essa mistura de romance, monstros e cidade em decomposição para contar uma história bem brasileira, mesmo com verniz de gênero. Em comparação com o terror mais frio de Passageiro do Mal, aqui existe mais vida de rua, mais ruído, mais identidade local.
Nos dramas, Erupcja marca a estreia de Charli XCX no cinema. A cantora vive Bethany, que foge do roteiro da viagem na Polônia quando percebe que um pedido de casamento pode estar a caminho. A partir daí, o filme ganha tom de deriva emocional, com encontros, memórias e imagens vulcânicas como metáfora daquilo que está represado. Se você gosta de filmes que parecem caminhar sem pressa, esse é o tipo de título que chama atenção pelo gesto, não pela ação.
O que vale notar nas estreias brasileiras e europeias?
Entre os dramas nacionais e europeus, Seis Dias Naquela Primavera vem com peso de festival, já que venceu Melhor Direção e Melhor Roteiro em San Sebastián. Joachim Lafosse conduz a história de Sana, que tenta aliviar a rotina dos filhos gêmeos depois que os planos de viagem dão errado e ela decide levá-los para a Côte d’Azur. É o tipo de filme que aposta no desgaste emocional das pequenas decisões, algo que o diretor já costuma trabalhar bem.
Diamantes, Quem Tem Com Que Me Pague, Não Me Deve Nada, Sexo e Destino e O Poder do Rosário completam a lista e reforçam a diversidade da semana, que vai de drama religioso a produção de perfil mais autoral. A programação não fica presa a um único gênero, e isso ajuda a explicar por que a alta temporada de Hollywood começa com tanta coisa diferente ao mesmo tempo.
Aliás, a lógica de lançamento desta semana lembra um pouco aquele momento em que a sala escolhe entre blockbuster e curiosidade de circuito. O Mandaloriano e Grogu é a aposta segura, mas os filmes de terror parecem mais afiados em proposta. Para quem acompanha lançamentos por atenção real e não só por marca, o quadro está bem mais variado do que o de um fim de semana comum.
Se quiser conferir mais uma estreia que está chamando atenção fora deste pacote, vale olhar também Alpha e seu trailer legendado com data de estreia no Brasil. É um bom complemento para entender como o calendário de lançamentos anda corrido e competitivo.
Vale a pena assistir a O Mandaloriano e Grogu?
O Mandaloriano e Grogu vale a pena para quem já gosta do universo de Star Wars e quer ver como a franquia tenta voltar aos cinemas sem apagar o que construiu no streaming. O filme tem apelo, personagens conhecidos, participação de nomes fortes como Sigourney Weaver e uma missão clara, mas também carrega a sensação de que está mais próximo de um capítulo maior do que de uma aventura fechada.
Eu diria que a principal força do longa está na relação entre Din Djarin e Grogu, porque é isso que sustenta a emoção mesmo quando a trama parece funcionar como um grande episódio estendido. Se você espera uma reinvenção total da franquia, talvez saia com sensação de complemento. Se quer rever esse universo em tela grande, O Mandaloriano e Grogu entrega exatamente isso, com a vantagem de abrir uma semana de estreias bem mais diversa do que parece à primeira vista.
No fim, O Mandaloriano e Grogu é a porta de entrada mais chamativa da programação, mas não a única que merece atenção. Entre terror, drama e estreia musical, a semana oferece opções para públicos bem diferentes, e isso faz dela uma das mais curiosas do ano até aqui.
Para mais informações sobre a franquia, consulte a página oficial de Star Wars e a ficha de The Mandalorian and Grogu no IMDb.

























