Recorte Lírico

Tirando a literatura dos corredores acadêmicos

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Os youtubers dominam o mercado editorial

26 de agosto de 2016

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Não é de hoje que os jovens têm galgado lugares relevantes no mercado editorial brasileiro. Não faz muito tempo que sucessos como Harry Potter, todas aquelas sagas sobre vampiros, e os mais recentes livros para colorir tomaram conta das prateleiras das livraras Brasil afora. Pois bem, a nova onda de sucesso, no mundo inteiro, são os vlogueiros da internet, os famosos youtubers.

Foto: Renato Parada/Divulgação
No levantamento de 2015 do site PublishNews, aponta que dois dos 10 livros mais vendidos foram assinados por esses autores, o livro Muito mais que cinco minutos, de Kéfera Buchmann, superou a marca de 190 mil cópias vendidas. No levantamento parcial desse ano, do mesmo site, aparecem outros títulos, como Dois mundos, um herói, de Pedro Rezende, já vendeu quase 90 mil.

A curadora da Bamboo Editorial Aloma Carvalho afirma que “Se impressiona com a qualidade do texto que os youtubers usam como base. Não perde em nada para uma crônica”. Na opinião da curadora, “O livro é um pretexto para eles estarem mais próximo do público. Para esse pessoal, o livro é um cartão de visitas”, opina.

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Além de figurar entre os mais vendidos do PublishNews, Muito mais que cinco minutos, de Kéfera Buchmann, faz parte da lista dos títulos mais citados pelas pessoas ouvidas na pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”. De acordo com as entrevistas do Jornal Cândido, essa “literatura de entretenimento” não é novidade, “só o Paulo Coelho formou 10 milhões de leitores”, afirma Ednei Procópio, especialista em livro digital.

O “eu” nos livros
A doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) Gabriela Rodella fez um estudo sobre os hábitos de leitura de 290 estudantes de 15 anos. Ela constatou que os adolescentes se identificam mais com as histórias biográficas, tendo inclusive uma aluna que desistiu da leitura de Capitães da areia, do Jorge Amado, depois que descobriu que a história daqueles meninos de rua não era real. Ela ainda afirmou que a literatura de entretenimento não é discutida em sala de aula e a obra de autores consagrados é considerada complexa.

Os especialistas apontam que o sucesso desses autores está, principalmente, na procura por parte do público-leitor em se pautar na experiência de outra pessoa, um modelo de comportamento. Sendo isso, ou não, o fato é que esses autores revelados nas redes sociais abocanham grande fatia do mercado editorial. Só o tempo vai mostrar se esses autores poderão se consolidar no mercado.

Da Redação

Fonte: Jornal Cândido – Jornal da Biblioteca Pública do Paraná. Reportagem: Kaype Abreu.