LITERATURA EM GRAVURA: POTY TRADUZ DALTON

Verônica Daniel Kobs Há um ano, em 9 de dezembro de 2024, Curitiba se despedia de Dalton Trevisan. A data ainda pulsa como uma dobra na memória literária da cidade, lembrando-nos de que certas vozes permanecem inquietas mesmo após o silêncio biográfico. Literatura em gravura: Poty traduz Dalton propõe uma homenagem que não busca suavizar […]
LEIA-ME SE FOR CAPAZ: A LITERATURA EM CÓDIGO

Verônica Daniel Kobs Combinando tecnologia digital, narrativas literárias sintéticas e ludicidade, os QR contos mostram outra possibilidade de inserção da literatura no ciberespaço. Segundo Vanessa Cardozo Brandão, “[…] mesmo sendo o texto o objeto primário do agenciamento literário, no tempo da comunicação digital e seus fluxos midiáticos, ele pode sair de seu lugar canônico de […]
TWITTERATURA: A ESCRITA EM ESTADO DE URGÊNCIA

Verônica Daniel Kobs Era uma vez um romance que não cabia no bolso. Depois veio o conto, o poema, o haicai. E então, o tweet. Não mais páginas, capítulos, prólogos. Agora é tudo em tempo real, em tempo curto, em tempo de timeline. 280 caracteres. Menos que um parágrafo. Imagine um romance em forma de […]
AINDA ESTOU AQUI: ALÉM DO RELATO, A PRESENÇA

Verônica Daniel Kobs O filme Ainda estou aqui (BRA, 2024), de Walter Salles, que venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em março de 2025, continua conquistando plateias e críticos ao redor do mundo. Só este ano, a produção é associada a mais de um terço de toda a bilheteria do cinema nacional, conforme anunciado […]
O ARTIFÍCIO ENCANTADO: WES ANDERSON E A MÁQUINA DE CONTAR HISTÓRIAS

Verônica Daniel Kobs Publicado em 1977, em uma coletânea, o conto A maravilhosa história de Henry Sugar é uma das obras mais singulares de Roald Dahl, autor amplamente conhecido por suas histórias infantis cheias de imaginação e irreverência. Neste conto, voltado ao público jovem-adulto, Dahl entrelaça elementos de fábula, misticismo e crítica social para narrar […]
PROMPTOFAGIA: OSWALD DE ANDRADE NO VALE DO SILÍCIO

Verônica Daniel Kobs Thales Vianna Coutinho Como pesquisadora na área de Literatura e Intermidialidade, na última década, meus projetos passaram a investigar as influências da tecnologia digital sobre as artes. Nesse contexto, autoria e leitura tornaram-se temas constantes e isso se acentuou ainda mais com o uso recente da IA generativa. Em 2024, organizei um […]
TRINTA BRINDES AO “POETA DO AZUL”

Verônica Daniel Kobs No fim de 2024, quando conheci o livro 30 Copos para Carlos Pena Filho, deWashington Martins, já na primeira olhada percebi coisas que me encantaram.Os quartetos e os versos heptassílabos se sobressaíam e, na teoria do verso,isso sinaliza uma perfeita combinação entre forma e conteúdo, no que se refereao que é simples […]
AVOANDO BAIXO E PIANDO ALTO NO GRANDE SERTÃO: VEREDAS DA ECOCRÍTICA

Leonir Kobs Verônica Daniel Kobs A obra de João Guimarães Rosa (1908-1967) sempre é reverenciada por valorizar a geografia e a natureza. Juntas, essas características representam o sertão mineiro em toda sua riqueza: animal, vegetal e mineral — e, neste ensaio, privilegiaremos o romance Grande sertão: veredas, lançado em 1956, além de comentarmos trechos brevíssimos […]
VERSOS INSTAGRAMÁVEIS PARA CURTIR <3

Verônica Daniel Kobs Atualmente, as redes sociais são espaços de produção e de leitura de textos de diversos tipos, inclusive literários, e o percurso dos autores varia bastante. Enquanto muitos já têm uma carreira consolidada, no mercado editorial dos livros impressos, mas começam a usar as redes para redefinir sua obra e seu público, também […]
MINICONTOS DA ER@ DIGIT@L: INTERATIVOS, VISUAIS, SONOROS

Verônica Daniel Kobs Afeitos à urgência do mundo contemporâneo, os minicontos voltaram à moda, por corresponderem estritamente às características do tempo, que, para Ramon Tessman, “hoje […] não é mais linear, mas sim, fragmentado” (Tessman, 2016). Outra qualidade dos textos brevíssimos é o convite à participação do leitor, em sintonia com a atividade e o […]
A MALDIÇÃO DA PRESSA EM BELEZA FATAL

Verônica Daniel Kobs (Este texto contém spoilers.) Sempre fui noveleira. Uma avó me criou na frente da TV, onde assistíamos juntas às melhores tramas da época (nos anos 1970 e 1980) e a outra me ligava antes dos últimos capítulos para saber o que eu achava que iria acontecer! Hoje, sou professora universitária, pesquisadora de […]
PAU-BRASIL RELOADED: O DIA EM QUE OSWALD DE ANDRADE ENCONTROU O ALGORITMO

Muito se fala da Antropofagia, mas poucos dão a devida importância para o Manifesto da Poesia Pau-Brasil, o primeiro escrito por Oswald de Andrade. Lançado em 1924, quatro anos antes do Manifesto Antropófago, o documento inaugura o ideário do escritor modernista. Nesse momento, uma base sólida é construída… Esse foi o início de um posicionamento […]
ANTROPOFAGIA NA PRÁTICA: OSWALD DE ANDRADE AVANT-GARDE

Verônica Daniel Kobs Antes de dar início às relações interartísticas que este estudo propõe, cabe resgatar oprincípio básico da obra de Oswald de Andrade, que foi desenvolvendo aos poucos, até delinearcom mais clareza o que o autor chamou de movimento antropofágico. A antropofagia utilizava“um tipo ao mesmo tempo local e universal de expressão, reencontrando a […]
SOBRE PASSADO, PRESENTE E FUTURO:A ESCRITA LITERÁRIA E O PODER DAS MULHERES

Verônica Daniel Kobs Todo ano é a mesma coisa e, em março, o Dia Internacional da Mulher reacendedebates. No entanto, as mudanças na forma de abordar os temas relacionados a essa datanão cessam. Já faz tempo que se convencionou que a cor rosa não representa mais asmulheres e incentiva o binarismo. Porém, este ano, percebi […]
A CARNE, EM A MARVADA CARNE

Com o grande sucesso do filme Ainda estou aqui, Fernanda Torres continua a ser mencionada em todas as mídias (impressas e on-line). Por isso, decidi revisitar um dos capítulos da minha tese, sobre literatura brasileira e cinema nacional, e divulgar um filme que fez sucesso há 40 anos, mas que considero um título obrigatório para […]
CACÁ DIEGUES E XICA DA SILVA (1976): A HISTÓRIA DO BRASIL EM FLASHES

Este texto homenageia Cacá Diegues (1940-2025), que acompanhou de perto o Cinema Novo. Como consequência, a estética cinematográfica desse diretor foi inspirada no movimento brasileiro que se consolidou como um marco no cinema nacional, ao dar continuidade à literatura politizada da segunda fase modernista. Para concretizar esse propósito, o Cinema Novo precisou reagir fortemente às […]
ESTACA NO CORAÇÃO: O ADEUS A DALTON TREVISAN

E Dalton Trevisan se foi… No início de dezembro de 2024, fui surpreendida pela notícia da morte de Dalton Trevisan (1925-2024). Sim, ele já estava com 99 anos e muitos me disseram que eu não deveria ter estranhado tanto sua partida. Porém, costumamos associar os vampiros à imortalidade, certo? Sobretudo no caso de Dalton, que […]
A FUNÇÃO DO TELEFONE NA CRIAÇÃO DO VIDEOTEXTO

Verônica Daniel Kobs Ao contrário do que se pensa o videotexto não foi desenvolvido a partir da TV. O teórico Júlio Plaza comenta a criação dessa mídiae explica que esse sistema “opera regularmente (desde o dia 15/12/82) na cidade de São Paulo, sob os cuidados da Telesp” (Plaza, 1983). Isso mesmo. Embora a imagem e […]
DA PÁGINA À TELA: A POESIA CONCRETA NA ERA DIGITAL

Verônica Daniel Kobs Na literatura digital, o movimento e a sonoridade contribuem para acentuar as diferenças entre cibertextualidade e livro impresso. Entretanto, nas obras de Augusto de Campos, esses recursos deixam de ser apenas um efeito especial e sinalizam um diálogo efetivo entre a literatura e outras artes. O poema “TVgrama 2”, publicado originalmente em […]
Santa Clarita Diet: Os Zumbis na Sociedade Contemporânea

Verônica Daniel Kobs A série americana Santa Clarita diet, produzida pela Netflix e dirigida por Victor Fresco, foi lançada em 2017. O nome é uma alusão à cidade de Santa Clarita, na Califórnia, e esse detalhe é responsável por um importante diferencial, já que, na história, Sheila (Drew Barrymore) é uma zumbi, moradora do subúrbio, […]
A CAVERNA, DE JOSÉ SARAMAGO:ENTRE O MITO DE PLATÃO E A TECNOLOGIA DIGITAL

Verônica Daniel Kobs Neste estudo, escolhi analisar A caverna, de José Saramago, relacionando-a ao livro Seis propostas para o próximo milênio: lições americanas, de Italo Calvino. Conheci o livro A caverna no ano do lançamento, quando o autor veio ao Brasil, divulgando seu trabalho mais recente. Em Curitiba, o evento foi realizado em dezembro de […]
ARTES INCOMUNS SOBRE COISAS COMUNS

Verônica Daniel Kobs Tatsuya Tanaka (1981-) é um artista japonês que cria maquetes com cenas inspiradas no cotidiano, mas que utilizam materiais inusitados, que evidenciam a criatividade das peças, ao mesmo tempo em que promovem relações nada triviais. Trata-se do processo denominado mitate, que objetiva a releitura e a recontextualização, a fim de propor uma […]
CRÔNICA CURITIBANA

Verônica Daniel Kobs Há dois meses, no fim de uma manhã chuvosa de sábado, andei pelo Centro de Curitiba, entre a Rua Augusto Stellfeld e o Edifício Tijucas, e me senti em outra cidade. Na verdade, sinto isso desde 2021 ou 2022, quando experimentamos o novo normal, depois da pandemia de covid-19. A cada passeio […]
DO POEMA VISUAL AO CLIP-POEMA

Verônica Daniel Kobs Levando em conta que os clip-poemas também são chamados simplesmente de vídeos ou, ainda, de videopoemas, faz-se necessária uma breve contextualização acerca desse formato. Conforme a pesquisadora Denise Guimarães, o videopoema começou a ganhar espaço “no Brasil e em Portugal, desde os anos 80, quando ocorrem algumas experiências pioneiras com a poesia […]
OUTRAS EXTRAVAGÂNCIAS DE JOANA VASCONCELOS

Verônica Daniel Kobs Joana Vasconcelos (1971-) é uma artista plástica francesa, com cidadaniaportuguesa, que conquistou fama internacional com seu estilo único. Suas criações,como mostraremos aqui, exaltam a grandiosidade, a mistura de materiais, o uso deelementos cotidianos e, em alguns casos, também os aspectos rústico e artesanal. Em Cinderela (2008), a artista associa o ícone das […]
VERTIGEM SURREALISTA

O movimento surrealista teve seu auge no período de 1922 a 1925 e, em seu Manifesto, trazia a seguinte definição: “Puro automatismo psíquico, através do qual se pretende expressar, verbalmente ou por escrito, o verdadeiro funcionamento do pensamento. O pensamento ditado na ausência de todo o controle exercido pela razão (…).” (Ades, 2000, p. 91). […]
Representações da glocalidade no cinema brasileiro: Cidade de Deus

Fechando esta série sobre globalização e regionalismo em nosso cinema, vale a pena retomar o filme Cidade de Deus, de Fernando Meirelles. Lançado em 2002, o longa pôs em evidência uma comunidade carioca, apresentada como um microcosmo sistematizado e organizado hierarquicamente. A partir disso, todo o enredo investe na urbanidade, destacando temas como a violência, […]
Representações da glocalidade no cinema brasileiro: O auto da Compadecida

Em 2000, O auto da compadecida surgiu no cinema (Fig. 1) como representação popular e crítica da realidade, centrada numa cidade pequena, do interior nordestino, cuja hierarquia era resumida em tipos, os quais, por sua vez, representavam a influência do coronelismo, ainda forte nas regiões Norte e Nordeste, da Igreja (ressalte-se o fato de a […]
Representações da glocalidade no cinema brasileiro: Central do Brasil

Central do Brasil, um marco no cinema nacional, promoveu a fusão entre duas paisagens: a interiorana e a urbana, bem como inverteu o sentido de busca que aparecia em filmes do Cinema Novo e em outras produções que tinham o Nordeste como pano de fundo. Não só Deus e o diabo na terra do sol, […]
Arnaldo Jabor em amostra

O filme Tudo bem, do cineasta Arnaldo Jabor (1940-2022), foi revisado e relançado em DVD, depois de ter completado trinta anos. O longa, lançado em sua forma original em 1978, rende uma boa discussão sobre capitalismo, consumo e a oposição entre público e privado, temas que continuam em pauta. A história, representada pelos atores Paulo […]
Literatura – ao infinito e além

A literatura nunca conheceu fronteiras… Experiências, ideologias e universos sempre se misturaram, nessa e em outras artes. Entretanto, algumas áreas tomaram para si a tarefa de pensar sobre as relações e os cruzamentos típicos da narrativa literária, consolidando essas qualidades ainda mais. Isso fica claro quando espiamos as “situações que a Literatura Comparada modernamente contempla: […]
Nas ondas do rádio

Decidi escrever esta crônica, depois de pensar nos avanços tecnológicos deste século. Todos nós temos o costume de relacionar a tecnologia só a aparelhos novos ou de última geração, mas há poucos dias eu me lembrei do bom e velho rádio. Na verdade, eu cresci ouvindo rádio e começo este breve revival lembrando minha mãe, […]
A experiência do teatro imersivo

Embora seja mais frequente nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, o teatro imersivo começa a se expandir para outros lugares do mundo, inclusive no Brasil. Em 2020, o espetáculo “As palavras da nossa casa” (Fig. 1) fez sucesso em dois formatos, presencial e on-line. O palco foi a construção histórica Casa das […]
Política e religiosidade em O pagador de promessas (parte 3)

No filme de Anselmo Duarte, os costumes e as crenças populares recebem ênfase, com a inserção de cenas que não aparecem na peça de Dias Gomes. Elas mostram as mulatas lavando a escadaria da igreja e o assédio do povo a Zé do Burro, que passa a ser considerado um milagreiro. Essa cena, mais do […]
Brasilidade e mestiçagem em “O pagador de promessas” (parte 2)

Nossa discussão de hoje começa com a cena do descontrole do padre, em O pagador de promessas. Essa passagem corresponde ao início do terceiro ato, na peça, quando Dias Gomes utiliza uma rubrica bastante detalhada, para mostrar, mais uma vez, os costumes relacionados à cultura africana, com destaque às rodas de capoeira, ao som do […]
Sincretismo e diversidade em O pagador de promessas

Em outubro deste ano, Dias Gomes (1922-1999) completaria 99 anos… O pagador de promessas, uma das obras de destaque do autor, celebra a diversidade cultural, a partir do sincretismo religioso. Sem dúvida, essa característica do texto dramatúrgico reflete a popularização dos traços de origem africana, que finalmente foram integrados à identidade cultural brasileira, depois de […]
Estilos e tendências no teatro: A evolução do espaço cênico

Antigamente, era o verbo. A palavra era declamada e deveria ressoar junto ao público, que assistia aos espetáculos em um espaço aberto, chamado de anfiteatro. Assim era o teatro grego. Além disso, convencionalmente, na parede de fundo do palco, havia três portas maiores (Fig. 1), em formato de arco, as quais eram usadas não apenas […]
Feito em casa: a pandemia de covid-19 e a reinvenção do cinema

Em 30 de junho de 2020, em meio à pandemia de covid-19, a Netflix lançou o filme Homemade (ou Feito em casa, na versão brasileira). A produção chamou a atenção pela proposta inusitada de adaptar o cinema às condições ditadas pelo vírus letal SARS-CoV-2: Sob a produção de Pablo Larraín, Dios Larraín e Lorenzo Mieli, […]
Operário patrão: uma releitura da obra Eles não usam Black-tie

No mês de agosto deste ano, o ator, poeta e dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006) completaria 87 anos de idade. Sem dúvida, seu trabalho de maior repercussão foi a peça Eles não usam black-tie, escrita em 1955 e encenada, pela primeira vez, em 1958. A obra é representante legítima do Teatro de Arena. Aliás, no meio […]
[Hilda Hilst pede contato] Literatura e interpretação do (outro) mundo
![[Hilda Hilst pede contato] Literatura e interpretação do (outro) mundo 21](https://recortelirico.com.br/wp-content/uploads/2021/08/card_0_3.png)
Recentemente, Gabriela Greeb lançou livro e filme com o mesmo título: Hilda Hilst pede contato. O duplo projeto da diretora paulistana traduz muito bem o estilo e a personalidade da escritora paulista. Hilda Hilst (1930-2004) era múltipla e eclética. Na visão de Italo Calvino, o “multíplice […] substitui a unicidade de um eu pensante pela […]
As mídias, minha avó e eu

À minha avó, Olga Nicolak Daniel (In memoriam) No dia 24 de junho de 2021, perdi minha avó. Aos 93 anos, ela se foi dormindo, por causas naturais, e não de covid-19. Éramos muito próximas e ela também costumava dizer que queria que um vento batesse e nesse momento ela morresse; assim, rápido como uma […]
O lado negro de Machado de Assis revisitado por Sérgio Bianchi

No conto “Pai contra mãe” (1906), Machado de Assis revisita o passado de sua raça, dando aos leitores um novo panorama, pós-abolição. Entretanto, quando lemos a narrativa, percebemos que a escravidão deixou marcas indeléveis, que, quase dez anos depois, quando Machado publicou seu texto, na coletânea Relíquias da casa velha, ou mesmo hoje, ainda estão […]
A vingança da pós-verdade no documentário Cena do Crime: mistério e morte no Hotel Cecil

O hotel Cecil completou quase um século de vida. Inaugurado em 1924, quando ninguém imaginava que o local serviria de cenário a inúmeras histórias macabras, incluindo assassinatos e suicídios, desde a década em que foi construído, o hotel funcionou até 2017, no centro de Los Angeles (Figs. 1 e 2). De acordo com uma notícia […]
Além das palavras e das imagens de Lavoura Arcaica

Publicada originalmente em 1975, Lavoura arcaica, de Raduan Nassar, é uma obra densa e plena de significados. Ela foi escrita como um mosaico de símbolos de várias fontes determinantes para as culturas oriental e ocidental. Na narrativa, são frequentes os entrelaçamentos dos símbolos da Bíblia e do Alcorão, que também são associados a mitos da […]
As idiossincrasias do gênero feminino na obra de Clarice Lispector [1]
![As idiossincrasias do gênero feminino na obra de Clarice Lispector [1] 26](https://recortelirico.com.br/wp-content/uploads/2020/11/clarice-lispector.jpg)
Os assuntos deste texto são os contos e as crônicas de Clarice Lispector, focalizando, especificamente, a inconstância que caracteriza a abordagem de questões voltadas ao gênero feminino, em dois contextos distintos: o literário e o jornalístico. Para isso, foram escolhidos excertos de três contos, que integram os livros Laços de família (1960) e O primeiro […]
QR Code na Literatura: texto ou intertexto?

Da indústria automobilística japonesa para a literatura. Foi esse o trajeto realizado pelo QR Code. Em seus primórdios, no ano de 1994, o novo formato foi considerado uma evolução do código de barras, sobretudo por dar mais destaque à síntese, pelo fato de ocultar aquela trilha quase infinita de números sob um grande quadrado feito […]
A leitura conceitual em “Destrua este diário”

Lançado em 2013, pela editora Intrínseca, o livro Destrua este diário, escrito por Keri Smith, possibilita ao leitor uma experiência única, de desapego a certas tradições, de liberdade e de coautoria. Exercendo outra função, além da leitura trivial, o leitor é convidado a vivenciar as aventuras do livro impresso na prática. Claramente, a obra de Smith […]
Glauber Rocha: um cinema realmente novo

No dia 28 de fevereiro, o Golden Globe abriu a temporada de premiações do cinema. No dia 7 de março, assistimos ao Critics’ Choice Awards. No dia 4 de abril será a vez do SAG (Screen Actors Guild) Awards e finalmente, no dia 25 de abril, o Oscar fechará o período que celebra os maiores […]
O vírus SARS-CoV-2 e a retomada do Apocalipse Zumbi

Na era do novo gótico, os zumbis são os protagonistas. Vários estudiosos do tema consideram que o ápice de uma das muitas retomadas dos mortos-vivos e da estética gótica ocorreu depois do ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 às torres gêmeas, em Nova Iorque: […] os atentados de 11 de setembro de 2001 […]
A aproximação das mídias pelo gênero Crossover

Em linhas gerais, o gênero crossover consolida-se pela utilização do recurso da intertextualidade, que admite “na sua composição diferentes gêneros, tanto literários (novelas intercaladas, peças líricas, poemas, sainetes dramáticos, etc.), como extraliterários (de costumes, retóricos, científicos, religiosos e outros)” (BAKHTIN, 2014, p. 124). O conceito foi desenvolvido posteriormente por Julia Kristeva, que o tratou como […]
Novos tempos, velhas pragas

O ano de 2020 não para de nos surpreender com más notícias. Em março, veio a tragédia da pandemia, que nos obrigou a uma quarentena interminável e ao isolamento social. Para resistirmos ao novo coronavírus e à sobrevida que ele nos impôs, tivemos de nos adaptar a uma rotina jamais desejada ou imaginada. Dia após […]
2020: Uma odisseia na terra

Há meio século, na década de 1970, assistíamos fascinados aos filmes de ficção científica, imaginando como seria o futuro, no próximo século, e se estaríamos vivos, para ver o novo mundo e o progresso tecnológico. Na mesma época, ouvíamos os sucessos de Raul Seixas, muitos deles reflexivos e de teor filosófico. Mal sabíamos nós que […]
Cultura e mídia televisiva

Nos últimos tempos, tenho estranhado a ideologia que se esconde atrás de alguns produtos que se destinam ao público infantil. O que surpreende não é a ideia em si, mas a objetividade. Se, nas décadas de 1980 e 1990, líamos e ouvíamos a respeito da sexualidade latente nos programas infantis, hoje é flagrante a reorientação […]
O aparente improviso na vida e na arte

Na era das lives, a arte do vídeo está contando com as novas tecnologias para se aprimorar e consolidar seu lugar na sociedade 4.0. É sabido que, nas performances ao vivo, uma boa dose de improviso é fundamental. Entretanto, temos de reconhecer que qualquer tipo de improviso pode ser relativizado; afinal, sempre há um planejamento, […]
(Era uma vez em…) Hollywood, na versão de Ryan Murphy e Ian Brennan

Recentemente, duas produções audiovisuais apresentaram Hollywood como protagonista. A produção de Quentin Tarantino, Era uma vez em… Hollywood (EUA, 2019), veio antes, propondo um final feliz para Sharon Tate Polanski e seus amigos, assassinados por membros da família Manson, em 1969. Em 2020, Ryan Murphy e Ian Brennan voltam a usar a fórmula da felicidade, […]
As razões da literatura

Com a tecnologia que conhecemos hoje, a literatura ganhou um espaço que, sem dúvida, possibilita maior equilíbrio entre arte e cotidiano (Fig. 1). O ciberespaço torna acessíveis alguns tipos de arte que antes eram para poucos, assim como facilita o acesso às expressões artísticas mais populares, como música, cinema e literatura. Trilhas sonoras, shows, clipes, […]
Sobre Escher, palmeiras e pinheiros

Em 2013, fui ao Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, para ver a exposição A magia de Escher e assim conhecer mais sobre a obra de Maurits Cornelis Escher, o artista holandês que ficou famoso no mundo todo, por suas xilogravuras e litografias, nas quais predominam o sépia e o padrão p&b. Havia inúmeras telas, […]
A interpassividade de “Bandersnatch”, de Black Mirror

O texto pode conter spoiler A série Black mirror é reverenciada principalmente pelo episódio “Bandersnatch” (EUA, 2018). Com formato de longa-metragem e associada à interatividade, essa produção passou a ser dissociada da série e ganhou o rótulo de filme interativo: Em primeiro lugar, “Bandersnatch” foi feito para ser “jogado”. Foram gravadas 5h20 de aventura, com […]
Quando os jornais viram manchete na literatura

O conto Rremembranças da menina de rua morta nua, de Valêncio Xavier, diferentemente da novela O mez da grippe, utiliza textos sensacionalistas. Até mesmo a editoria escolhida, a policial, contribui para dar maior popularidade ao texto. No entanto, nem por isso o autor abre mão de questionar a manipulação do discurso e a variação no […]
A coerência crítica e o caos aparente nas colagens de Valêncio Xavier

Na literatura contemporânea, a colagem, recurso amplamente utilizado na maioria dos movimentos de vanguarda do início do século XX, na pop arte e na poesia visual, empresta ao texto um efeito artesanal. Algumas partes do livro são componentes estranhos à literatura convencional e ao próprio significado de texto. Fotos, pedaços de jornal, bilhetes, manchetes e […]
Música e videoclipe: a divergência da imagem

A música “Isso” (2001), dos Titãs, fala de amor e tem uma sonoridade agradável, ao estilo das baladas românticas. Composta por Tony Bellotto, a canção não representa o rock incisivo e questionador da banda, que, na década de 1980, ditava o comportamento de uma geração, a partir da crítica ao sistema e a certas tradições. […]
Era uma vez em…. Hollywood: A reescrita inventiva da história

Assistindo ao filme mais recente de Quentin Tarantino, Era uma vez em… Hollywood (EUA, 2019), as comparações com Bastardos inglórios (EUA, 2009) são inevitáveis. A razão para isso é uma só: há dez anos, o diretor reescrevia a história, vingando-se das crueldades de Adolf Hitler com uma sequência cinematográfica que matava o líder nazista queimado, […]
O voo e a queda em Vertigem do chão, de Cezar Tridapalli

O novo romance de Cezar Tridapalli, Vertigem do chão, foi lançado em novembro de 2019. A narrativa entrelaça as histórias simultâneas de Leonel (dançarino) e Stefan (corredor), dando destaque às relações dos personagens com o corpo, a sexualidade, a sociedade e o espaço. Enquanto Leonel decide deixar Curitiba e ir para Utrecht, na Holanda, Stefan […]
A forma descartesiana na última edição de Catatau, de Paulo Leminski

Em 1990, no Curso de Letras da UFPR, todos falavam da obra Catatau, de Paulo Leminski. Sendo assim, esse e outros livros, que eu ainda não tinha lido, entravam para uma lista que eu fazia, quando ainda era caloura. Meu método era bastante simples: se algum professor, durante as aulas, mencionasse a importância de um […]
Como fica um autor perante o ‘local de fala’ alheio?

Um autor, muitos locais de fala Atualmente, acompanhamos atentos ao debate sobre o conceito de local de fala. Sem dúvida, o ponto positivo dessa discussão é a conquista da voz, da expressão sem intermediários, em alto e bom som. Entretanto, alguns posicionamentos, mais arraigados (talvez em excesso) estabelecem um lado negativo, ao recusarem opiniões que […]
Ci: A garota papo firme
Como estamos próximos das comemorações do Dia Internacional da Mulher, tive a ideia de retomar Ci, personagem da rapsódia macunaímica de Mário de Andrade. Entretanto, apesar de, na obra modernista, já encontrarmos muitas características surpreendentes no perfil de Ci, meu interesse maior é na heroína urbana, recriada por Joaquim Pedro de Andrade no filme Macunaíma […]
Crítica social e (ir)realidade no filme Parasita

O filme Parasita (KOR, 2019), de Bong Joon Hoo, surpreendeu os críticos e o público, razão pela qual tem conquistado vários títulos, nas tradicionais premiações de cinema. O longa foi destaque na mostra Perlak, do Festival de San Sebastian (2019) e conquistou a Palma de Ouro em Cannes (2019). Além disso, entre os prêmios de […]
Breve diálogo com Hans Gumbrecht

Por Verônica Daniel Kobs (Com a gentil colaboração de Hans Ulrich Gumbrecht*) Já há algum tempo, a literatura vem ganhando um espaço novo, virtual, que lhe garante mais liberdade em relação ao formato do livro impresso. Em plena era cibernética, os processos de escrita, leitura e interpretação são bastante específicos e exigem um perfil diferenciado […]
Literatura no Samba – por Verônica Daniel Kobs
LITERATURA NO SAMBA Profa. Dra. Verônica Daniel Kobs* Na avenida, a fantasia vira realidade Este ano, o tema da Mocidade Independente de Padre Miguel foi Marrocos, a literatura do Oriente e suas narrativas maravilhosas, que enfatizam o sonho e a imaginação. Por esse motivo, as histórias acentuam a “suspensão da descrença” (Cf. ECO, 1994), característica […]
