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Trending no Recorte Lírico

LITERATURA EM GRAVURA: POTY TRADUZ DALTON

LITERATURA EM GRAVURA: POTY TRADUZ DALTON

Verônica Daniel Kobs Há um ano, em 9 de dezembro de 2024, Curitiba se despedia de Dalton Trevisan. A data ainda pulsa como uma dobra na memória literária da cidade, lembrando-nos de que certas vozes permanecem inquietas mesmo após o silêncio biográfico. Literatura em gravura: Poty traduz Dalton propõe uma homenagem que não busca suavizar […]

LEIA-ME SE FOR CAPAZ: A LITERATURA EM CÓDIGO

LEIA-ME SE FOR CAPAZ: A LITERATURA EM CÓDIGO

Verônica Daniel Kobs Combinando tecnologia digital, narrativas literárias sintéticas e ludicidade, os QR contos mostram outra possibilidade de inserção da literatura no ciberespaço. Segundo Vanessa Cardozo Brandão, “[…] mesmo sendo o texto o objeto primário do agenciamento literário, no tempo da comunicação digital e seus fluxos midiáticos, ele pode sair de seu lugar canônico de […]

TWITTERATURA: A ESCRITA EM ESTADO DE URGÊNCIA

TWITTERATURA: A ESCRITA EM ESTADO DE URGÊNCIA

Verônica Daniel Kobs Era uma vez um romance que não cabia no bolso. Depois veio o conto, o poema, o haicai. E então, o tweet. Não mais páginas, capítulos, prólogos. Agora é tudo em tempo real, em tempo curto, em tempo de timeline. 280 caracteres. Menos que um parágrafo. Imagine um romance em forma de […]

AINDA ESTOU AQUI: ALÉM DO RELATO, A PRESENÇA

AINDA ESTOU AQUI: ALÉM DO RELATO, A PRESENÇA

Verônica Daniel Kobs O filme Ainda estou aqui (BRA, 2024), de Walter Salles, que venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em março de 2025, continua conquistando plateias e críticos ao redor do mundo. Só este ano, a produção é associada a mais de um terço de toda a bilheteria do cinema nacional, conforme anunciado […]

O ARTIFÍCIO ENCANTADO: WES ANDERSON E A MÁQUINA DE CONTAR HISTÓRIAS

O ARTIFÍCIO ENCANTADO: WES ANDERSON E A MÁQUINA DE CONTAR HISTÓRIAS 1

Verônica Daniel Kobs Publicado em 1977, em uma coletânea, o conto A maravilhosa história de Henry Sugar é uma das obras mais singulares de Roald Dahl, autor amplamente conhecido por suas histórias infantis cheias de imaginação e irreverência. Neste conto, voltado ao público jovem-adulto, Dahl entrelaça elementos de fábula, misticismo e crítica social para narrar […]

PROMPTOFAGIA: OSWALD DE ANDRADE NO VALE DO SILÍCIO

OSWALD DE ANDRADE NO VALE DO SILÍCIO

Verônica Daniel Kobs Thales Vianna Coutinho Como pesquisadora na área de Literatura e Intermidialidade, na última década, meus projetos passaram a investigar as influências da tecnologia digital sobre as artes. Nesse contexto, autoria e leitura tornaram-se temas constantes e isso se acentuou ainda mais com o uso recente da IA generativa. Em 2024, organizei um […]

TRINTA BRINDES AO “POETA DO AZUL”

TRINTA BRINDES AO “POETA DO AZUL” 2

Verônica Daniel Kobs No fim de 2024, quando conheci o livro 30 Copos para Carlos Pena Filho, deWashington Martins, já na primeira olhada percebi coisas que me encantaram.Os quartetos e os versos heptassílabos se sobressaíam e, na teoria do verso,isso sinaliza uma perfeita combinação entre forma e conteúdo, no que se refereao que é simples […]

AVOANDO BAIXO E PIANDO ALTO NO GRANDE SERTÃO: VEREDAS DA ECOCRÍTICA

AVOANDO BAIXO E PIANDO ALTO NO GRANDE SERTÃO: VEREDAS DA ECOCRÍTICA

Leonir Kobs Verônica Daniel Kobs A obra de João Guimarães Rosa (1908-1967) sempre é reverenciada por valorizar a geografia e a natureza. Juntas, essas características representam o sertão mineiro em toda sua riqueza: animal, vegetal e mineral — e, neste ensaio, privilegiaremos o romance Grande sertão: veredas, lançado em 1956, além de comentarmos trechos brevíssimos […]

VERSOS INSTAGRAMÁVEIS PARA CURTIR <3

VERSOS INSTAGRAMÁVEIS PARA CURTIR <3 3

Verônica Daniel Kobs Atualmente, as redes sociais são espaços de produção e de leitura de textos de diversos tipos, inclusive literários, e o percurso dos autores varia bastante. Enquanto muitos já têm uma carreira consolidada, no mercado editorial dos livros impressos, mas começam a usar as redes para redefinir sua obra e seu público, também […]

MINICONTOS DA ER@ DIGIT@L: INTERATIVOS, VISUAIS, SONOROS

Minicontos_Fig. 2

Verônica Daniel Kobs Afeitos à urgência do mundo contemporâneo, os minicontos voltaram à moda, por corresponderem estritamente às características do tempo, que, para Ramon Tessman, “hoje […] não é mais linear, mas sim, fragmentado” (Tessman, 2016). Outra qualidade dos textos brevíssimos é o convite à participação do leitor, em sintonia com a atividade e o […]

A MALDIÇÃO DA PRESSA EM BELEZA FATAL

A MALDIÇÃO DA PRESSA EM BELEZA FATAL

Verônica Daniel Kobs (Este texto contém spoilers.) Sempre fui noveleira. Uma avó me criou na frente da TV, onde assistíamos juntas às melhores tramas da época (nos anos 1970 e 1980) e a outra me ligava antes dos últimos capítulos para saber o que eu achava que iria acontecer!  Hoje, sou professora universitária, pesquisadora de […]

PAU-BRASIL RELOADED: O DIA EM QUE OSWALD DE ANDRADE ENCONTROU O ALGORITMO

Imagem gerada por ia baseada nas obras de Osward de Andrade

Muito se fala da Antropofagia, mas poucos dão a devida importância para o Manifesto da Poesia Pau-Brasil, o primeiro escrito por Oswald de Andrade. Lançado em 1924, quatro anos antes do Manifesto Antropófago, o documento inaugura o ideário do escritor modernista. Nesse momento, uma base sólida é construída… Esse foi o início de um posicionamento […]

ANTROPOFAGIA NA PRÁTICA: OSWALD DE ANDRADE AVANT-GARDE

ANTROPOFAGIA NA PRÁTICA: OSWALD DE ANDRADE AVANT-GARDE 4

Verônica Daniel Kobs Antes de dar início às relações interartísticas que este estudo propõe, cabe resgatar oprincípio básico da obra de Oswald de Andrade, que foi desenvolvendo aos poucos, até delinearcom mais clareza o que o autor chamou de movimento antropofágico. A antropofagia utilizava“um tipo ao mesmo tempo local e universal de expressão, reencontrando a […]

SOBRE PASSADO, PRESENTE E FUTURO:A ESCRITA LITERÁRIA E O PODER DAS MULHERES

SOBRE PASSADO, PRESENTE E FUTURO:A ESCRITA LITERÁRIA E O PODER DAS MULHERES

Verônica Daniel Kobs Todo ano é a mesma coisa e, em março, o Dia Internacional da Mulher reacendedebates. No entanto, as mudanças na forma de abordar os temas relacionados a essa datanão cessam. Já faz tempo que se convencionou que a cor rosa não representa mais asmulheres e incentiva o binarismo. Porém, este ano, percebi […]

A CARNE, EM A MARVADA CARNE 

A CARNE, EM A MARVADA CARNE 

Com o grande sucesso do filme Ainda estou aqui, Fernanda Torres continua a ser mencionada em todas as mídias (impressas e on-line). Por isso, decidi revisitar um dos capítulos da minha tese, sobre literatura brasileira e cinema nacional, e divulgar um filme que fez sucesso há 40 anos, mas que considero um título obrigatório para […]

CACÁ DIEGUES E XICA DA SILVA (1976): A HISTÓRIA DO BRASIL EM FLASHES

CACÁ DIEGUES E XICA DA SILVA (1976): A HISTÓRIA DO BRASIL EM FLASHES

Este texto homenageia Cacá Diegues (1940-2025), que acompanhou de perto o Cinema Novo. Como consequência, a estética cinematográfica desse diretor foi inspirada no movimento brasileiro que se consolidou como um marco no cinema nacional, ao dar continuidade à literatura politizada da segunda fase modernista. Para concretizar esse propósito, o Cinema Novo precisou reagir fortemente às […]

ESTACA NO CORAÇÃO: O ADEUS A DALTON TREVISAN

ESTACA NO CORAÇÃO: O ADEUS A DALTON TREVISAN

E Dalton Trevisan se foi… No início de dezembro de 2024, fui surpreendida pela notícia da morte de Dalton Trevisan (1925-2024). Sim, ele já estava com 99 anos e muitos me disseram que eu não deveria ter estranhado tanto sua partida. Porém, costumamos associar os vampiros à imortalidade, certo? Sobretudo no caso de Dalton, que […]

A FUNÇÃO DO TELEFONE NA CRIAÇÃO DO VIDEOTEXTO

A FUNÇÃO DO TELEFONE NA CRIAÇÃO DO VIDEOTEXTO

Verônica Daniel Kobs Ao contrário do que se pensa o videotexto não foi desenvolvido a partir da TV. O teórico Júlio Plaza comenta a criação dessa mídiae explica que esse sistema “opera regularmente (desde o dia 15/12/82) na cidade de São Paulo, sob os cuidados da Telesp” (Plaza, 1983). Isso mesmo. Embora a imagem e […]

DA PÁGINA À TELA: A POESIA CONCRETA NA ERA DIGITAL

DA PÁGINA À TELA: A POESIA CONCRETA NA ERA DIGITAL

Verônica Daniel Kobs Na literatura digital, o movimento e a sonoridade contribuem para acentuar as diferenças entre cibertextualidade e livro impresso. Entretanto, nas obras de Augusto de Campos, esses recursos deixam de ser apenas um efeito especial e sinalizam um diálogo efetivo entre a literatura e outras artes.  O poema “TVgrama 2”, publicado originalmente em […]

Santa Clarita Diet: Os Zumbis na Sociedade Contemporânea

SANTA CLARITA DIET

Verônica Daniel Kobs A série americana Santa Clarita diet, produzida pela Netflix e dirigida por Victor Fresco, foi lançada em 2017. O nome é uma alusão à cidade de Santa Clarita, na Califórnia, e esse detalhe é responsável por um importante diferencial, já que, na história, Sheila (Drew Barrymore) é uma zumbi, moradora do subúrbio, […]

A CAVERNA, DE JOSÉ SARAMAGO:ENTRE O MITO DE PLATÃO E A TECNOLOGIA DIGITAL

A CAVERNA, DE JOSÉ SARAMAGO:ENTRE O MITO DE PLATÃO E A TECNOLOGIA DIGITAL

Verônica Daniel Kobs Neste estudo, escolhi analisar A caverna, de José Saramago, relacionando-a ao livro Seis propostas para o próximo milênio: lições americanas, de Italo Calvino. Conheci o livro A caverna no ano do lançamento, quando o autor veio ao Brasil, divulgando seu trabalho mais recente. Em Curitiba, o evento foi realizado em dezembro de […]

ARTES INCOMUNS SOBRE COISAS COMUNS

ARTES INCOMUNS SOBRE COISAS COMUNS 6

Verônica Daniel Kobs Tatsuya Tanaka (1981-) é um artista japonês que cria maquetes com cenas inspiradas no cotidiano, mas que utilizam materiais inusitados, que evidenciam a criatividade das peças, ao mesmo tempo em que promovem relações nada triviais. Trata-se do processo denominado mitate, que objetiva a releitura e a recontextualização, a fim de propor uma […]

CRÔNICA CURITIBANA

CRÔNICA CURITIBANA 7

Verônica Daniel Kobs Há dois meses, no fim de uma manhã chuvosa de sábado, andei pelo Centro de Curitiba, entre a Rua Augusto Stellfeld e o Edifício Tijucas, e me senti em outra cidade. Na verdade, sinto isso desde 2021 ou 2022, quando experimentamos o novo normal, depois da pandemia de covid-19. A cada passeio […]

DO POEMA VISUAL AO CLIP-POEMA

DO POEMA VISUAL AO CLIP-POEMA

Verônica Daniel Kobs Levando em conta que os clip-poemas também são chamados simplesmente de vídeos ou, ainda, de videopoemas, faz-se necessária uma breve contextualização acerca desse formato. Conforme a pesquisadora Denise Guimarães, o videopoema começou a ganhar espaço “no Brasil e em Portugal, desde os anos 80, quando ocorrem algumas experiências pioneiras com a poesia […]

OUTRAS EXTRAVAGÂNCIAS DE JOANA VASCONCELOS

JOANA VASCONCELOS

Verônica Daniel Kobs Joana Vasconcelos (1971-) é uma artista plástica francesa, com cidadaniaportuguesa, que conquistou fama internacional com seu estilo único. Suas criações,como mostraremos aqui, exaltam a grandiosidade, a mistura de materiais, o uso deelementos cotidianos e, em alguns casos, também os aspectos rústico e artesanal. Em Cinderela (2008), a artista associa o ícone das […]

VERTIGEM SURREALISTA

Vertigem surrealista_

O movimento surrealista teve seu auge no período de 1922 a 1925 e, em seu Manifesto, trazia a seguinte definição: “Puro automatismo psíquico, através do qual se pretende expressar, verbalmente ou por escrito, o verdadeiro funcionamento do pensamento. O pensamento ditado na ausência de todo o controle exercido pela razão (…).” (Ades, 2000, p. 91). […]

Bê-á-Bá Dadaísta

Bê-á-Bá Dadaísta 8

Com o início da Primeira Guerra Mundial, o movimento Dadá propõe o retorno à primitividade. Sob o impacto destrutivo da guerra, sugeria-se começar do zero e fazer uma arte “nova”: Com o dadaísmo, uma nova realidade toma posse de seus direitos. A vida aparece uma simultânea confusão de barulhos, de cores, de ritmos espirituais que […]

Sobre a Hereditariedade das Artes: Pintura e Literatura

Sobre a Hereditariedade das Artes: Pintura e Literatura 9

Em conformidade com as vanguardas europeias, que tinham como principais metas a recusa à representação mimética e a liberdade social e estética, as tendências artísticas do Neoplasticismo e do Abstracionismo, durante as décadas de 1910 e 1920, privilegiavam as formas geométricas e o aspecto não figurativo. Isso equivale a dizer que a relação direta da […]

Do Livro Impresso Para o Formato Videográfico: A Literatura Performática de Arnaldo Antunes

Do Livro Impresso Para o Formato Videográfico: A Literatura Performática de Arnaldo Antunes 11

A videografia é um processo frequentemente utilizado para a adaptação das obras que foram lançadas na mídia impressa. Portanto, o formato videográfico está intrinsecamente relacionado à tecnologia digital e é capaz de reunir palavra, som, imagem e movimento, explorando cada um desses elementos em profundidade. No livro Algo antigo (2021), de Arnaldo Antunes, há dois […]

A Volta dos Saraus Literários

A Volta dos Saraus Literários 13

No Brasil do início do século XIX, nossa sociedade e nossa literatura conheceram a moda europeia dos saraus literários. Naquela época, nossa cultura precisava de modelos, devido à dependência gerada em qualquer processo de colonização. Desde o século XVI, seguíamos os portugueses. Posteriormente, no século XIX, aderimos aos padrões franceses. Até que, no século XX, […]

Escrita Expandida e Transletramento: Os Novos Perfis do Autor e do Leitor na Era Digital

Escrita Expandida e Transletramento: Os Novos Perfis do Autor e do Leitor na Era Digital 15

Neste início de século (e de milênio), experimentamos inúmeras mudanças, principalmente devido aos avanços tecnológicos. A revolução gerada pelo computador e pela Internet, nas últimas décadas do século XX, no Brasil, abriu espaço para a comunicação e para o conhecimento, o que resultou em novos direitos, mas também em deveres. É preciso saber usar a […]

Algo Antigo, de Arnaldo Antunes: Multimodalidade e Escrita Híbrida

Algo Antigo, de Arnaldo Antunes: Multimodalidade e Escrita Híbrida 17

No final da década de 1990, Luís Arata já anunciava mudanças significativas, ao afirmar: “[…] a literatura está se movendo de suas origens em tradições orais para o futuro das experiências atuais na nova mídia” (Arata, 1999, tradução nossa). Posteriormente, o linguista Luiz Antônio Marcuschi registrou uma profusão de novos gêneros textuais, a maioria deles […]

“O Mundo Depois de Nós”: Amigos Para Sempre?

“O Mundo Depois de Nós”: Amigos Para Sempre? 18

O filme O mundo depois de nós (EUA, 2023), dirigido por Sam Esmail, tem sido bastante comentado, mas, lamento dizer, usando as premissas erradas. Várias resenhas apresentam o que chamam de “final explicado” e para mim isso é um problema, porque essas explicações interferem na interpretação de cada espectador, anulando a polissemia. Além disso, todo […]

Novidade Transmidiática em Algo Antigo, de Arnaldo Antunes

Novidade Transmidiática em Algo Antigo, de Arnaldo Antunes 20

Como poeta, músico, artista plástico e performer, Arnaldo Antunes transita por várias artes, a fim de subverter a noção convencional de fronteira e promover cruzamentos que possibilitam inovações constantes. O escritor já assinou projetos multimidiáticos, lançados nos anos 1990, razão pela qual, hoje, a transmidialidade revela-se como uma opção natural. Embora os teóricos apresentem conceitos […]

A Conclamação no Filme RRR: Revolta, Rebelião e Revolução

A Conclamação no Filme RRR: Revolta, Rebelião e Revolução 22

RRR: Revolta, rebelião, revolução (IND, 2022), dirigido por S. S. Rajamouli, dá voz aos oprimidos e tenta mostrar que a superação é sempre uma possibilidade. No ano passado, o longa venceu nas seguintes categorias: Melhor Diretor (New York Film Critics Ciecle Award); Melhor Filme Estrangeiro (Critics’ Choice Award); Menção Honrosa (Satellite Award); e Melhor Canção […]

Van Gogh & Impressionistas: Vantagens e Desvantagens da Tecnologia Digital

Van Gogh & Impressionistas: Vantagens e Desvantagens da Tecnologia Digital 24

No ano passado, foi lançada a exposição Van Gogh & impressionistas, que dava ênfase ao pintor holandês Vincent Willem Van Gogh (1853-1890). Projeções de imagens de quadros icônicos propiciavam ao público uma experiência imersiva de luzes e sons. No entanto, as pinceladas densas e aparentemente em desalinho não podiam ser percebidas da mesma maneira.  Relembrando […]

A Intertextualidade Musical em “Trilhas Sonoras de Amor Perdidas”, de Felipe Hirsch

A Intertextualidade Musical em

Em “Trilhas sonoras de amor perdidas”, a música é elemento diegético, porque integra a narrativa criada pelo diretor, e autônomo, pois existe também fora do âmbito teatral. Nesse sentido, se analisadas isoladamente, as canções são hipotextos, mas, na intertextualidade, tornam-se componentes de um hipertexto. Além disso, essa espécie de adaptação – não de uma, mas […]

Trilhas Sonoras de Amor Perdidas: Uma Peça Musical de Felipe Hirsch

Trilhas Sonoras de Amor Perdidas: Uma Peça Musical de Felipe Hirsch 29

“Trilhas sonoras de amor perdidas”, de Felipe Hirsch e da Sutil Companhia de Teatro, estreou em 2011, no Festival de Teatro de Curitiba, como segunda parte da trilogia Som & fúria.  Com Natalia Lage e Guilherme Weber, o espetáculo, com mais de três horas, mistura ações e diálogos com sucessos musicais, a maioria deles tocada […]

Barbieland: Qual Delas Você Quer Ser?

Barbieland: Qual Delas Você Quer Ser? 31

“Explorando o Barbieland: De Estereótipo a Símbolo de Diversidade e Empoderamento Feminino” Em 2023, estreou o filme Barbie, de Greta Gerwig, com Margot Robbie (Barbie) e Ryan Gosling (Ken). Para os acusadores, Barbie representa futilidade e a imagem da beldade é considerada antifeminista e racista. Felizmente, o tipo físico de Barbie não prevalece hoje, quando […]

Sigrid Renaux: Ecocrítica e os Ecos do Mundo

Sigrid Renaux: Ecocrítica e os Ecos do Mundo 33

Para tentar alcançar o objetivo da consciência ecológica, as artes desempenham um papel fundamental. Em razão disso, variando o grau de intensidade, muitos poemas de Sigrid Renaux vão além do protagonismo botânico e promovem a união da fauna e da flora, ainda sem destacar o humano: “asas-pétalas / brancas negras / a mariposa revela suas […]

Poesia Ecológica e Resistência

Poesia Ecológica e Resistência 35

Nos haicais de Sigrid Renaux, plantas e pássaros assumem o protagonismo, para inverter a pirâmide que costuma consolidar a supremacia do homem sobre os demais seres. Isso, por sua vez, relaciona-se ao conceito de que “[…] o ambiente, muitas vezes imaginado como espaço inerte, vazio ou como recurso para uso humano, é, de fato, um […]

Super-Heróis da Vida Real

Super-Heróis da Vida Real 36

(Com a colaboração de Leonir Kobs) No dia 11/09/2001, uma tragédia surpreendeu o mundo. No Brasil, os jornais informaram que um avião tinha se chocado contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Manhattan, Nova Iorque. Quase 3 mil pessoas morreram, vítimas do terrorismo. Vinte anos depois, a ameaça continua: Os programas de vigilância […]

Literatura e Ecocrítica: Nós Somos Todas as Flores

Literatura e Ecocrítica: Nós Somos Todas as Flores 38

Agora, chove dentro de mim, em minhas folhas se demoram gotas, suspensas entre um e outro Sol. Em mim pousam cantos e sombras e eu não sei se são aves ou palavras. (COUTO, 2014, p. 14) Privilegiando as plantas, a poeta Sigrid Renaux contribui para que “[…] ambientes sociais e naturais sejam reconhecidos como inseparáveis” […]

De Que Modo O Menino, A Toupeira, A Raposa e o Cavalo Podem Ajudar Você?

De Que Modo O Menino, A Toupeira, A Raposa e o Cavalo Podem Ajudar Você? 39

O livro O menino, a toupeira, a raposa e o cavalo, de Charlie Mackesy (2019), foi presença constante nos mais vendidos do The New York Times. Da mesma maneira, o filme homônimo (2022) ganhou o Oscar na categoria Melhor Curta-Metragem de Animação (Fig. 1). Pelo fato de o autor participar da direção, a estética é […]

O Florescimento da Ecocrítica na Poesia

O Florescimento da Ecocrítica na Poesia 41

Nos haicais de Sigrid Renaux, prevalece a estrutura de 3-4 versos – brancos e livres −, que integram um tópico frasal. Em raras exceções, os poemas são compostos de 5-6 e até 2 versos. Essas características adaptam o formato tradicional. No entanto, é mantida a ideia de, pela literatura, sobrepor plantas, animais e minerais ao […]

Os Haicais e a Natureza

Os Haicais e a Natureza 42

Levados a observar atentamente os sinais da natureza, em cada estação do ano, os leitores da produção poética de Sigrid Renaux deparam-se com um estilo simples na forma, sintético na ideia, mas profundamente contemplativo no que se relaciona ao conteúdo. Aliás, essas três características resgatam os princípios seguidos na escrita dos haicais − textos brevíssimos, […]

1 Oscar para 007 em 2022

1 Oscar para 007 em 2022 43

O filme 007: Sem tempo para morrer (EUA, 2021), dirigido por Cary Fukunaga, é o último do ator Daniel Craig no papel de James Bond. No longa, a vinheta de abertura é um espetáculo à parte, e que faz uso da intertextualidade como principal recurso. Essa abertura, que pode ser considerada uma espécie de clipe […]

Hiperlinks e Leitura não linear na Net Art de Olia Lialina

Hiperlinks e Leitura não linear na Net Art de Olia Lialina 44

Atualmente, o hipertexto redefine a função do leitor e o percurso de leitura, devido à utilização de hiperlinks. A principal consequência dessa tipologia textual, exclusiva do ciberespaço, é a democratização das linguagens: “A possibilidade de combinar texto e outros tipos de signos em hiperambientes descentraliza a hierarquia linear e reconceitualiza a dimensão gráfica do texto” […]

Hipertextualidade e interação em My Boyfriend came back from the war

Hipertextualidade e interação em My Boyfriend came back from the war 46

A net art de Olia Lialina, com base na diversidade propiciada pela computação e pela Internet, caracteriza-se como hipertexto intertextual, combinando a narrativa com mídias completamente distintas. Assim, o computador é estabelecido como veículo em que as artes e as linguagens convergem. De modo a evidenciar a sistemática e a estrutura de um hipertexto, que […]

My boyfriend came back from the war: Da fala ao grito, do uniplex ao multiplex

My boyfriend came back from the war: Da fala ao grito, do uniplex ao multiplex 47

Na net art My boyfriend came back from the war (1996), de Olia Lialina, as falas dos personagens parecem desvinculadas. Isso ocorre em todo o texto, que parece ser feito de fragmentos de memória ou flashes — de imagens, frases feitas e resgate de falas de outras pessoas. Além disso, não há a mediação de […]

Imagem, palavra e quadrinização na Net Art de Olia Lialina

Imagem, palavra e quadrinização na Net Art de Olia Lialina 49

Este ensaio analisa a obra intitulada My boyfriend came back from the war. O texto foi publicado em 1996, mas até hoje pode ser acessado a partir do link:  <http://www.teleportacia.org/war/> (Fig. 1). Na sequência mostrada, embora o signo verbal dê início ao texto, as imagens predominam. Além disso, a fragmentação e a simultaneidade instalam-se gradativamente: […]

O metal-ópera do Sepultura

O metal-ópera do Sepultura 51

Na edição de 2022 do Rock in Rio, a banda Sepultura dividiu o palco com a Orquestra Sinfônica Brasileira e, em vez do longo solo de guitarra, o público foi presenteado com uma percussão de triângulo e tambores. A surpresa foi proposital, para acentuar a diferença, usando uma sonoridade totalmente oposta ao peso do metal. […]

Na batida do Jazz: Identidade, de Rebecca Hall

Na batida do Jazz: Identidade, de Rebecca Hall 52

Dirigido por Rebecca Hall, Identidade − ou Passing (EUA; UK; CA, 2021) − é uma adaptação do livro de Nella Larsen. A história se passa no Harlem, em 1920, e conta sobre duas amigas: Clare é uma negra que finge ser branca, casada com John, branco e rico; e Irene, negra, é casada com Brian, […]

Retrocedendo: as mídias e a cultura vintage – Parte 4

Retrocedendo: as mídias e a cultura vintage – Parte 4 53

Encerrando nossa viagem ao passado, hoje vamos tratar das mídias sonoras e de outras, isoladas, mas bastante usadas nas décadas de 1980 e 90. Naquela época, o disco de vinil era muito comum. O primeiro LP (Long Player) que comprei para chamar de meu foi Seu Espião, da banda nacional Kid Abelha e Os Abóboras […]

Retrocedendo: as mídias e a Cultura Vintage – Parte 3

Retrocedendo: as mídias e a Cultura Vintage – Parte 3 54

Continuando nosso resgate às mídias do passado, nosso tema de hoje nos leva ao universo da foto, do vídeo e da TV, além de outras mídias isoladas. Começando pela fotografia, a Polaroid com certeza fez história. O que impressionava era a instantaneidade da foto. Bastava apertar o botão, esperar uns dois ou três segundos e […]

Retrocedendo: as mídias e a cultura vintage – Parte 2

Retrocedendo: as mídias e a cultura vintage – Parte 2 55

Dando continuidade à nossa série sobre as mídias e a cultura vintage, hoje vamos tratar do telefone: tipos, serviços e aparelhos associados a ele. Aliás, existe em nosso calendário o Dia do Telefone, comemorado em 10 de março! No Brasil, nas décadas de 1970 e 1980, o telefone analógico era o mais popular, mas precisávamos […]

Retrocedendo: as mídias e a cultura vintage – Parte 1

Retrocedendo: as mídias e a cultura vintage – Parte 1 56

Hoje, começamos um texto seriado que será publicado aqui, no Recorte Lírico, quinzenalmente (acompanhe a coluna “Há arte em toda parte” clicando aqui). O objetivo é resgatar meios de comunicação que atualmente são considerados fora de moda, mas que, em outras épocas, fizeram uma verdadeira revolução no que diz respeito à escrita e à leitura, […]

Wandinha: A herdeira da família Addams

Wandinha: A herdeira da família Addams 57

Em novembro de 2022, estreou a série Wandinha, spin-off de A família Addams. Escrita por Al Gough e Miles Millar, e dirigida por Tim Burton, a atração alcançou marcas impressionantes de audiência, em minutos assistidos (1,02 bilhão), garantindo o terceiro lugar no ranking, perdendo apenas para Stranger things (1,35 bilhão) e para Round 6 (1,65 […]

Representações da glocalidade no cinema brasileiro: Cidade de Deus

Representações da glocalidade no cinema brasileiro: Cidade de Deus 58

Fechando esta série sobre globalização e regionalismo em nosso cinema, vale a pena retomar o filme Cidade de Deus, de Fernando Meirelles. Lançado em 2002, o longa pôs em evidência uma comunidade carioca, apresentada como um microcosmo sistematizado e organizado hierarquicamente. A partir disso, todo o enredo investe na urbanidade, destacando temas como a violência, […]

Representações da glocalidade no cinema brasileiro: O auto da Compadecida

Representações da glocalidade no cinema brasileiro: O auto da Compadecida 59

Em 2000, O auto da compadecida surgiu no cinema (Fig. 1) como representação popular e crítica da realidade, centrada numa cidade pequena, do interior nordestino, cuja hierarquia era resumida em tipos, os quais, por sua vez, representavam a influência do coronelismo, ainda forte nas regiões Norte e Nordeste, da Igreja (ressalte-se o fato de a […]

Representações da glocalidade no cinema brasileiro: Central do Brasil

Representações da glocalidade no cinema brasileiro: Central do Brasil 60

Central do Brasil, um marco no cinema nacional, promoveu a fusão entre duas paisagens: a interiorana e a urbana, bem como inverteu o sentido de busca que aparecia em filmes do Cinema Novo e em outras produções que tinham o Nordeste como pano de fundo. Não só Deus e o diabo na terra do sol, […]

Arnaldo Jabor em amostra

Arnaldo Jabor em amostra 61

O filme Tudo bem, do cineasta Arnaldo Jabor (1940-2022), foi revisado e relançado em DVD, depois de ter completado trinta anos. O longa, lançado em sua forma original em 1978, rende uma boa discussão sobre capitalismo, consumo e a oposição entre público e privado, temas que continuam em pauta. A história, representada pelos atores Paulo […]

Literatura – ao infinito e além

Literatura – ao infinito e além 62

A literatura nunca conheceu fronteiras… Experiências, ideologias e universos sempre se misturaram, nessa e em outras artes. Entretanto, algumas áreas tomaram para si a tarefa de pensar sobre as relações e os cruzamentos típicos da narrativa literária, consolidando essas qualidades ainda mais. Isso fica claro quando espiamos as “situações que a Literatura Comparada modernamente contempla: […]

Nas ondas do rádio

Nas ondas do rádio 63

Decidi escrever esta crônica, depois de pensar nos avanços tecnológicos deste século. Todos nós temos o costume de relacionar a tecnologia só a aparelhos novos ou de última geração, mas há poucos dias eu me lembrei do bom e velho rádio. Na verdade, eu cresci ouvindo rádio e começo este breve revival lembrando minha mãe, […]

A experiência do teatro imersivo

A experiência do teatro imersivo 64

Embora seja mais frequente nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, o teatro imersivo começa a se expandir para outros lugares do mundo, inclusive no Brasil. Em 2020, o espetáculo “As palavras da nossa casa” (Fig. 1) fez sucesso em dois formatos, presencial e on-line. O palco foi a construção histórica Casa das […]

Política e religiosidade em O pagador de promessas (parte 3)

Política e religiosidade em O pagador de promessas (parte 3) 65

No filme de Anselmo Duarte, os costumes e as crenças populares recebem ênfase, com a inserção de cenas que não aparecem na peça de Dias Gomes. Elas mostram as mulatas lavando a escadaria da igreja e o assédio do povo a Zé do Burro, que passa a ser considerado um milagreiro. Essa cena, mais do […]

Brasilidade e mestiçagem em “O pagador de promessas” (parte 2)

Brasilidade e mestiçagem em “O pagador de promessas” (parte 2) 66

Nossa discussão de hoje começa com a cena do descontrole do padre, em O pagador de promessas. Essa passagem corresponde ao início do terceiro ato, na peça, quando Dias Gomes utiliza uma rubrica bastante detalhada, para mostrar, mais uma vez, os costumes relacionados à cultura africana, com destaque às rodas de capoeira, ao som do […]

Sincretismo e diversidade em O pagador de promessas

Sincretismo e diversidade em O pagador de promessas 67

Em outubro deste ano, Dias Gomes (1922-1999) completaria 99 anos… O pagador de promessas, uma das obras de destaque do autor, celebra a diversidade cultural, a partir do sincretismo religioso. Sem dúvida, essa característica do texto dramatúrgico reflete a popularização dos traços de origem africana, que finalmente foram integrados à identidade cultural brasileira, depois de […]

Estilos e tendências no teatro: A evolução do espaço cênico

Estilos e tendências no teatro: A evolução do espaço cênico 68

Antigamente, era o verbo. A palavra era declamada e deveria ressoar junto ao público, que assistia aos espetáculos em um espaço aberto, chamado de anfiteatro. Assim era o teatro grego. Além disso, convencionalmente, na parede de fundo do palco, havia três portas maiores (Fig. 1), em formato de arco, as quais eram usadas não apenas […]

Feito em casa: a pandemia de covid-19 e a reinvenção do cinema

Feito em casa: a pandemia de covid-19 e a reinvenção do cinema 69

Em 30 de junho de 2020, em meio à pandemia de covid-19, a Netflix lançou o filme Homemade (ou Feito em casa, na versão brasileira). A produção chamou a atenção pela proposta inusitada de adaptar o cinema às condições ditadas pelo vírus letal SARS-CoV-2: Sob a produção de Pablo Larraín, Dios Larraín e Lorenzo Mieli, […]

Operário patrão: uma releitura da obra Eles não usam Black-tie

Operário patrão: uma releitura da obra Eles não usam Black-tie 70

No mês de agosto deste ano, o ator, poeta e dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006) completaria 87 anos de idade. Sem dúvida, seu trabalho de maior repercussão foi a peça Eles não usam black-tie, escrita em 1955 e encenada, pela primeira vez, em 1958. A obra é representante legítima do Teatro de Arena. Aliás, no meio […]

[Hilda Hilst pede contato] Literatura e interpretação do (outro) mundo

[Hilda Hilst pede contato] Literatura e interpretação do (outro) mundo 71

Recentemente, Gabriela Greeb lançou livro e filme com o mesmo título: Hilda Hilst pede contato. O duplo projeto da diretora paulistana traduz muito bem o estilo e a personalidade da escritora paulista. Hilda Hilst (1930-2004) era múltipla e eclética. Na visão de Italo Calvino, o “multíplice […] substitui a unicidade de um eu pensante pela […]

As mídias, minha avó e eu

As mídias, minha avó e eu 72

À minha avó, Olga Nicolak Daniel (In memoriam) No dia 24 de junho de 2021, perdi minha avó. Aos 93 anos, ela se foi dormindo, por causas naturais, e não de covid-19. Éramos muito próximas e ela também costumava dizer que queria que um vento batesse e nesse momento ela morresse; assim, rápido como uma […]

O lado negro de Machado de Assis revisitado por Sérgio Bianchi

O lado negro de Machado de Assis revisitado por Sérgio Bianchi 73

No conto “Pai contra mãe” (1906), Machado de Assis revisita o passado de sua raça, dando aos leitores um novo panorama, pós-abolição. Entretanto, quando lemos a narrativa, percebemos que a escravidão deixou marcas indeléveis, que, quase dez anos depois, quando Machado publicou seu texto, na coletânea Relíquias da casa velha, ou mesmo hoje, ainda estão […]

Além das palavras e das imagens de Lavoura Arcaica

Além das palavras e das imagens de Lavoura Arcaica 75

Publicada originalmente em 1975, Lavoura arcaica, de Raduan Nassar, é uma obra densa e plena de significados. Ela foi escrita como um mosaico de símbolos de várias fontes determinantes para as culturas oriental e ocidental. Na narrativa, são frequentes os entrelaçamentos dos símbolos da Bíblia e do Alcorão, que também são associados a mitos da […]

As idiossincrasias do gênero feminino na obra de Clarice Lispector [1]

As idiossincrasias do gênero feminino na obra de Clarice Lispector [1] 76

Os assuntos deste texto são os contos e as crônicas de Clarice Lispector, focalizando, especificamente, a inconstância que caracteriza a abordagem de questões voltadas ao gênero feminino, em dois contextos distintos: o literário e o jornalístico. Para isso, foram escolhidos excertos de três contos, que integram os livros Laços de família (1960) e O primeiro […]

QR Code na Literatura: texto ou intertexto?

QR Code na Literatura: texto ou intertexto? 77

Da indústria automobilística japonesa para a literatura. Foi esse o trajeto realizado pelo QR Code. Em seus primórdios, no ano de 1994, o novo formato foi considerado uma evolução do código de barras, sobretudo por dar mais destaque à síntese, pelo fato de ocultar aquela trilha quase infinita de números sob um grande quadrado feito […]

A leitura conceitual em “Destrua este diário”

A leitura conceitual em “Destrua este diário” 78

Lançado em 2013, pela editora Intrínseca, o livro Destrua este diário, escrito por Keri Smith, possibilita ao leitor uma experiência única, de desapego a certas tradições, de liberdade e de coautoria. Exercendo outra função, além da leitura trivial, o leitor é convidado a vivenciar as aventuras do livro impresso na prática. Claramente, a obra de Smith […]

Hipertexto: uma evolução nas formas de escrita e leitura

Hipertexto: uma evolução nas formas de escrita e leitura 79

Na Internet, o hipertexto consolidou-se como uma forma democrática de texto, que sugere aprofundamento, mas sem abandonar a síntese e a objetividade. Em tese, o hipertexto é um tipo de cibertexto (ou seja: um texto feito com os recursos cyber — da informática) que faz uso dos hiperlinks para ampliar o número de informações a […]

Individualismo e reconfiguração da sociedade contemporânea (2)

Individualismo e reconfiguração da sociedade contemporânea (2) 80

O filme 1,99, de Marcelo Masagão, celebra o aspecto e a função social da arte. Toda expressão artística está ligada ao contexto e ao público de seu tempo. Por essa razão, quanto menos anacronismos existirem entre a arte e seu tempo, maior será o efeito social. Transitando por uma via de mão dupla, 1,99 absorve […]

Glauber Rocha: um cinema realmente novo

Glauber Rocha: um cinema realmente novo 81

No dia 28 de fevereiro, o Golden Globe abriu a temporada de premiações do cinema. No dia 7 de março, assistimos ao Critics’ Choice Awards. No dia 4 de abril será  a vez do SAG (Screen Actors Guild) Awards  e finalmente, no dia 25 de abril, o Oscar fechará o período que celebra os maiores […]

O vírus SARS-CoV-2 e a retomada do Apocalipse Zumbi

O vírus SARS-CoV-2 e a retomada do Apocalipse Zumbi 82

Na era do novo gótico, os zumbis são os protagonistas. Vários estudiosos do tema consideram que o ápice de uma das muitas retomadas dos mortos-vivos e da estética gótica ocorreu depois do ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 às torres gêmeas, em Nova Iorque: […] os atentados de 11 de setembro de 2001 […]

A aproximação das mídias pelo gênero Crossover

A aproximação das mídias pelo gênero Crossover 83

Em linhas gerais, o gênero crossover consolida-se pela utilização do recurso da intertextualidade, que admite “na sua composição diferentes gêneros, tanto literários (novelas intercaladas, peças líricas, poemas, sainetes dramáticos, etc.), como extraliterários (de costumes, retóricos, científicos, religiosos e outros)” (BAKHTIN, 2014, p. 124). O conceito foi desenvolvido posteriormente por Julia Kristeva, que o tratou como […]

Novos tempos, velhas pragas

Novos tempos, velhas pragas 84

O ano de 2020 não para de nos surpreender com más notícias. Em março, veio a tragédia da pandemia, que nos obrigou a uma quarentena interminável e ao isolamento social. Para resistirmos ao novo coronavírus e à sobrevida que ele nos impôs, tivemos de nos adaptar a uma rotina jamais desejada ou imaginada. Dia após […]

2020: Uma odisseia na terra

2020: Uma odisseia na terra 85

Há meio século, na década de 1970, assistíamos fascinados aos filmes de ficção científica, imaginando como seria o futuro, no próximo século, e se estaríamos vivos, para ver o novo mundo e o progresso tecnológico. Na mesma época, ouvíamos os sucessos de Raul Seixas, muitos deles reflexivos e de teor filosófico. Mal sabíamos nós que […]

Cultura e mídia televisiva

Cultura e mídia televisiva 86

Nos últimos tempos, tenho estranhado a ideologia que se esconde atrás de alguns produtos que se destinam ao público infantil. O que surpreende não é a ideia em si, mas a objetividade. Se, nas décadas de 1980 e 1990, líamos e ouvíamos a respeito da sexualidade latente nos programas infantis, hoje é flagrante a reorientação […]

O aparente improviso na vida e na arte

O aparente improviso na vida e na arte 87

Na era das lives, a arte do vídeo está contando com as novas tecnologias para se aprimorar e consolidar seu lugar na sociedade 4.0. É sabido que, nas performances ao vivo, uma boa dose de improviso é fundamental. Entretanto, temos de reconhecer que qualquer tipo de improviso pode ser relativizado; afinal, sempre há um planejamento, […]

(Era uma vez em…) Hollywood, na versão de Ryan Murphy e Ian Brennan

(Era uma vez em...) Hollywood, na versão de Ryan Murphy e Ian Brennan 88

Recentemente, duas produções audiovisuais apresentaram Hollywood como protagonista. A produção de Quentin Tarantino, Era uma vez em… Hollywood (EUA, 2019), veio antes, propondo um final feliz para Sharon Tate Polanski e seus amigos, assassinados por membros da família Manson, em 1969. Em 2020, Ryan Murphy e Ian Brennan voltam a usar a fórmula da felicidade, […]

As razões da literatura

view of floating open book from stacked books in library

Com a tecnologia que conhecemos hoje, a literatura ganhou um espaço que, sem dúvida, possibilita maior equilíbrio entre arte e cotidiano (Fig. 1). O ciberespaço torna acessíveis alguns tipos de arte que antes eram para poucos, assim como facilita o acesso às expressões artísticas mais populares, como música, cinema e literatura. Trilhas sonoras, shows, clipes, […]

Sobre Escher, palmeiras e pinheiros

Sobre Escher, palmeiras e pinheiros 89

Em 2013, fui ao Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, para ver a exposição A magia de Escher e assim conhecer mais sobre a obra de Maurits Cornelis Escher, o artista holandês que ficou famoso no mundo todo, por suas xilogravuras e litografias, nas quais predominam o sépia e o padrão p&b. Havia inúmeras telas, […]

A interpassividade de “Bandersnatch”, de Black Mirror

A interpassividade de “Bandersnatch”, de Black Mirror 90

O texto pode conter spoiler A série Black mirror é reverenciada principalmente pelo episódio “Bandersnatch” (EUA, 2018). Com formato de longa-metragem e associada à interatividade, essa produção passou a ser dissociada da série e ganhou o rótulo de filme interativo: Em primeiro lugar, “Bandersnatch” foi feito para ser “jogado”. Foram gravadas 5h20 de aventura, com […]

Quando os jornais viram manchete na literatura

Quando os jornais viram manchete na literatura 91

O conto Rremembranças da menina de rua morta nua, de Valêncio Xavier, diferentemente da novela O mez da grippe, utiliza textos sensacionalistas. Até mesmo a editoria escolhida, a policial, contribui para dar maior popularidade ao texto. No entanto, nem por isso o autor abre mão de questionar a manipulação do discurso e a variação no […]

A velha história dos muros (visíveis ou não)

A velha história dos muros (visíveis ou não) 92

Durante o mês de junho deste ano, li mais uma notícia sobre muros. Há anos esse assunto me chama a atenção e também há anos guardo alguns dados e anoto referências a todo e qualquer tipo de muro — real ou ficcional, literal ou metafórico, visível ou invisível. No dia 5 de junho, o novo […]

Dois mistérios da literatura paranaense

Dois mistérios da literatura paranaense 93

Nos contos Um mistério no trem-fantasma e O mistério dos sinais da passagem dEle pela cidade de Curitiba, de Valêncio Xavier, a utilização de notícias de jornal não é o único recurso a reforçar a verossimilhança do texto literário. Outra estratégia que provoca o efeito de realidade sobre o leitor é o uso de Curitiba, […]

A coerência crítica e o caos aparente nas colagens de Valêncio Xavier

A coerência crítica e o caos aparente nas colagens de Valêncio Xavier 94

Na literatura contemporânea, a colagem, recurso amplamente utilizado na maioria dos movimentos de vanguarda do início do século XX, na pop arte e na poesia visual, empresta ao texto um efeito artesanal. Algumas partes do livro são componentes estranhos à literatura convencional e ao próprio significado de texto. Fotos, pedaços de jornal, bilhetes, manchetes e […]

Música e videoclipe: a divergência da imagem

Música e videoclipe: a divergência da imagem 95

A música “Isso” (2001), dos Titãs, fala de amor e tem uma sonoridade agradável, ao estilo das baladas românticas. Composta por Tony Bellotto, a canção não representa o rock incisivo e questionador da banda, que, na década de 1980, ditava o comportamento de uma geração, a partir da crítica ao sistema e a certas tradições.  […]

O mês da gripe

Coronavirus disease outbreak dashboard showing deathtoll

Verônica Daniel Kobs – [email protected] Na década de 1990, li pela primeira vez O mez da grippe, de Valêncio Xavier. Como curitibana típica, no bom e no mau sentido, tenho interesse pela história da cidade e é um pouco disso que essa obra literária oferece, em meio a um estilo inovador, marcado pelo predomínio da […]

Era uma vez em…. Hollywood: A reescrita inventiva da história

Era uma vez em.... Hollywood: A reescrita inventiva da história 96

Assistindo ao filme mais recente de Quentin Tarantino, Era uma vez em… Hollywood (EUA, 2019), as comparações com Bastardos inglórios (EUA, 2009) são inevitáveis. A razão para isso é uma só: há dez anos, o diretor reescrevia a história, vingando-se das crueldades de Adolf Hitler com uma sequência cinematográfica que matava o líder nazista queimado, […]

O voo e a queda em Vertigem do chão, de Cezar Tridapalli

O voo e a queda em Vertigem do chão, de Cezar Tridapalli 97

O novo romance de Cezar Tridapalli, Vertigem do chão, foi lançado em novembro de 2019. A narrativa entrelaça as histórias simultâneas de Leonel (dançarino) e Stefan (corredor), dando destaque às relações dos personagens com o corpo, a sexualidade, a sociedade e o espaço. Enquanto Leonel decide deixar Curitiba e ir para Utrecht, na Holanda, Stefan […]

A forma descartesiana na última edição de Catatau, de Paulo Leminski

A forma descartesiana na última edição de Catatau, de Paulo Leminski 98

Em 1990, no Curso de Letras da UFPR, todos falavam da obra Catatau, de Paulo Leminski. Sendo assim, esse e outros livros, que eu ainda não tinha lido, entravam para uma lista que eu fazia, quando ainda era caloura. Meu método era bastante simples: se algum professor, durante as aulas, mencionasse a importância de um […]

Como fica um autor perante o ‘local de fala’ alheio?

Como fica um autor perante o 'local de fala' alheio? 99

Um autor, muitos locais de fala Atualmente, acompanhamos atentos ao debate sobre o conceito de local de fala. Sem dúvida, o ponto positivo dessa discussão é a conquista da voz, da expressão sem intermediários, em alto e bom som. Entretanto, alguns posicionamentos, mais arraigados (talvez em excesso) estabelecem um lado negativo, ao recusarem opiniões que […]

Ci: A garota papo firme

Como estamos próximos das comemorações do Dia Internacional da Mulher, tive a ideia de retomar Ci, personagem da rapsódia macunaímica de Mário de Andrade. Entretanto, apesar de, na obra modernista, já encontrarmos muitas características surpreendentes no perfil de Ci, meu interesse maior é na heroína urbana, recriada por Joaquim Pedro de Andrade no filme Macunaíma […]

Crítica social e (ir)realidade no filme Parasita

Crítica social e (ir)realidade no filme Parasita 100

O filme Parasita (KOR, 2019), de Bong Joon Hoo, surpreendeu os críticos e o público, razão pela qual tem conquistado vários títulos, nas tradicionais premiações de cinema. O longa foi destaque na mostra Perlak, do Festival de San Sebastian (2019) e conquistou a Palma de Ouro em Cannes (2019). Além disso, entre os prêmios de […]

Fundamentos da linguagem SEO

Fundamentos da linguagem SEO 101

Hoje em dia, a publicação on-line é algo cada vez mais frequente e, nesse contexto, as tags ou palavras-chave têm grande importância. Na verdade, a escolha desses elementos não apenas deve dar uma ideia geral do conteúdo do texto, como também deve estar em sintonia com o título. Em síntese, as tags são o modo […]

Breve diálogo com Hans Gumbrecht

Breve diálogo com Hans Gumbrecht 102

Por Verônica Daniel Kobs (Com a gentil colaboração de Hans Ulrich Gumbrecht*) Já há algum tempo, a literatura vem ganhando um espaço novo, virtual, que lhe garante mais liberdade em relação ao formato do livro impresso. Em plena era cibernética, os processos de escrita, leitura e interpretação são bastante específicos e exigem um perfil diferenciado […]

Coco: O lado bom da morte

Coco: O lado bom da morte 103

O filme Coco (EUA, 2018), de Lee Unkrich e Adrian Molina, é uma celebração aos mortos e à vida. Quando assisti pela primeira vez, logo que foi lançado, duas coisas me chamaram a atenção: a naturalidade dada à temática da morte; e a presença de Frida Kahlo no desenho. Como sabemos, a pintora mexicana sempre […]

A representação de Deus na série Supernatural

A representação de Deus na série Supernatural 104

Esta semana, assistimos à estreia da última temporada de Supernatural. Portanto, achei que seria um momento oportuno para retomarmos o final da temporada anterior (14×20). Nesse episódio, houve um embate decisivo. Sam feriu Deus, por ele ter matado Jack, e, depois disso, todos os mortos voltaram à vida, como um exército, contra Castiel e os […]

O zumbi que habita em nós

O zumbi que habita em nós 105

Na era do novo gótico, os zumbis são os protagonistas. Nas artes, nos meios de comunicação de massa e até mesmo nas manifestações populares, o horror e o estranho refletem as transformações da sociedade contemporânea. A dominação zumbi realmente impressiona e, para demonstrar a relevância disso para os dias de hoje, seguem-se alguns exemplos. Comecemos […]

Características da linguagem acadêmica

Características da linguagem acadêmica 106

No dia a dia, dominar uma língua significa saber utilizar os diferentes tipos de linguagens, dependendo do objetivo, do veículo de comunicação e do público-alvo. Sendo assim, hoje trataremos de uma modalidade específica: o texto acadêmico. Nesse âmbito, estão incluídos o estudo, a pesquisa e o contexto profissional, dependendo da área de atuação. Existem vários […]

O (ciber)espaço múltiplo e solitário das interfaces digitais

O (ciber)espaço múltiplo e solitário das interfaces digitais 107

No espaço cibernético, voltam a ser importantes questionamentos já conhecidos. As relações arte/coletividade e arte/estatuto, debatidas, dentre tantos, por Mallarmé e Duchamp, ganham novamente importância. Pode-se mesmo afirmar que elas se complementam, já que o estatuto do autor é relativizado, pelo fato de o texto admitir e até exigir maior participação do leitor. Desse modo, […]

Telefone analógico, fax e pager: um elogio às mídias vintage

Apesar de o público em geral entender o computador e a Internet como mídias relacionadas à TV, Júlio Plaza afirma que a mídia televisiva não desempenhou o papel principal nessa evolução. O autor revela que o videotexto, disponível, hoje, nos canais do Youtube, “é interativo, pois […] nasce de um meio interpessoal: o telefone” (PLAZA, […]

A semântica da cor no filme “Herói”, de Zhang Yimou

Em Herói (2002), de Zhang Yimou, sofisticação e simplicidade determinam a plasticidade das imagens, em diversas sequências do filme. A primeira qualidade aparece na escolha de uma cor predominante e na composição da cena, a partir do uso da tonalidade escolhida e de seus matizes. O caráter simples reside na utilização de figurino e cenário […]

LETRAS NA SAPUCAÍ: O Carnaval como “intermidialidade sintética”

LETRAS NA SAPUCAÍ: O Carnaval como “intermidialidade sintética” 109

Neste breve texto, o carnaval será apresentado como “intermidialidade sintética”, categoria criada por Jen Schröter (2012). Apesar de a parceria entre literatura e carnaval ser bastante antiga, não é necessário que o samba-enredo tenha um tema literário. Isso ocorre porque o samba-enredo é, antes de tudo, letra, poema e, portanto, literatura. Entretanto, quando uma escola […]

FANFIC: Tecnologia digital, literatura e autoria

FANFIC: Tecnologia digital, literatura e autoria 110

Em plena era cibernética, os processos de leitura e de interpretação são bastante específicos e exigem um perfil diferenciado de receptor. Do mesmo modo, o uso diário do computador e do smartphone democratizam o acesso à informação, às artes e reconfiguram as atividades da crítica e da autoria. A autonomia é característica determinante e relaciona-se […]

Escrita e local de fala

Escrita e local de fala 111

A literatura escrita por mulheres garantiu não só direito de expressão às escritoras, mas também o direito à criação intelectual e artística. De criaturas elas passaram a ser criadoras. As mulheres sempre foram personagens de romances e estudos diversos, mas trilharam um caminho longo, enfrentando o preconceito, ainda hoje presente na sociedade. Prova disso é […]

A visualidade das composições sonoras de Nick Cave

A visualidade das composições sonoras de Nick Cave 112

Em junho de 2013, a Companhia Vigor mortis apresentou a peça Jukebox vol. I, no Teatro Universitário de Curitiba. Além do espetáculo, o diretor participou de uma conversa aberta ao público, sobre seu mais recente projeto. Paulo Biscaia Filho sempre costuma presentear o espectador com peças instigantes e de impacto. O terror e o suspense […]

Curtindo Selfie

Curtindo Selfie 113

Uma análise sobre a “audaciosa” peça Selfie, dirigida pelo Marcos Caruso e com atuações de Mateus Solano e Miguel Thiré, já apresentada em diversas cidades.

O Cangaço a partir do Crossover Lampião & Lancelote

O Cangaço a partir do Crossover Lampião & Lancelote 114

Não me canso de ler e pensar sobre o cangaço, movimento que até hoje provoca discussões acirradas. Em dezembro, fui ao Nordeste pela primeira vez e, em Natal, reencontrei os mitos de Lampião e Maria Bonita. Como ocorre em qualquer lugar do Brasil, as representações divergiam: enquanto as principais lojas e os restaurantes típicos destacavam […]

H SEM Q: A DILUIÇÃO DO ESPAÇO-TEMPO

H SEM Q: A DILUIÇÃO DO ESPAÇO-TEMPO 116

O texto A fuga, de Aline Daka, é apresentada como uma história em quadrinhos. Publicada na revista Helena n. 10, com data de janeiro de 2019, a HQ chama atenção pela ausência dos requadros. Por essa razão, e para distinguir essa produção daquelas mais convencionais, resolvi chamá-la de “H sem Q”, ou seja: História sem […]

A TRANSMUTAÇÃO DO VÍRUS ZUMBI NAS SÉRIES ON-LINE

A TRANSMUTAÇÃO DO VÍRUS ZUMBI NAS SÉRIES ON-LINE 117

Desde o início do século XXI, assistimos à retomada e à ampliação da representação dos zumbis, nas mais diversas áreas de nossa sociedade. Diante desse novo panorama, é imprescindível buscarmos hipóteses que nos ajudem a entender esse fenômeno. De acordo com a revista Superinteressante: […] os atentados de 11 de setembro de 2001 podem estar […]

UM MAR DE SANGUE EM CONTRA TODOS, DE ROBERTO MOREIRA

UM MAR DE SANGUE EM CONTRA TODOS, DE ROBERTO MOREIRA 118

O filme Contra todos, de Roberto Moreira, expõe a violência sorrateira e cotidiana explícita e implicitamente, com cenas de um almoço em família e de um assassinato. A cor privilegiada é o vermelho, cor do mar (de sangue) que abre a narrativa. Os personagens que têm função primordial no enredo do filme são os que […]

Crítica social e permanência no conto ‘Pai contra Mãe’, de Machado de Assis

Crítica social e permanência no conto 'Pai contra Mãe', de Machado de Assis

Pai contra mãe, de Machado de Assis, um dos muitos contos que compõem Relíquias de casa velha, chama atenção pela temática contundente da escravidão, e também pela mistura de estilos. Uma particularidade desse texto de ficção é o seu início, que privilegia uma linguagem excessivamente descritiva como instrumento de horror e crueldade, para apresentar, com […]

A (META)LINGUAGEM DE WOODY ALLEN EM A ROSA PÚRPURA DO CAIRO

Em A rosa púrpura do Cairo, a noção de autoria é relativizada logo no início do filme, com a imagem do título do filme, que o espectador julga ser uma criação de Woody Allen, em um cartaz, em um cinema de New Jersey, cenário da história. A coincidência de títulos passa, então, a servir de […]

REALIDADE OU FICÇÃO? O ENTRELUGAR DA METALINGUAGEM

REALIDADE OU FICÇÃO? O ENTRELUGAR DA METALINGUAGEM

O autor Roman Jakobson refere-se a dois níveis de linguagem: “[…] a linguagem-objeto, que fala de objetos, e a ‘metalinguagem’, que fala da linguagem.” (JAKOBSON, 1977, p. 127). Jakobson detém-se sobre esse assunto, quando focaliza o código como centro da função metalinguística da linguagem, que é identificada “sempre que o remetente e/ou o destinatário têm […]

O PASSADO E O FUTURO NO FILME UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA

O PASSADO E O FUTURO NO FILME UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA 2

Uma história de amor e fúria é um filme brasileiro de animação, dirigido por Luiz Bolognesi, que estreou em 2013. Nele, a História do Brasil é contada a partir de fatos históricos que construíram o país e que até hoje fazem parte da identidade nacional. O filme teve boa repercussão e foi indicado para o […]

Tradição e tradução na Sétima Arte

O processo contínuo da formação da identidade, conforme Stuart Hall […], há a ênfase nas origens, na continuidade, na tradição e na intemporalidade. A identidade nacional é representada como primordial — “está lá, na verdadeira natureza das coisas”, algumas vezes adormecida, mas sempre pronta para ser “acordada” de sua “longa, persistente e misteriosa sonolência”, para […]

O grande Gatsby (2013), de Baz Luhrmann: estilo e sociedade

O grande Gatsby (2013), de Baz Luhrmann: estilo e sociedade 2

Neste artigo, analisam-se as diferenças entre o livro O grande Gatsby e o filme homônimo, para marcar as questões de estilo do diretor, na adaptação cinematográfica. Para tanto, será usado o termo “verossímil”, conforme acepção de Jacques Aumont: “O verossímil diz respeito, simultaneamente, à relação de um texto com a opinião comum, à sua relação […]

A intermidialidade em O grande Gatsby

A intermidialidade em O Grande Gatsby 1

O filme O grande Gatsby, de Baz Luhrmann, lançado em 2013, é a quarta adaptação do romance de mesmo nome, escrito em 1925, pelo escritor norte-americano Francis Scott Key Fitzgerald. Em 1926, Herbert Brenon dirigiu o filme mudo que foi a primeira adaptação cinematográfica do clássico. A segunda versão para o cinema veio em 1949, […]

POESIA E CINEMA: NO PRÍNCIPIO ERA O VERSO…

POESIA E CINEMA: NO PRÍNCIPIO ERA O VERSO...

MORTE E VIDA SEVERINA O filme Morte e vida severina, lançado junto com Quincas Berro D’água, no ano de 1977, com direção de Walter Avancini, traz algumas novidades que o tornam estranho ao padrão Globo. A primeira inovação é a escolha de um texto poético para a adaptação, o que resultou em dificuldades e não […]

Dom Casmurro: do texto literário ao filme

DOM CASMURRO: DO TEXTO LITERÁRIO AO FILME

Para Jorge Furtado, a principal dificuldade do roteirista é concretizar sentimentos e sensações, pois, segundo ele, o roteiro de um filme deve ser visual, já que no cinema não ocorre como na literatura, que, por meio das palavras, leva o leitor a imaginar o que está sendo descrito. O filme já é o resultado de […]

Dualidade do novo gótico e pluralidade cross-media na minissérie Vade Retro

Dualidade do novo gótico e pluralidade cross-media na minissérie Vade Retro 121

Esta análise objetiva discutir o novo gótico[iii] na minissérie Vade retro, exibida na Rede Globo, em 11 capítulos, no período de 20 de abril a 29 de junho de 2017[iv]. Com base nos conceitos de: alusão e citação, de Gérard Genette; intertextualidade, de Julia Kristeva; intermidialidade, de Irina Rajewsky; e carnavalização, de Mikhail Bakhtin, o […]

Transformações do literário no filme Lisbela e o Prisioneiro

Transformações do literário no filme Lisbela e o Prisioneiro 2

(Atenção: alerta de spoilers.)* Metalinguagem   Na esteira da peça de Osman Lins, um dos assuntos do filme Lisbela e o prisioneiro (BRA, 2003), de Guel Arraes, é o próprio cinema. Na peça do escritor pernambucano, já há referência ao cinema, mas de modo sutil. Jaborandi, o cinéfilo do texto, empresta essa sua característica a […]

New Weird e novo gótico em Memórias Desmortas de Brás Cubas¹

Neste trabalho, serão apresentadas as retomadas das estéticas gótica e weird[i], de modo a ressaltar as coincidências e as diferenças entre o passado e o presente. Nas duas vertentes atualizadas, o fantástico e o horror têm importância fundamental e, a partir do romance Memórias desmortas de Brás Cubas, de Pedro Vieira, isso será associado ao […]

Linguagens e formas da cultura multitelar em “Homens, mulheres & filhos”

Linguagens e formas da cultura miltitelar em “Homens, mulheres & filhos” 7

Este trabalho propõe a análise do livro Homens, mulheres & filhos, de Chad Kultgen, e do filme homônimo, dirigido por Jason Reitman. Tomando como base o predomínio da tecnologia na sociedade do século XXI, objetiva-se discutir os elementos da história que demonstram de que forma as novas mídias reconfiguraram o comportamento individual, as relações interpessoais […]

Variações de terror e violência em American Horror Story

Variações de terror e violência em American Horror Story

(Atenção: alerta de spoilers.)   Idealizada e produzida por Ryan Murphy e Brad Falchuk, a série televisiva American horror story, transmitida pelo canal FX, já completou sete temporadas. No ar desde 2011, a atração é considerada um dos maiores sucessos dos últimos tempos no gênero do terror. Esse tipo de narrativa associa-se às histórias de […]

O rock hereditário dos Titãs na ópera Doze flores Amarelas

O rock hereditário dos Titãs na ópera Doze flores Amarelas

(Atenção: alerta de spoilers) Os Titãs fizeram a estreia nacional da ópera rock Doze flores amarelas no Festival de Teatro de Curitiba (edição de 2018), com 25 novas músicas. Algumas canções têm a colaboração de Hugo Possolo, Beto Lee, Mario Fabre e Jaques Morelenbaum. Com argumento de Branco Mello, Sergio Britto, Tony Bellotto, Hugo Possolo […]

A literatura múltipla e analógica de S.¹

Instante por instante 1

Verônica Daniel Kobs2   Neste artigo, analisaremos o livro S., de J. J. Abrams e Doug Dorst. Em plena era digital, essa obra literária mantém a preocupação com a relação intersemiótica e com a multimodalidade, mas privilegiando a mídia impressa. Com base nessa particularidade e sob a perspectiva do texto múltiplo, objetiva-se apresentar e discutir […]

Asfalto Selvagem, de Nelson Rodrigues: uma história familiar

Asfalto Selvagem, de Nelson Rodrigues: Uma história familiar

No romance Asfalto selvagem, de Nelson Rodrigues, entram em conflito o que é obsceno e o que é religioso. A luta é social e individual e põe em cena Deus e o Diabo. Fases distintas (a primeira dos doze aos dezoito anos e a segunda depois dos trinta) da vida da protagonista, Engraçadinha, compreendem núcleos […]

Faroeste Caboclo: A versão fílmica da literatura musical de Renato Russo

Faroeste Caboclo: A versão fílmica da literatura musical de Renato Russo 3

Uma das músicas mais longas do rock nacional virou filme. Faroeste caboclo, escrita por Renato Russo, na década de 1970, e lançada em 1987, pela Legião urbana, no disco Que país é este 1978/1987, foi o ponto de partida para o roteiro do longa Faroeste caboclo. O filme brasileiro foi lançado em maio de 2013, […]

Carnaval? Zombie Walk Experience

Carnaval? Zombie Walk Experience 4

A Zombie Walk já é uma tradição em Curitiba. No domingo de Carnaval, várias pessoas se reúnem para a caminhada que é uma verdadeira celebração da estética do macabro. Grupos de amigos, famílias inteiras, pais com filhos pequenos chegam para a festa simulando um olho roxo, um corte profundo na cabeça, sangramentos causados por golpes […]

As funções do regionalismo em ‘O Auto da Compadecida’

As funções do regionalismo em 'O Auto da Compadecida' 3

  O filme O auto da Compadecida, de Guel Arraes, retoma a tendência regionalista, que prevaleceu, sobretudo na literatura (atentando para o fato de o filme ter sido baseado na peça homônima, escrita por Ariano Suassuna), desde a época de 1930 até o início da década de 1950, quando ganhavam destaque os trabalhos de João […]

Contos de fado e de violência

Contos de fado e de violência

Em 2016, sob a direção de Matteo Garrone, foi lançado o filme O conto dos contos, baseado na obra de Giambattista Basile (1566-1638). Nas palavras do diretor: O texto original, que é uma das maiores obras-primas da literatura italiana, foi escrito em 1600. Como tal, essa era uma época muito sombria, violenta. […]. E são histórias […]

A crítica no cinema: Individualidade e consumo

A crítica no cinema: Individualidade e consumo

Introdução O filme 1,99, de Marcelo Masagão, celebra o aspecto e a função social da arte. Toda expressão artística está ligada ao contexto e ao público de seu tempo. Por essa razão, quanto menos anacronismos existirem entre a arte e seu tempo, maior será o efeito social. Transitando por uma via de mão dupla, 1,99 […]

As Iracemas do cinema

As versões cinematográficas de Iracema A primeira adaptação fílmica do romance de Alencar foi intitulada Iracema, a virgem dos lábios de mel, dirigida por Carlos Coimbra e lançada em 1979. Considerado pela crítica como acadêmica, pela fidelidade extrema ao texto literário, o filme não teve grande impacto. Além da falta de novidades, a versão de […]

[Hora do Enem] Normas de concordância e uso dos porquês

NORMAS DE CONCORDÂNCIA E USO DOS PORQUÊS

Regras específicas de concordância verbal Há expressões, em nossa língua, que dão ideia de plural, mas que são inseridas, no texto, por meio de intercalações. Alguns exemplos são: “junto com”, “somado a”, “em parceria com”, etc. Nesse processo, o uso das vírgulas é fundamental, pois esse sinal de pontuação garante o isolamento da expressão, exigindo, […]

[Hora do Enem] Ambiguidade e redundância

Ambiguidade Quando a ambiguidade aparece, em um texto, caracteriza-se pela duplicidade de sentido, geralmente causada pela ordem das palavras no texto. Exemplo: O secretário da escola, Luís Xavier Silva, é querido pelos alunos. No período, o aposto “Luís Xavier Silva” gera dúvida. Esse será o nome da escola ou do secretário? Corrigindo: 1. O secretário, […]

A Iracema da literatura

A obra de José de Alencar, em seu conjunto, representa um marco na literatura brasileira, pela tentativa de autonomia cultural, fato resultante do momento político, já que o Romantismo começou enfatizando o nacionalismo, no intuito de levar a independência política para a esfera cultural. O objetivo do autor, como ele mesmo atesta, nas cartas que […]

O hífen depois do novo acordo ortográfico

O hífen depois do novo acordo ortográfico 133

Aprenda, definitivamente, a usar o hífen depois do novo acordo ortográfico: “Bom dia” e “Bom-dia” – A saudação não exige hífen: Bom dia, querido.– Porém, quando o termo é usado como substantivo, usa-se o hífen: Ele disse “bom-dia”. “Bem” e “mal” – Usa-se o hífen quando há unidade de sentido: bem-humorado, bem-educado, bem-vindo…– Casos de […]

[Hora do Enem] Principais casos de vírgula

– Morei no Rio de Janeiro, na década de 1960. > Vírgula para separar os advérbios. – Ingredientes: – 2 xícaras de farinha, branca; – 4 xícaras de polvilho, azedo; – 4 ovos. > Vírgula para separar os itens principais de seus especificativos, como ocorre nos dois primeiros tópicos desse exemplo. Atenção: Quando há uma […]

O estranho que nós amamos: Quando os opostos se atraem

(Atenção: alerta de spoilers.)   O novo filme de Sofia Coppola é a segunda adaptação cinematográfica de um texto literário. O romance, escrito por Thomas P. Cullinan, foi publicado em 1966. Cinco anos depois, em 1971, foi lançado o primeiro longa, dirigido por Don Siegel e estrelado por Clint Eastwood. Em 2017, quase quatro décadas […]

[Hora do Enem] Artigo, preposição e uso do acento grave

“A”: preposição ou artigo? A viagem a Boston foi tranquila. O primeiro “a” é artigo, porque permite flexão, para concordar com o substantivo “viagem”. Assim, temos: “a viagem” e “as viagens”. O segundo “a” é preposição, porque não permite flexão e porque pode ser substituído por outra preposição: “para”. Dessa forma, temos: “A viagem para […]

O novo gótico na sociedade contemporânea

Este trabalho relaciona o romance Drácula (1897), de Bram Stoker, às narrativas contemporâneas da literatura e do cinema, as quais fazem parte do que pode ser considerado como novo gótico. A partir de Drácula, obra precursora no mito do vampiro, personagem considerado um morto-vivo, são estudados o livro Memórias desmortas de Brás Cubas (2010), de […]

Teatro, sociedade e o ataque às torres gêmeas: Ser ou não ser humano?

Teatro, sociedade e o ataque às torres gêmeas: Ser ou não ser humano? 1

Esta semana, o mundo inteiro relembra a tragédia que marcou nosso século, logo em seu primeiro ano de vida. Há 16 anos, no dia 11 de setembro de 2001, nosso futuro era definido de modo tão intenso que nem sequer conseguíamos acreditar no que todos os veículos de comunicação noticiavam ao mesmo tempo, e com […]

Inferno e paraíso de ‘um erro emocional’

Inferno e paraíso de um erro DE UM ERRO EMOCIONAL

Um erro emocional, de Cristovão Tezza, começa com a afirmação de um erro, descontrole que desencadeia um caminho pelo Inferno das lembranças, dos traumas, das derrotas, dos amores e das traições do personagem e autor Paulo Donetti. Do começo ao fim da história, o vinho servido por Beatriz aproxima o protagonista de sua verdade. A […]

Uma leitura das cores

Uma leitura das cores 3

Uma tarde e dois filmes. Primeiro, Julieta, de Pedro Almodóvar. Depois, Life, de Anton Corbijn. Duas experiências intensas. Histórias profundas, fascinantes e reflexivas. Entretanto, quando escolhi os dois filmes do dia, não esperava encontrar tantas coincidências entre eles. Na metade de Life, percebi a maior delas: a definição das cores e o forte aspecto semântico […]

Poemas inéditos de Pablo Neruda: A obra póstuma de um poeta eterno

Poemas inéditos de Pablo Neruda: A obra póstuma de um poeta eterno 3

Em dezembro de 2014, durante uma viagem ao Chile, havia uma lista de coisas para fazer, ver, conhecer e algumas poucas para comprar. Sem dúvida, em Santiago, a primeira visita foi à “casa azul”, La Chascona, onde Pablo Neruda morou com Matilde Urrutia, e o que abria minha lista de compras era o livro de […]

A mulher-maravilha do novo século

A mulher-maravilha do novo século 2

(Atenção: alerta de spoilers.)  O último mês foi marcado pela estreia do filme Mulher-maravilha (EUA, 2017), de Patty Jenkins, com Gal Gadot e Chris Pine nos papéis principais. O longa arrasou nas bilheterias do mundo todo. Lançado no mesmo período do novo filme da série A múmia, a expectativa era que Tom Cruise superasse facilmente […]

Trapo: Metaficção e estrutura narrativa

             Metaficção e metalinguagem são termos similares. A única diferença é o universo em que atuam. Roman Jakobson refere-se a dois níveis de linguagem: “[…] a linguagem-objeto, que fala de objetos, e a ‘metalinguagem’, que fala da linguagem” (JAKOBSON, 1977, p. 127, grifo no original). Jakobson detém-se sobre esse assunto, […]

Adélia Prado: Repensando o ser-mulher

Adélia Prado: Repensando o ser-mulher 138

A questão de gênero, que deve ser abordada no âmbito relacional, abrange o conceito de alteridade, já que os “gendramentos” acontecem para atender a uma expectativa que opõe masculino e feminino, a partir de determinados comportamentos. Sônia Missagia de Matos, em seu artigo “Repensando o gênero”, faz referência à teoria de Marilyn Strathern, que associa […]

Antonio Candido: Fragmentos de uma releitura

Antonio Candido: Fragmentos de uma releitura 139

No dia 12 de maio deste ano, foi divulgada a notícia da morte do crítico Antonio Candido, que estava prestes a completar 99 anos de idade. Arrisco dizer que o último grande evento literário de que Candido participou foi a Flip de 2011, comprovando sua intensa atividade. Com uma produção incessante (considerando livros, artigos, capítulos, e […]

O sucesso das (auto)biografias

De uns tempos pra cá, a sétima arte tem privilegiado as histórias reais (de celebridades e de desconhecidos notáveis), alavancando o mercado de biografias. O motivo disso é bem simples, afinal o interesse do público pela vida alheia é cada vez maior. No final do século XX, a revista Veja, de 26/07/95, assinalava a ascensão […]

Hamlet (quem diria?) ainda vive… (Parte 2)

Hamlet (quem diria?) ainda vive... (Parte 2) 143

Dando continuidade às comemorações do “Abril de Shakespeare”, publico aqui a segunda parte do texto sobre a adaptação fílmica de Michael Almereyda (leia primeira parte clicando aqui), uma leitura contemporânea de Hamlet. “MACHINA FATALIS” Na cultura grega da Antiguidade, as pessoas de uma mesma família são inseridas em um processo atávico de punição pelos erros […]

Hamlet (quem diria?) ainda vive…(Parte 1)

Hamlet (quem diria?) ainda vive...(Parte 1) 144

Anualmente, no mês de abril, amantes da literatura e de outras artes costumam celebrar a importância das obras de Shakespeare, escritor inglês mundialmente conhecido, que nasceu em 26 de abril de 1564 e faleceu em 23 de abril de 1616. Portanto, há um duplo motivo para este mês ter sido batizado como “Abril de Shakespeare”. […]

Tendências artísticas e interartísticas

Em conformidade com as vanguardas europeias, que tinham como principais metas a recusa à representação mimética tradicional e a liberdade social e estética, as tendências artísticas do Neoplasticismo e do Abstracionismo, durante as décadas de 1910 e 1920, privilegiavam as formas geométricas e o aspecto não-figurativo. Isso equivale a dizer que a relação direta da […]

Literatura no Samba – por Verônica Daniel Kobs

LITERATURA NO SAMBA Profa. Dra. Verônica Daniel Kobs* Na avenida, a fantasia vira realidade Este ano, o tema da Mocidade Independente de Padre Miguel foi Marrocos, a literatura do Oriente e suas narrativas maravilhosas, que enfatizam o sonho e a imaginação. Por esse motivo, as histórias acentuam a “suspensão da descrença” (Cf. ECO, 1994), característica […]

Literatura e Cinema: Uma introdução à intermidialidade

Umberto Eco, que, em vários textos, analisa o parentesco entre cinema e literatura, falando sobre a obra de Manzoni, em seu livro Seis passeios pelos bosques da ficção, escreve: “Não venham me dizer que um escritor do século XIX desconhecia técnicas cinematográficas: ao contrário, os diretores de cinema é que usam técnicas da literatura de […]

[Cristovão Tezza] O pai e o filho eterno

[Cristovão Tezza] O pai e o filho eterno 150

Como resultado de um processo natural e involuntário, todo artista torna-se vítima de si próprio. O sucesso, na pintura, na tevê, na literatura ou em qualquer outra arte, faz com que o público crie para o artista um personagem que deve entrar em cena sempre que ele estiver fora de sua esfera privada. O artista […]

E O NOBEL DO RAUL?

 Profa. Dra. Verônica Daniel Kobs* Nos últimos dias, pela surpresa causada pelo anúncio do Nobel de Literatura deste ano, a pergunta que recebo é sempre a mesma: e o Bob Dylan? Primeiro, a pergunta veio de um aluno de Letras. Eu tinha sabido da notícia um dia antes. Lembro que fiquei meio atônita, quando ouvi […]

As vozes do feminino nas obras de Hilda Hilst e Frida Kahlo

AS VOZES DO FEMININO NAS OBRAS DE HILDA HILST E FRIDA KHALO* Profa. Dra. Verônica Daniel Kobs**           Elaine Showalter considera a arte das mulheres “um ‘discurso de duas vozes’ que personifica sempre as heranças social, literária e cultural tanto do silenciado quanto do dominante” (SHOWALTER, 1994, p. 50). Para a autora, essa posição “inconstante”, […]

Traduções da pintura em ‘Breve espaço entre cor e sombra’, de Cristovão Tezza

TRADUÇÕES DA PINTURA EM BREVE ESPAÇO ENTRE COR E SOMBRA, DE CRISTOVÃO TEZZA* Profa. Dra. Verônica Daniel Kobs**             No romance Breve espaço entre cor e sombra, há quatro capítulos especiais, porque apresentam o processo artístico do pintor Tato Simmone, na composição de suas telas: Crianças, Immobilis sapientia, Estudo sobre Mondrian e Réquiem. São essas […]

Dalton Trevisan e a literatura do contra, por Verônica Daniel Kobs

HISTÓRIAS DE DALTON Profa. Dra. Verônica Daniel Kobs¹ João e Maria: infelizes para sempre² Fazem parte da mitologia daltoniana os personagens João e Maria, que, apesar de serem nomeados, são gerais, anônimos, estereótipos que se enfrentam diariamente, na interminável guerra conjugal. Dalton Trevisan dessacraliza o casamento e revela a violência, as frustrações e a infelicidade […]