Principais livros da Literatura Medieval

Principais livros da Literatura Medieval

Atenção amantes (ou somente interessados) da Literatura Universal! Esse post é uma chamada para conhecer os principais livros da Literatura Medieval e, consequentemente, adicioná-los a sua interminável lista de leituras futuras (e sim, vamos todos morrer antes de ler tudo, veja só: A angústia da biblioteca: você morrerá sem ler tudo).

Essa é a primeira postagem de uma série de seis que, obviamente, abordarão os movimentos literários.

A Epopeia de Gilgamesh (autor desconhecido, a partir de 2100 A.C.): ‘A epopeia de Gilgamesh’, o famoso rei de Uruk, na Mesopotâmia, provém de uma era totalmente esquecida até o século passado. Estes poemas têm direito a um lugar na literatura mundial, não apenas por precederem às epopeias homéricas em pelo menos mil e quinhentos anos, mas principalmente pela qualidade e originalidade da história que narram. Trata-se de uma mistura de pura aventura, moralidade e tragédia. “Por meio da ação esses poemas nos revelam uma preocupação bastante humana com a mortalidade, a busca do conhecimento e a tentativa de escapar ao destino do homem comum. Os deuses não podem ser trágicos, pois não morrem. Se Gilgamesh não é o primeiro herói humano, é o primeiro herói trágico do qual conhecemos alguma coisa. É aquele com quem mais nos identificamos e que melhor representa o homem em busca da vida e do conhecimento, uma busca que não pode conduzi-lo senão à tragédia.” (N. K. Sandars)

Livro das Mutações (atribuído ao Rei Wen De Zhou, séculos XII e XI A.C.): Traduzido diretamente do alemão, com base na versão do original chinesa, realizada e comentada pelo sinólogo Richard Wilhelm, esse livro inclui o prefácio da edição inglesa escrita por C. G. Jung, fazendo dessa a melhor edição já lançada em língua portuguesa até hoje. Para realizar este profundo trabalho de pesquisa com um dos maiores clássicos da sabedoria oriental, Wilhelm teve como mestre e mentor o venerável sábio Lao Hai Hauan, que lhe possibilitou o acesso direto aos textos escritos em chinês arcaico. Dessa forma, Richard Wilhelm pôde captar o significado vivo do texto original, outorgando à sua versão uma profundidade de perspectiva que nunca poderia provir de um conhecimento puramente acadêmico da filosofia chinesa. Utilizado como oráculo desde a mais remota antiguidade, o I Ching, o mais antigo livro chinês que chegou até nós, é também o mais moderno, pela notável influência que vem exercendo na ciência, na psicologia e na literatura do Ocidente, devido não só ao fato de sua filosofia coincidir, de maneira assombrosa, com as concepções mais atuais do mundo, como também por sua função como instrumento na exploração do inconsciente individual e coletivo.

O Mahabharata (atribuído a Vyasa, séculos IX a IV A.C.): O Mahabharata é a maior obra literária já produzida na história da humanidade. Composto por cerca de 200 000 versos, o Mahabharata é quatro vezes maior que a Bíblia e sete vezes maior que a Ilíada e a Odisseia, sendo maior que os dois clássicos gregos juntos. Escrito em sânscrito cerca de 2.500 anos atrás, conta a história de uma guerra de poder travada na Índia entre dois clãs, os Pandava e os Kaurava, que culmina numa aterradora batalha apocalíptica. A mais famosa passagem dessa obra é o famoso Bhagavad Gita, lido como uma obra religiosa à parte.

Ilíada (atribuída a Homero, século XIII A.C.): Composta no século VIII a.C., a Ilíada é considerada o marco inaugural da literatura ocidental. Tradicionalmente atribuída a Homero, a obra aborda o período de algumas semanas no último ano da Guerra de Troia, durante o cerco final dos contingentes gregos à cidadela do rei Príamo, na Ásia Menor.

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Edição da Ubu Editora, da obra atribuída a Homero, foi traduzida do texto original pelo livre docente em literatura grega Christian Werner.

Édipo Rei (Sófocles, 429 A.C.): Sófocles nesse grande Clássico da literatura, narra a história de Édipo, que, determinado por uma profecia irá matar o próprio pai e casar-se com a mãe, que tenta inutilmente fugir do seu destino.

Eneida (Virgílio, 29-19 A.C.): A Eneida conta a saga de Eneias, um troiano que é salvo dos gregos em Troia, viaja errante pelo Mediterrâneo até chegar à região que atualmente é a Itália. Seu destino era ser o ancestral de todos os romanos.

Beowulf (autor desconhecido, séculos XIII a XI): Um poema épico que, passado de geração a geração, perdura há mais de mil anos e tornou-se parte fundamental e um dos pilares da literatura inglesa. BEOWULF narra a história de um herói escandinavo em terras que viriam a se tornar o que hoje conhecemos como Dinamarca e Suécia. Um terrível monstro chamado Grendel tem atacado o reino dos daneses por doze anos, devorando homens e mulheres, até que Beowulf chega para salvá-los, em busca de glória eterna para seu nome.

As mil e uma noites (autor desconhecido, século XIII-XV): Eternas, as histórias das Mil e uma noites se espalharam por todo o mundo, sendo contadas para crianças e adultos através dos séculos. A trama é sobre o sultão Shahriar, que, após descobrir a traição da mulher, decide casar-se cada noite com uma jovem diferente, matando-a ao amanhecer. Tal condenação só é desfeita quando Sherazade, a impetuosa filha do grão-vizir, se oferece como noiva do sultão e faz com que as noites se multipliquem ao inebriar o marido com suas histórias envolventes.
Com apresentação de Malba Tahan, esta edição de luxo das Mil e uma noites traz aventuras de mercadores, anedotas, histórias de príncipes e gênios, além dos clássicos Ali Babá, Aladim e Simbá, o marinheiro.

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Uma entre as inúmeras adaptações para o cinema de As mil e uma noites. Essa do diretor Pier Paolo Pasolini, em 1974.

O Conto de Genji (Murasaki Shikibu, 1000-1012): O conto ou Romance de Genji é considerado por muitos o primeiro grande romance da literatura mundial. Escrito no início do século 11 pela fidalga e dama de companhia da corte Murasaki Shikibu, centra sua narrativa principal na vida do “radiante Genji” (hikaru Genji), filho de um imperador. O romance acompanha sua ascensão e queda política, após ser rebaixado ao status de cidadão comum, e seu lento galgar de volta à corte, entremeado com inúmeros romances em vários contextos e regiões do país. Após a morte de Genji, o conto segue sua saga através de dois de seus descendentes. Dividido em 54 capítulos, O conto de Genji é não apenas um relato divertido das relações românticas de Genji e um deslumbrante retrato do esplendor da corte do período Heian (794-1185). É também uma crônica social e política, um tratado que versa sobre teoria estética e filosofia budista, um guia comportamental e uma fonte de insight sobre a natureza humana. Oferecendo muito mais do que romance, O conto de Genji conheceu sucesso em sua época, não apenas entre homens e mulheres da aristocracia, mas também para instituições budistas e seu adeptos, líderes militares e suas famílias, comerciantes e burgueses.

A Canção de Rolando (autor desconhecido, 1098): A primeira canção de gesta da literatura francesa. Uma tradução do livro que marca o início da literatura francesa – uma lenda que, como a de Tróia, deu a volta ao mundo. Viajando pelo Brasil em 1977, um francês chega a “um vilarejo muito isolado do Rio Grande do Norte”. “Um camponês bastante idoso, quando soube que eu vinha da França, pediu-me notícias de Rolando. Toda noite os camponeses nordestinos entoam cantilenas: a história dos doze pares de Carlos Magno, do traidor Ganelon, das Amadis de Gaula. O camponês estava preocupado. A discussão entre Roldão e Oliveiros não lhe dizia nada de bom. Ele não apostaria muito na felicidade da bela Alda.”

Lancelote, o cavaleiro da carreta (Chrétien de Troyes, 1175-1181): Lancelot ou le Chevalier de la charrette (Lancelot, o cavaleiro da charrete) é o terceiro romance arturiano escrito por Chrétien de Troyes (por volta de 1135 a aproximadamente 1181). A obra foi composta entre 1176 e 1181, a pedido de Maria de Champagne. Esse romance, em versos octossilábicos, faz parte do ciclo do Santo Graal, os quatro volumes mantidos na Bibliothèque nationale de France nas identificações de estante de FR 113 a FR 116. Essa cópia do romance foi encomendada pelo amante de livros Jacques d’Armagnac, duque de Nemours e conde de La Marche, entre 1470 e 1475. Ele solicitou ao iluminador Evrard d’Espinques (de 1414 a 1494), de Colônia, para que ilustrasse a obra. No romance, Lancelot se propõe a resgatar a rainha Guinevere, raptada e mantida prisioneira por Meleagant. Para alcançar seu objetivo, Lancelot tem que passar por diversos obstáculos e fazer sacrifícios durante uma viagem inicial. Um dos sacrifícios é a origem do “cavaleiro da charrete”, lido no título. A fim de salvar sua senhora, Lancelot precisa entrar, contra sua vontade, numa carroça de condenados guiada por um cuidador de gado, sinal de extrema vergonha social na Idade Média. Ao fazer isso, ele perde sua honra e é marginalizado de acordo com o próprio código do título de cavaleiro que o obriga a fazer o sacrifício. Esse romance é um bom exemplo de fin’amor ou fol’amor (amor cortês), a história de amor ideal na literatura medieval.

A Saga de Njal (autor desconhecido, final do século XIII): Uma das grandes obras em prosa do mundo e a mais notável e fascinante dentre todas as sagas islandesas, a Saga de Njal começou sendo contada, de boca em boca, nos lares nórdicos, nos vales e colinas, nas costas dos mares e fiordes, nas margens dos rios, e foi passando de geração para geração, revelando o dia a dia de um viking com riqueza de detalhes: seus pensamentos e seus ferozes costumes arbitrários, acompanhando passo a passo suas sangrentas batalhas e aferradas vinganças desde a primeira rixa de sangue até a derrocada final.

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O livro dos mortos do Antigo Egito, da Editora Madras.

O Livro Dos Mortos Do Antigo Egito (autor desconhecido, século XVI A.C.): O primeiro livro da humanidade. Quem exatamente teria escrito este livro e a quem se destinaria? Para certos estudiosos mais céticos não se trata de um livro destinado a todos, mas sim produzido pelos sacerdotes para o povo egípcio, isto é, a massa religiosa comum. Com isto o clero cumpria sua função de orientadores religiosos – fomentando e consolidando crenças -, preservava a estabilidade de seu poder religioso e político e garantia enormes lucros financeiros com o vantajoso negócio da mumificação e o fornecimento dos acessórios materiais que deviam acompanhar o morto, inclusive as próprias cópias do Livro dos Mortos. Outros, ao contrário, veem no Livro dos Mortos pouco ou nada para religiosos ordinários, profanos e ignorantes – a linguagem narrativa do morto, apesar do estilo grandiloqüente, imperioso e persuasivo, marcantemente autopromocional”, esconderia um conteúdo hermético na verdade destinado aos iniciados, eleitos e eventuais futuros sacerdotes. Quem sabe a própria narrativa de O Livro dos Mortos não fosse a das experiências fora do corpo de um iniciado em projeção astral ou mesmo um hierofante que, simulando a morte física, ensinava e provava o fato da imortalidade ou da existência de um princípio espiritual? Um terceiro partido opta pelo ecletismo, entendendo que as duas visões anteriores não são mutuamente excludentes, mas sim harmonizáveis . Para estes, o Livro dos Mortos tem dupla face, exotérica/esotérica, dirigindo-se ao mesmo tempo a devotos ordinários e iniciados eleitos, numa redação genial e propositalmente ambígua que pode ser captada literal e superficialmente pelo vulgo e interpretada profundamente pelos estudiosos do oculto.

Odisseia (Homero, 725-675 A.C.): Os mais de doze mil versos do grande épico de Homero em uma tradução premiada do helenista português Frederico Lourenço. Introdução de Bernard Knox, um dos maiores especialistas americanos em estudos clássicos. A narrativa do regresso de Ulisses a sua terra natal é uma obra de importância sem paralelos na tradição literária ocidental. Sua influência atravessa os séculos e se espalha por todas as formas de arte, dos primórdios do teatro e da ópera até a produção cinematográfica recente. Odisseia se tornou também um substantivo comum, que denomina jornadas marcadas por perigos e eventos inesperados, e Homero um adjetivo usado para relatar feitos grandiosos. Seus episódios e personagens – a esposa fiel Penélope, o filho virtuoso Telêmaco, a possessiva ninfa Calipso, as sedutoras e perigosas sereias – são parte integrante e indelével de nosso repertório cultural.

Teogonia (Hesíodo, 700 A.C.): Hesíodo (VIII-VII a.C.), junto com Homero, é o mais antigo poeta grego cujas obras chegaram a nós. Em Teogonia – A origem dos deuses, podemos contemplar a excepcional tradução de Jaa Torrano que inclui um brilhante ensaio introdutório, desenvolvido a partir de seus estudos a respeito do pensamento religioso grego.

Leitura Adicional:
Dao De Jing (Laozi);
Oréstia (Ésquilo);
Medeia (Eurípedes);
As Vespas (Aristófanes);
Ramayana (Valmiki);
Canções de Chu (autor desconhecido);
Metamorfoses (Ovídio);
O Asno de Ouro (Lucius Apuleio);
A Canção de Hildebrando (autor desconhecido);
Digenis Acritas (autor desconhecido);
O Livro do Travesseiro (Sei Shônagon);
Mabinogion (autor desconhecido);
Cantar de Mio Cid (autor desconhecido);
O Conto da Campanha de Igor (autor desconhecido);
Canção dos Nibelungos (autor desconhecido);
O Romance da Rosa (Guillaume De Lorris e Jean De Meun);
Cantigas de Santa Maria (Afonso X).

REFERÊNCIAS:
O livro da literatura / organização James Canton [et al.]; tradução Camile Mendrot [et al.] – 1. ed. São Paulo: Globo, 2016. (p. 16-57)
Amazon.com (sinopses)
DESARTES, O CONTO DE GENJI: UM CLÁSSICO JAPONÊS ILUMINADO (sinopse). Disponível em: https://dasartes.com.br/materias/o-conto-de-genji-um-classico-japones-iluminado/
Biblioteca Digital Mundial, Lancelot, o cavaleiro da charrete (sinopse). Disponível em: https://www.wdl.org/pt/item/14424/#:~:text=No%20romance%2C%20Lancelot%20se%20prop%C3%B5e,charrete%E2%80%9D%2C%20lido%20no%20t%C3%ADtulo.

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Sara Muniz

Sara Muniz

Sara Muniz, 22 anos, formada em Letras Português-Inglês, criadora e idealizadora do blog Interesses Sutis desde 2014, professora de inglês em tempo integral, escritora, revisora e redatora nas horas vagas. Trabalha para comer, viajar e comprar livros. E-mail: saramunizz@gmail.com

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