Recorte Lírico

Tirando a literatura dos corredores acadêmicos

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Autor curitibano se inspira no realismo mágico em seu primeiro livro.

20 de julho de 2016

Categorias:Recorte Entrevista Tags:,

O Recorte Entrevista desta quarta-feira recebeu o escritor curitibano Gabriel Adamante (19), que lançou recentemente o livro “Histórias de fim do mundo” pela editora Autografia. O autor, que tem em sua base literária o realismo mágico, nos contou sobre suas influências, falou um pouco sobre o processo criativo dos seus contos e deu sua opinião para o atual momento editorial no país. Adamante, além de escritor, atua na área de contabilidade e estuda economia na UFPR. A conversa foi super agradável e você confere aqui, no Recorte Lírico.

Foto: Recorte Lírico

RL – Comente inicialmente sobre a obra “histórias de fim do mundo”, sobre o que lhe motivou a escrever o livro e como se deu o processo criativo durante a narrativa.
Adamante – Então, “histórias de fim do mundo” é um tributo aos poetas hispano-americanos. São eles Gabriel García Marquez, Cortázar e, principalmente, o Jorge Luis Borges. Foi lendo esses caras que eu adentrei a literatura, lógico que eu já gostava de escrever desde criança, muito em função da influência da minha mãe. Porém foram esses escritores, por que não tenho muito o hábito de ler os brasileiros, e isso é um erro meu, que me motivaram, de certa forma, a escrever esses contos. Falando de processo criativo, se deu no cotidiano. Os contos, invariavelmente, foram escritos pelo acaso, em momentos diversos e isolados da minha vida. Costumo dizer que este é um livro de fragmentos. Lembro-me de uma vez “achar” um conto escrito ainda na época do ensino médio e dizer “opa, esse negócio está bom”. E foi assim que reuni as histórias.

RL – Seu primeiro livro tem essencialmente narrativas com características do realismo mágico. Quem o influenciou para essa temática e o que há de especial na obra, visto que tantos outros autores sul-americanos escreveram com essa temática?
Adamante – O Cortázar me influenciou, porém o Borges foi a grande inspiração. Eu o considero o escritor supremo (risos). Os escritores argentinos sempre foram os meus favoritos. Lembro de um conto do Borges que falava mais ou menos assim “como no caso do homem que pintava tigres”, e aí o meu pai também fazia algumas piadas que a onça era pintada por homens e tal, e em um dia no aeroporto comecei a escrever o conto “o pintor de onças”. Então, as características de realismo mágico estão nesses pontos, os argentinos que fizeram parte das minhas leituras desde a adolescência, e os acontecimentos isolados da minha vida. Agora, acredito que não há nada de especial na minha obra. É uma porta de entrada. É a minha carta de amor a esses autores latino-americanos.

Adamante com a equipe Recorte Lírico


RL – Tem muito de Franz Kafka no conto da cobra que caminha pela encanação procurando detergente roxo, não é verdade?
Adamante – Tem sim, mas muito mais de Cortázar. O cara escreveu um conto sobre como subir uma escada. Então, sabe, eu tirei muito dos contos dele para escrever os meus. Agora, lógico que Kafka é uma influência para mim, porém me remete a elementos mais sombrios, por exemplo, o livro “O Castelo”, que eu não consegui terminar de ler, pois eu me sentia muito mal, tamanha perfeição das sensações que essa obra provocou em mim.

RL – Como um escritor jovem, e que lançou seu livro de forma independente, como vê a questão editorial no Brasil, que logicamente passa por um momento difícil economicamente, mas ainda assim tem lançado um grande número de novos nomes, mas com qualidade técnica suspeita?
Adamante – A questão da dificuldade editorial não é só no Brasil, né?! É uma situação global. Mas eu vejo literatura como um grande comércio, e como todo grande comércio tem um vasto público consumidor, com interesses e anseios diferentes. Acredito muito na liberdade individual, então não dá para dizer o que é bom ou ruim para alguém. Vejo isso de uma maneira muito natural, os novos nomes que estão chegando ao mercado, às vezes, até servem como porta de entrada para os autores mais clássicos, mas se a pessoa só quiser ler isso, também não tem problema algum.

RL – Para finalizar, já está trabalhando em algum outro projeto? Um romance, talvez…
Adamante – Já tenho algumas coisas em mente, outras escrevendo… Acredito que estou passando por um processo de busca de identidade, de encontrar o meu próprio estilo, por que até então eu venho copiando os autores nos quais li durante a minha vida. Então não tenho essa forte exigência em lançar algo novo, mas virão coisas novas em breve.

Da Redação.